FASCISTA NÃO! Zack Snyder afirma que é pró-gay e que ‘300’ é “um dos filmes mais gays já feitos” na história

Zack Snyder voltou a se tornar o centro de uma intensa discussão nas redes sociais. O diretor de 300, ‘O Homem de Aço’ e ‘Liga da Justiça’ apresentou seu novo filme, The Last Photograph, no Festival Internacional de Cinema de Toronto, mas a recepção ao projeto rapidamente se transformou em uma nova batalha envolvendo o cineasta. Apesar de ser uma produção muito menor e mais pessoal do que os blockbusters pelos quais ficou conhecido, o longa vem provocando fortes reações e críticas, incluindo acusações de misoginia por causa da violência retratada na história.

Em entrevista à Variety após a première, Snyder resolveu responder diretamente às críticas — e revelou que acordou no dia seguinte à exibição encontrando comentários que iam de ‘Zack Snyder é fascista’ até ameaças como ‘Quero matar Zack Snyder’.

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The Last Photograph é um projeto que Snyder tenta realizar há aproximadamente duas décadas, tendo começado a trabalhar na ideia antes mesmo de 300. Produzido por sua esposa e parceira de longa data Deborah Snyder, o thriller foi escrito por Kurt Johnstad, colaborador do diretor em 300, e acompanha um ex-agente da DEA, vivido por Stuart Martin, que atravessa um país sul-americano não identificado em busca da sobrinha e do sobrinho desaparecidos depois que os pais das crianças são brutalmente assassinados. Durante a jornada, ele recebe a ajuda de um veterano fotógrafo de guerra dependente de heroína, interpretado por Fra Fee, que testemunhou os assassinatos. Christian Bale e Sean Penn chegaram a ser associados ao projeto durante seu longo período de desenvolvimento, mas a versão finalmente realizada acabou sendo muito menor e mais independente. Snyder filmou o longa principalmente na Colômbia em apenas 32 dias e chegou a contrair Covid durante as gravações, trabalhando mesmo com febre.

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A demora para tirar o projeto do papel foi tão grande que Snyder admite que The Last Photograph poderia facilmente ter continuado engavetado. O diretor contou que encontrou uma pequena brecha em sua agenda e precisou escolher entre realizar esse filme ou adaptar ‘Ilusões’, livro de Richard Bach. ‘Já faz umas duas décadas. Seria uma coisa se fossem duas décadas em que não tivéssemos feito mais nada, mas a verdade é que a maioria das coisas que fizemos nos paralisaram mais do que qualquer outra coisa. Acho que estávamos trabalhando nisso antes de 300‘, explicou. Segundo ele, quando finalmente decidiram avançar, tudo aconteceu rapidamente: ‘Pensamos: “Devemos fazer ‘Ilusões’ ou The Last Photograph? Como devemos fazer isso?”. Então decidimos: “Vamos fazer The Last Photograph“. E o prazo era curto. Filmamos em 32 dias’. Snyder ainda creditou à equipe a possibilidade de realizar uma produção tão rapidamente e ‘com pouco dinheiro’.

O resultado é também um dos trabalhos mais pessoais da carreira do cineasta. Embora o projeto tenha surgido muitos anos antes, a história acabou adquirindo um novo significado após a morte de Autumn Snyder, filha do diretor, em 2017. Zack e Deborah Snyder chegaram a deixar a produção de ‘Liga da Justiça’ durante a pós-produção para viver o luto, enquanto Joss Whedon assumiu o longa e realizou extensas mudanças. Questionado agora sobre quanto sua própria experiência influenciou The Last Photograph, Snyder reconheceu que é impossível separar completamente as duas coisas.

“Acho que foi muito influenciado pelo que passei. A história mudou um pouco e não consigo evitar; isso acaba influenciando. Não sei dizer exatamente o que tudo isso significa no final, além de que acho que há uma certa catarse no processo de analisá-la. Sem querer me submeter a uma sessão de terapia, acho que isso acontece e é real”, afirmou.

