Definitivamente, a Netflix é a locadora dos novos tempos. Quem viveu a época das lojas de alugueis de vídeos jamais esquecerá a satisfação que era perder horas com os amigos ou sozinho escolhendo filmes para ver nos fins de semana junto da família. Hoje, o processo é bem mais rápido (espera-se) e o poder de escolha está na ponta de nossos dedos, com um acervo igualmente grandioso nas mais variadas plataformas de streaming. Isso sem falar no somatório que é nunca encontrar o filme que você deseja assistir “alugado” por outro. Um movimento extremamente frustrante na época.

Mas nem tudo mudou com a modernidade. Um dos fenômenos mais interessantes e muito bem-vindos que surgiram com o advento das videolocadoras foi a segunda chance que muitas produções receberam junto ao público após sua saída das telonas. Muitos filmes e até mesmo superproduções que se mostravam fracasso de público, e inclusive de crítica, na época de sua estreia nos cinemas eram redescobertas por novos espectadores e reavaliadas gerando assim uma legião de fãs, sendo tratadas como cult. Foi assim, por exemplo, com Blade Runner, de Ridley Scott.

O mesmo fenômeno começa a ocorrer cada vez em maior escala agora na Netflix. E somos totalmente a favor, já que toda e qualquer produção cinematográfica merece segunda, terceira e até quarta chance de redescobrir seu público e se tornar sucesso. Pensando nisso, resolvi criar esta nova matéria abordando justamente o fato dos filmes que foram fracasso de público nos cinemas e massacrados pela crítica em seu lançamento nas telonas, mas que ao caírem na plataforma de streaming número 1 do mundo foram abraçadas pela chamada “geração Netflix” se tornando sucesso no serviço. Conheça abaixo e não esqueça de comentar.

47 Ronins



Superprodução problemática de US$175 milhões da Universal Pictures, o blockbuster de 2013 sofreu com diversos atrasos e refilmagens, resultando num fracasso que sequer pagou seu orçamento – também com um valor inflado destes, como poderia? Estrelado pelo muso Keanu Reeves, 47 Ronins talvez seja um dos fiascos mais monumentais de sua carreira. Porém, ao cair no acervo da Netflix, o filme fez tanto sucesso com os usuários da nova geração, que rapidamente entrou no top 10 dos mais vistos na plataforma. Tamanho sucesso começou a gerar boatos de que talvez uma continuação do filme esteja sendo planejada pela agora também produtora de filmes – algo que a Netflix já havia realizado com a sequência O Tigre e o Dragão 2 – A Espada do Destino (2016).

Versões de um Crime

Aproveite para assistir:

Seguimos com o astro Keanu Reeves. Seja sincero, você já tinha ouvido falar deste filme? Pois é, mas o longa chegou a ser exibido brevemente nos cinemas brasileiros em março de 2017. E sim, passou totalmente em branco. Na trama, Reeves interpreta um advogado tentando provar a inocência de um adolescente num caso de assassinato. Além do astro, o elenco conta ainda com a vencedora do Oscar Renée Zellweger e Gugu Mbatha-Raw. Esse é um filme que nem mesmo os envolvidos devem lembrar de ter feito e sua bilheteria mundial não chegou sequer a US$2 milhões. Apesar disso, se tornou sucesso na plataforma da Netflix, de forma inesperada. Infelizmente, o filme não está disponível em nosso país, constando somente no serviço dos EUA.

Hacker



Além de Keanu Reeves, outro astro muito querido do público atualmente é o boa-praça Chris Hemsworth, intérprete do super-herói da Marvel, Thor. Até mesmo suas bolas fora, vide o recente Homens de Preto Internacional (2019) parecem não manchar muito sua reputação, tamanho é o nível de aceitação do “queridómetro” do ator loiro. Em sua escalada na fama, Hemsworth fez parceria com o quase sempre ótimo diretor Michael Mann (Fogo Contra Fogo e Colateral), achando que seria um passo importante em sua carreira. Mas Hacker (2015), que traz ainda Viola Davis no elenco, custou US$70 milhões e rendeu apenas US$19 milhões mundiais, no Brasil vindo parar direto no mercado de vídeo. Nada disso impediu, porém, o filme de se tornar a nova sensação assim que foi lançado na plataforma da Netflix – muito devido à fama e carisma do ator.

