007Sem Tempo para Morrer já estreou nos cinemas brasileiros e pelo mundo, se tornando um sucesso de crítica e bilheteria. Para os fãs da franquia, a despedida do ator Daniel Craig e de toda a sua era, iniciada em 2006, não poderia ser mais satisfatória. Criado pelo autor britânico Ian Fleming, o primeiro livro contendo o espião James Bond foi lançado em 1953, num total de 14 obras literárias. Adaptado para o cinema logo na década seguinte, 007James Bond iniciou uma verdadeira febre no gênero do suspense, ação e espionagem nas telas e revolucionou o cinema entretenimento como o conhecemos hoje. Sim, 007 é um dos grandes responsáveis pela cultura pop como a temos atualmente.

Pegando carona no sucesso do vigésimo quinto filme oficial da franquia EON – a produtora responsável por levar os filmes 007 ao cinema – resolvemos realizar uma façanha que poderiam facilmente nos colocar num hospital psiquiátrico: ranquear TODOS os vinte e cinco filmes da franquia (incluindo o novíssimo Sem Tempo para Morrer), do pior ao melhor. Afinal, o maior agente secreto da sétima arte e você, nosso querido leitor do CinePOP, mereciam isso. Confira abaixo e não esqueça de deixar nos comentários a sua ordem de preferência de todos os filmes. Bem-vindo ao desafio.

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25 – O Foguete da Morte (1979)



Difícil não nomear este como o pior filme da franquia 007 no cinema, mesmo sendo um episódio extremamente divertido e que recai no dilema “tão ruim que é bom”. Fora isso, o quarto filme de Roger Moore como James Bond ressurgiu como item cult, tendo seus defensores. O fato é que aqui a franquia quis pegar carona no sucesso de Star Wars (1977) e levou 007 para o espaço (!!?) para travar uma “guerra nas estrelas” com direito a armas laser. Sim, define bem a era da “galhofa” que foram os filmes de Moore, e ainda transforma o vilão Jaws em bonzinho – já que fazia sucesso com a criançada.

24 – Na Mira dos Assassinos (1985)

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Muitos podem definir este filme como um episódio “inofensivo”, mas a verdade é que hoje a despedida de Roger Moore do papel se destaca de forma negativa, já que o ator se encontrava sessentão e agindo como um jovem de trinta anos. Nada convence, desde sua falta de química com a Bondgirl Tanya Roberts (trinta anos mais jovem, parecendo sua filha, ou quem sabe neta), até o fato de precisar ser substituído por um dublê em quase todas as suas cenas (criando momentos para lá de artificiais). Mas sim, temos coisas boas aqui, em especial a capanga May Day, de Grace Jones, um dos destaques da franquia, e também o vilão de Christopher Walken.

23 – Os Diamantes São Eternos (1971)



Por falar em despedidas, não foi apenas Roger Moore que disse adeus a James Bond num episódio fraco (isso parece ser uma recorrente na franquia). O primeiro e único Sean Connery também se despediu do personagem de vez (pelo menos na franquia oficial) num filme que deixou a desejar. O sétimo 007 é tão galhofa quanto os filmes de Roger Moore e leva James Bond para Las Vegas. O próprio Connery afirmou ter se divertido mais nos bastidores, já que aproveitou a cidade para cair na gandaia, chegando exausto nas gravações todos os dias.

22 – Um Novo Dia para Morrer (2002)

Esse é provavelmente o episódio mais odiado da maioria dos fãs da franquia. Mas preciso sair em defesa desta despedida de Pierce Brosnan do papel (não disse que era uma constante as despedidas ruins?). Mas só um pouco. O vigésimo filme possui coisas boas, em especial as Bondgirls, Halle Berry e Rosamund Pike. Fora isso, a trama da mudança genética do vilão é criativa, e a temática gelada é legal. No aspecto indefensável temos o infame carro invisível e as “façanhas” computadorizadas do “tiozão” Brosnan como surfar e fazer kite surfe nas geleiras, que soou mais falso do que as vacinas para Covid vendidas nos camelôs do Rio de Janeiro.

