sexta-feira, janeiro 9, 2026

[EXCLUSIVO] Fã de Kleber Mendonça Filho, o diretor Victor Rodenbach conversou com o CINEPOP durante o Festival de Cinema Francês do Brasil

Destaque Fã de Kleber Mendonça Filho, o diretor Victor Rodenbach conversou com o CINEPOP durante o Festival de Cinema Francês do Brasil

O Festival de Cinema Francês do Brasil exibiu algumas obras cinematográficas aguardadas pelos fãs da sétima arte. Ao longo dos dias de festival, uma delegação fantástica desembarcou no Rio de Janeiro para encontros com a imprensa e os fãs brasileiros. Em um desses momentos, batemos um papo super legal com Victor Rodenbach, diretor e fã de Kleber Mendonça Filho e Karim Ainouz, que trouxe ao Brasil seu primeiro longa-metragem, Os Bastidores do Amor.



1) Eu passei por algo parecido com o que ocorre no filme: eu fui trabalhar com meu marido por um tempo, e foi uma bagunça. Então, qual foi a sua inspiração para fazer o filme?

Victor Rodenbach: É um filme bem pessoal pra mim também, pois minha esposa é diretora de teatro. Nós nos conhecemos quando éramos estudantes: eu estudava cinema, e ela, teatro. Trabalhamos um pouco juntos neste filme e sempre levamos nossa paixão pelo trabalho para casa, o que acabou se misturando com nossa própria história de amor.

 

2) Como está sendo pra você, como cineasta, estar no Rio de Janeiro?

Victor Rodenbach: Este é o primeiro país onde o filme estreia depois da França. Eu sempre quis vir ao brasil, era um sonho de criança. Estou muito feliz e orgulhoso em estar aqui, é realmente um prazer.

3) Como está a indústria cinematográfica na França? Está fácil fazer um filme por lá?

Victor Rodenbach: Está cada vez mais difícil. Ainda assim, a França, em comparação a outros países, está em uma situação melhor  porque temos um sistema que ajuda a produção artística. Esse sistema, no entanto, às vezes é ameaçado politicamente. Além disso, há cada vez menos pessoas nas salas de cinema, especialmente depois da Covid. Ainda fazemos muitos filmes na França, mas o processo se torna cada vez mais difícil e desafiador.

 

4) E é difícil ver, no período atual, tantas comédias românticas. Por que você acha que esse gênero ficou tão ofuscado?

Victor Rodenbach: Você tem razão, o estilo rom-com diminuiu muito, mas acho que são como as ondas do mar. Talvez a gente precise sentir falta desses filmes para eles voltarem. Foi o meu caso: eu tive saudade disso, desse tipo de filme.

5) Eu sinto que hoje os filmes não são tão bons quanto costumavam ser. Não sei se é nostalgia, mas, quando assisto a um filme em algum streaming, parece que está vazio: não há alma, não há coração, parece que foi escrito por uma inteligência artificial. Você acha que, em geral, a maioria dos blockbusters não está sendo tão artística e impactante quanto no passado?

Victor Rodenbach: Continuo a acreditar no cinema e sigo assistindo a filmes que me estimulam muito, mas é verdade que existem tensões e forças que acabam levando a uma certa normatização das produções, e é preciso resistir a isso.

 

6) Você acha que o streaming vai acabar com as salas de cinema ou será um complemento?

Victor Rodenbach: Existe, sim, esse risco, mas acredito que tudo começa pela educação dos filhos. Por exemplo, eu tenho filhos de 3 e 6 anos e procuro mantê-los sempre próximos do teatro e do cinema. Acho que os dois podem continuar coexistindo, mas é necessário um esforço individual e também político.

7) E você é fã de filmes brasileiros? Tem algum filme brasileiro favorito que você goste?

Victor Rodenbach: Gosto muito do trabalho de Kleber Mendoza Filho, gostei de todos os filmes dele. É um realizador que me marcou profundamente. Eu também gosto muito dos filmes de Karim Ainouz e Walter Salles.

 

8) Você já pensou em realizar uma coprodução com outro país? Se sim, com qual?

Victor Rodenbach: Eu adoraria fazer um filme no Brasil, mas tudo começa com uma ideia. Preciso encontrar um história que me desperte o interesse.

 

9) Você já tem algum novo projeto no qual esteja trabalhando?

Victor Rodenbach: Estou fazendo uma série para a televisão francesa, que também aborda o universo do teatro. Além disso, estou no início do roteiro de um próximo filme, cuja temática será em torno de questões familiares.

 

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Raphael Camacho Crítico de Cinema
Raphael Camacho é um profissional com mais de 20 anos de experiência no mercado cinematográfico. Ao longo de sua trajetória, atuou como programador de salas de cinema, além de ter trabalhado nas áreas de distribuição e marketing de filmes. Paralelamente à sua atuação na indústria, Raphael sempre manteve sua paixão pela escrita, contribuindo com o site Cinepop, onde se consolidou como um dos colaboradores mais antigos e respeitados deste que é um dos portais de cinema mais queridos do Brasil.
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