Mesmo sendo uma produção menor e extremamente pessoal, The Last Photograph não escapou da polarização que acompanha praticamente qualquer trabalho assinado por Snyder. O diretor confessou que chegou a imaginar que, justamente por não se tratar de um gigantesco blockbuster baseado em personagens famosos, o longa poderia simplesmente existir sem provocar as mesmas guerras vistas durante as eras de ‘Batman vs Superman’ e ‘Liga da Justiça’. Não foi o que aconteceu.

“Eu sou conhecido por estar cercado por um discurso específico que gira em torno dos meus filmes. É incrivelmente carregado. E eu pensei, por um breve instante, que, por ser um filme pequeno e não ser grande coisa, ele teria permissão para existir no nível em que existe. Que tipo de ruído um filme tão pequeno como esse merece do mundo?”, questionou.

A resposta veio imediatamente após a première. Snyder revelou que abriu o X pela manhã e encontrou uma verdadeira guerra em torno do longa.

“Esta manhã, acordei com meu feed do X e o discurso está incrivelmente energizado por essa batalha. É como se houvesse uma guerra acontecendo — instantaneamente”, contou.

O cineasta disse estar impressionado principalmente com a intensidade dos ataques:

‘A quantidade de energia e a quantidade de vitríolo me parecem realmente incríveis’.

Em seguida, Snyder reproduziu alguns dos comentários que estava encontrando: ‘”Quero matar Zack Snyder”. “Zack Snyder é um fascista”. “Zack Snyder é homofóbico”. “Zack Snyder é bissexual”‘. Questionado sobre a última acusação, o diretor reagiu com bom humor e sugeriu que poderia estar relacionada ao fato de os dois protagonistas musculosos aparecerem frequentemente sem camisa. ‘Acho que sim! É “homoerótico”, “transfóbico”, “fascista” e todas essas coisas’, completou.

Uma das críticas mais sérias direcionadas ao filme, porém, envolve a quantidade de violência e brutalidade contra personagens femininas, o que levou algumas pessoas a acusarem Snyder de misoginia. O cineasta rejeitou essa interpretação e argumentou que a brutalidade apresentada em The Last Photograph não faz distinção entre homens e mulheres.

“Quer dizer, eu não sei. Em primeiro lugar, eu diria que a violência contra mulheres e homens é igual e que ninguém é poupado — homens, mulheres, crianças, todos”, afirmou.

Para Snyder, a violência funciona quase como uma força indiscriminada dentro da narrativa: ‘A justiça que é aplicada no filme é a mesma justiça que um furacão aplica. Tentar sobrepor moralidade a isso e querer que a violência signifique algo — o significado é que a violência não funciona e não resolve nada’.

Snyder também admite que, apesar de enfrentar esse tipo de reação há muitos anos, as críticas ainda conseguem afetá-lo. ‘Somos todos humanos’, reconheceu. Ao mesmo tempo, o diretor percebeu uma mudança curiosa na própria discussão online.

Segundo ele, depois da primeira onda de ataques, outras pessoas começaram a questionar justamente a agressividade empregada contra um cineasta por causa de um filme.

“Acho que no meu feed, e isso é só o que meu algoritmo me mostra, é uma conversa. Mesmo que eu ache que tenha começado com “Zack Snyder é um lixo!”, “Que se dane ele!”, “Seu fascista!”, o que acontece agora é: “Vocês são uns malucos. Isso é só um filme. Se acalmem”‘, explicou.

Para um diretor cuja carreira acabou marcada por algumas das maiores guerras entre fãs e críticos da internet moderna, talvez a maior surpresa seja descobrir que nem mesmo um filme independente, barato e profundamente pessoal conseguiu escapar do chamado ‘debate Snyder’.

300” é um dos filmes mais gays já feitos. Eu sempre digo: “Olha, existem poucos filmes em que as pessoas entram como heterossexuais e saem como gays, e ‘300’ é um deles.”

Zack Snyder não aceita os xingamentos e julgamentos.

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