Férias Frustradas

Aos poucos parecemos estar voltando à era dos astros. Bem, ou quase. É inegável que com o advento das redes sociais, onde podemos acompanhar de perto como nunca antes o dia a dia das queridas celebridades, seu status junto ao público é lapidado constantemente. Junte a isso o crescimento das plataformas de streaming que formam novas gerações de aficionados por filmes diariamente e temos novos queridinhos de Hollywood nascendo a todo instante. Isso explica a nova chance que fracassos estão recebendo. Muitos fãs da nova geração sequer lembram ou de fato tiveram conhecimento que tais filmes agora exibidos na Netflix, por exemplo, foram lançados nos cinemas e passaram em branco há 5, 6 anos atrás. Afinal este é o  tempo para formar uma nova geração. É o caso com este reboot da franquia de comédia clássica iniciada em 1983, que em 2015 se tornava fracasso retumbante de crítica, mas nem tanto de bilheteria. Ao passar pela Netflix, viu surgiu uma onda de popularidade que não havia tido no passado. O filme não está mais no acervo da plataforma. Ah, e sim, conta com Chris Hemsworth no elenco.

A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell

Esse aqui deu o que falar na época! Primeiro por ser a adaptação de uma das animações japoneses mais queridas e prestigiadas de todos os tempos pelas mãos de Hollywood. Segundo por ser acusado de White washing, termo usado para quando atores caucasianos assumem papeis que deveriam pertencer a outra etnia. Aqui, a muito americana Scarlett Johansson assumia as formas de uma protagonista asiática. Uma nova polêmica para o diretor “maldito” Rupert Sanders, cujo caso extraconjugal com a atriz Kristen Stewart já havia dado o que falar no lançamento de Branca de Neve e o Caçador (2012). O filme até tenta dar uma explicação para a mudança de raça da protagonista, mas de forma geral o Ghost in the Shell de “carne e osso” terminou esnobado. Isto é, até cair na Netflix, onde foi abraçado pela nova geração se tornando um dos sucessos da casa.

mãe!

Por falar em filme polêmico, nada nem ninguém preparou o público para a mais recente insanidade do controverso Darren Aronofsky. Amado por uns, e odiado por tantos outros, o longa era anunciado como um terror conceitual com a estrela Jennifer Lawrence nos moldes de O Bebê de Rosemary, e a campanha de marketing fazia questão de enfatizar as semelhanças. Um elenco de peso contando com nomes como Javier Bardem, Michelle Pfeiffer e Ed Harris apenas injetavam mais expectativa na obra. E o que ganhamos, bem… foi um filme verdadeiramente alucinado e insano que nada mais era do que uma nova interpretação bíblica do surgimento do homem na Terra e a relação com Deus e a Mãe Natureza. Tudo disfarçado de filme de terror e suspense. Uma ideia ambiciosa e pretensiosa, que terminou não agradando e nem desagradando demais. Uma vez que entendemos a proposta, a reação geral foi de “ok, legal”. Ao cair na Netflix, o filme fez novo barulho se tornando sucesso de audiência, porém, voltou a desagradar grande parte do público que não sabia do que se tratava.



Esquadrão Trovão

Aqui temos um caso curioso. Não são apenas os fracassos do cinema e produções esquecidas que a Netflix faz “virar ouro”. A plataforma de streaming tem o poder inclusive de transformar seus próprios fiascos monumentais em sucesso. Ou quem sabe em relativo sucesso. Tudo que a Netflix lança termina gerando falatório de uma forma ou de outra. Foi o caso com este Esquadrão Trovão, cuja proposta era subverter o gênero muito popular dos filmes de super-heróis. A sacada aqui é transformar em heroínas poderosas as quarentonas acima do peso Melissa McCarthy e Octavia Spencer, duas atrizes que não pensaríamos como personagens uniformizadas combatendo o crime. Acontece que mesmo massacrado pela crítica e público, a curiosidade do espectador falou mais alto, garantindo a entrada de Esquadrão Trovão no top 10 da plataforma.

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