21 – O Homem com a Pistola de Ouro (1974)

Que a era de Roger Moore foi a mais “farofeira” da franquia todos nós sabemos, mas esse é todo o seu charme. Cada intérprete trouxe um clima próprio para a série, e dentre todos, os filmes de Moore são os mais “quadrinhos” e “filme B” dos longas de James Bond. Esse aqui inclusive pode ser considerado um capítulo menor, e um que quase ninguém lembra ou dá muita atenção. O que marcou aqui foi o vilão vivido por Christopher Lee, o assassino Scaramanga e sua pistola de ouro.

20 – SPECTRE (2015)

A era de Daniel Craig é considerada a mais “realista”, nua e crua da franquia. Mas isso não deveria ser sinônimo de falta de dinamismo, ação e empolgação. Mas esse é exatamente o resultado do quarto filme de Craig no papel. A surpresa é ter sido dirigido pelo mesmo Sam Mendes do elogiadíssimo Skyfall – o diretor aqui parece apenas bater ponto. Os personagens não empolgam e quem consegue mais destaque é o capanga de Dave Bautista – que deveria ter sido o principal antagonista. O pior de tudo, no entanto, é a péssima tendência de precisar interligar tudo e assim fazer de Bond irmão do vilão Blofeld. Urrrrgh.



19 – Só Se Vive Duas Vezes (1967)

A esta altura Sean Connery já estava cansado do papel, e realmente o abandonou, ficando de fora do seguinte, e retornando apenas em 1971. Temos muitos elementos do que define 007, ou os filmes de espiões da época no cinema, como a base do vilão estar localizada dentro de um vulcão. Fora isso, aqui foi revelada a face do maior antagonista da franquia: Blofeld (Donald Pleasence), embora apareça muito pouco em cena. Mas no todo, este filme tem momentos para lá de cringe, como Bond indo treinar com ninjas no Japão, e inclusive se disfarçar de asiático, num momento bem vergonha alheia.

18 – Marcado para a Morte (1987)

Infelizmente, o ator Timothy Dalton ficou pouco tempo no papel, vindo a se tornar o James Bond favorito de ninguém. Nesta fase, o personagem se tornou mais duro, menos brincalhão e os filmes eram mais sombrios e violentos. Tudo o que veríamos anos mais tarde na fase Craig, mas aqui o público ainda não estava preparado para isso. No fim das contas, Dalton passou quase despercebido no papel. E de seus dois filmes, este consegue ser o mais esquecível – com direito a 007 lutando ao lado de guerreiros do Afeganistão que viriam a criar o Talibã (assim como em Rambo III).

17 – Quantum of Solace (2008)


Os filmes pares da era Daniel Craig ficaram conhecidos como os mais fracos de seu repertório. E o segundo filme do ator como James Bond não é exatamente um dos mais memoráveis da franquia. Principalmente por suceder a estupenda estreia de Craig em Cassino Royale. A greve dos roteiristas de Hollywood prejudicou o desenvolvimento do filme que, sendo o mais curto da franquia (com uma hora e meia de duração), se mostrou muita ação e pouca história – a antítese de SPECTRE. Mesmo assim, ainda é mais interessante e menos estapafúrdio que o citado.

16 – A Chantagem Atômica (1965)

Esse foi um dos maiores sucessos da franquia, então recém-lançada apenas com três filmes anteriores. Sean Connery ainda reinava e o filme tem muitos bons elementos, como a mochila a jato usada pelo espião no início e o vilão de tapa-olho Emilio Largo, o número 2 da Spectre, satirizado em Austin Powers. Porém, o que prejudica e muito esse quarto filme é o ritmo para lá de lento das “cenas de ação” realizadas debaixo d’água. Toque de “Jênio”, que mostrou para Hollywood que isso dificilmente funciona.

15 – Octopussy (1983)

Essa escolha será polêmica. Isso porque para muitos fãs, esse é um dos piores filmes da franquia. Aqui, Roger Moore já estava com idade e só foi tirado da aposentadoria para enfrentar Sean Connery nas bilheterias, que retornava fora da franquia oficial em Nunca Mais Outra Vez. Sim, Moore já havia passado da idade aqui, mas nesta aventura que “emula Indiana Jones” temos outros atrativos. Em especial a presença de uma das personagens femininas mais interessantes da franquia, a contrabandista vivida por Maud Adams que, de forma inédita nos filmes de 007, foi a única a ganhar seu nome no título de uma produção. Um marco.

