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Diretor de ‘Piratas do Caribe’ critica uso da IA no cinema: “Tem sido mal direcionada”


O cineasta Gore Verbinski, conhecido por dirigir a franquiaPiratas do Caribe, recentemente compartilhou sua visão crítica sobre o crescente uso da Inteligência Artificial (IA) na indústria de Hollywood.

Durante uma entrevista ao portal Dexerto, Verbinski foi direto ao expressar seu incômodo: “Só me incomoda o fato de que a promessa da IA tem sido mal direcionada”.

“Em vez de tentar resolver o câncer ou nos levar a Marte, ou essas coisas que poderiam solucionar problemas reais, ela está indo atrás da narrativa, está indo atrás das ilustrações, vai compor sua música para você. É como dizer que ela vai respirar por você, vai transar por você. Ela vai tirar coisas de você”, argumentou.



Verbinski questionou a escolha de focar a IA nas artes, que ele considera o cerne da humanidade:

“Existem certas coisas que precisamos fazer como seres humanos, como sentar ao redor de uma fogueira e contar histórias uns aos outros. Por que está tirando justamente as coisas que nos tornam fundamentalmente humanos? Por que não ir atrás dos trabalhos que não queremos fazer?”, afirmou.

O cineasta especulou que o foco da IA nas artes decorre de seu desenvolvimento:

“Suponho que isso aconteça porque é um modelo de linguagem e porque seus estágios iniciais nasceram de estudar a nós mesmos: ‘Qual é o nosso perfil de usuário? O que compramos? Do que gostamos? Como consumimos? O que odiamos? O que nos mantém engajados?'”, destacou.

“Acho que o fato de que isso tudo foi usado antes de se tornar senciente, em tantos desses aspectos, significa que tudo isso será escrito no código-fonte, é fundamental. Provavelmente é por isso que está sendo direcionado às artes”, comentou.

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Questionado sobre como enxerga o futuro, Verbinski previu um cenário de criação instantânea, mas com um custo:

“Acho que não há dúvida de que você vai poder dizer: ‘Quero assistir a um filme, me surpreenda. Quero ver um filme que seja, sei lá, O Poderoso Chefão com sapos falantes’, e ele vai existir, vai ser bom, sem dúvida. Mas o que isso acabou de tirar de nós?”, destacou.

Ele comparou a situação ao hobby de criar: “Não existe algo em nós que nos faz querer criar aquilo que amamos? Você ama pesca com mosca, e ele vai pescar com mosca por você. ‘Não, quero dizer que EU quero ir pescar com mosca!’ Acho estranho tirar aquilo que nos faz humanos”.

Para Verbinski, o uso acelerado da IA pode levar a um ciclo vicioso de conteúdo: “Acho que talvez algo muito interessante vá acontecer, porque ele ingeriu tanto da internet e está devolvendo tanta coisa, tão rápido, de volta para a internet, que está começando a beber o próprio mijo, e acho que vamos ver esse pequeno desvio de dois graus. Vai ficar bem surreal, muito rápido”.

Ele finalizou com um tom nostálgico e de alerta: “Quero comprar uma Encyclopaedia Britannica pré-IA, só para ter. Tipo: nós costumávamos saber essas porcarias!”.

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