Você gosta de filmes e séries que abordam o universo jurídico ou trabalha com isso? Curte quando a produção que lhe conduz a ponderar entre o certo e o errado e tirar suas próprias conclusões sobre o caso apresentado? Então a série ‘Doze Jurados’, da Netflix, é feita para você.

Nos dez episódios da primeira temporada acompanhamos o julgamento de Frie Palmers (Maaike Cafmeyer), acusada de dois assassinatos: o de Brechtje Vindevoguel (Lynn Van Royen), sua então melhor amiga; e de Roos (Estelle Sys). Embora esse seja o mote da série (apresentado numa camada superficial), o que de fato o espectador é convidado a acompanhar é a escolha aleatória dos doze indivíduos que se tornam jurados desse inquérito, e o quanto a vida dessas pessoas não é exatamente exemplar. Por isso, automaticamente o espectador é convidado a pensar se essas pessoas deveriam mesmo estar julgando o destino de Frie Palmers, cujas acusações podem ser menos graves do que as enfrentadas por alguns dos doze jurados.



Criado e escrito por Sanne Nuyens e Bert Van Dael, o roteiro em cada episódio vai jogando luz em um dos jurados, entrelaçando as histórias desses indivíduos que, supostamente, não se conheciam anteriormente. Só que, antes de serem jurados, essas pessoas tinham vidas pessoais que, muitas vezes, não refletiam uma conduta tão exemplar, a ponto de torná-los capazes e imunes de julgar o destino de outra pessoa. Dentre os doze, por exemplo, conhecemos Delphine (Maaike Neuville), uma mãe de três crianças que não queria ser jurada, mas se vê obrigada a isso pelo sistema e que, por conta dessa obrigação, acaba eclodindo o ciúme irrefreado do marido; Carl (Zouzou Ben Chikha), um pai machista e controlador; Holly (Charlotte De Bruyne), uma jovem rica cujos pais foram brutalmente assassinados no passado; Joeri (Tom Vermeir), um empresário com negócios escusos; e Arnold (Peter Gorissen), um homem solitário que só se sente bem quando está perto dos macacos do zoológico.

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A produção belga tem um ritmo linear, embora a narrativa seja recheada de flashbacks e acompanhe o desdobramento de muitos personagens. É interessante também para nós, espectadores brasileiros, observarmos o próprio de julgamento da Bélgica, no qual as testemunhas são centralizadas na sala e entrevistadas tanto pela promotoria quanto pela acusação e também pelo juiz, havendo a possibilidade do acusado ser questionado ali mesmo sobre um determinado fato, no meio do depoimento da testemunha, confrontando ambos os relatos. Para quem curte produções assim e está acostumado com as versões hollywoodianas, ‘Doze Jurados’ traz um curioso sistema judiciário um pouco diferente do nosso – e gera mais uma reflexão: será que o deles funciona melhor do que o nosso?

O aspecto mais original de ‘Doze Jurados’ é que a série em vez de focar no crime em si ou na investigação policial, como ‘CSI’, ‘NCIS’ ou ‘Criminal Minds’, por exemplo, ela joga luz justamente nas pessoas mais importantes dessa equação – os jurados –, cujas histórias são desconhecidas tanto na ficção quanto na vida real. E esse simples girar de eixo provoca a inquietação no espectador: quem somos nós, para nos acharmos no direito de julgar o outro? E mais: o que é esse sistema judiciário mundial, que subjuga o destino de uma pessoa às mãos de outras, cujas idoneidades podem ser mais duvidosas do que a do acusado?

Doze Jurados’ é uma série calma e reflexiva, que oferece um interessante olhar sobre o terceiro prato da balança da justiça que comumente é ignorado nos julgamentos: aqueles que de fato sentenciam a liberdade ou a condenação dos acusados.



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