14 – O Mundo Não é o Bastante (1999)

Outra escolha polêmica no ranking. Apesar de ter feito bastante sucesso nas bilheterias da época, o último 007 do milênio não é tão bem visto pelos críticos e pelos fãs. Mas em defesa do longa, este é outro exemplar que possui uma grande personagem feminina (uma das melhores, quiçá a melhor da franquia). Elektra King (Sophie Marceau) é a herdeira de um império de petróleo que se vê alvo de um terrorista incapaz de sentir dor. Mas será que isso é tudo por trás da relação de vítima e algoz? Entendemos que existe um ponto pra lá de negativo aqui, e ele se chama Denise Richards como a Dra. Christmas Jones, uma física nuclear (risos) – o desafio é dizer esta frase sem cair na risada.

13 – Viva e Deixe Morrer (1973)

A estreia de Roger Moore como 007 tem um lugar especial em nossos corações, embora não seja, por assim dizer, um episódio que muitos elejam entre os melhores. Além de ser a fase mais “farofeira” e “zoada” da franquia, a era Moore ficou conhecida por descaradamente pegar carona no que era tendência de sucesso nos anos 1970 e 1980. Assim tivemos as próprias cópias de Star Wars e Indiana Jones nos filmes de 007, e aqui, a “onda” eram os filmes negros do movimento blaxploitation. Nem tudo desce redondo, mas situar uma aventura de James Bond numa realidade representativa é criativo e tinha potencial.

12 – O Amanhã Nunca Morre (1997)

Podemos dizer que a era de Pierce Brosnan foi a que mais se aproximou da galhofa dos filmes de Roger Moore. Mas isso começou a ocorrer aqui, no segundo longa do ator como James Bond. Foi a partir deste filme que as coisas começaram a escalar num nível de surrealismo que só iriam parar quando atingissem o “fundo do poço”. Porém, ter um vilão que é um magnata da mídia, especializado em fake News, ou produzir suas próprias notícias, é super atual e inédito num filme da franquia. Afinal, existe maneira mais eficiente de dominar o mundo? Fora isso, Michelle Yeoh rouba grande parte dos holofotes como Wai Lin, a espiã chinesa que foi a primeira Bondgirl a gerar falatório sobre um possível derivado solo.

11 – Somente para Seus Olhos (1981)

Sim, a era de Roger Moore foi a mais fantasiosa e caricata. Porém, após atingir seu auge de “canastrice” em O Foguete da Morte (o filme em que Bond vai para o Rio de Janeiro e depois para o espaço), a solução encontrada foi trazer tudo “de volta para a Terra”, fincando o espião em nosso mundo real. Assim saía do forno o filme mais “sóbrio” da era Moore. Algo que possivelmente teria acontecido também com Pierce Brosnan após Um Novo Dia para Morrer, caso optassem manter o ator. Aqui temos uma história simples e direta, mas muito eficiente, dando a Moore um filme mais real que o ator merecia. Basicamente uma jovem mulher está atrás de vingança e Bond a ajuda.

10 – Permissão para Matar (1989)

Embora, como dito, a era de Timothy Dalton seja a preferida de zero pessoas, ainda assim esta segunda investida do ator merece um pouco mais de atenção, se para mais nada ao menos pela ousadia. Acontece que este é o filme mais violento da franquia, em que Bond pede demissão da agência MI6 e parte sozinho para fazer justiça. Neste filme, em plena época da guerra contra as drogas, na qual Pablo Escobar reinava, 007 bate de frente com um cartel mexicano, liderado pelo impiedoso traficante Franz Sanchez.

09 – A Serviço Secreto de Sua Majestade (1969)

Se existe um ator menos memorável do que Timothy Dalton na pele de James Bond, este sujeito atende pelo nome George Lazenby. Quem, você pergunta? Pois bem, querido leitor, após deixar o personagem no quinto filme, Sean Connery precisava de um substituto. Demonstrando pouca sabedoria, os produtores optaram por um modelo australiano, o tal Lazenby, sem qualquer experiência como ator. E o pior, ele só não continuou na franquia porque ele próprio optou por sair. Seja como for, o único filme que chegou a protagonizar não é ruim, pelo contrário. É aqui que Bond se apaixona e se casa, somente para ver sua companheira assassinada. Algo que ainda ecoaria pela franquia.

08 – GoldenEye (1995)

A estreia de Pierce Brosnan foi com o pé direito, num filme comandado pelo mesmo diretor de Cassino Royale – o sujeito entende mesmo de 007. GoldenEye não apenas entregou o James Bond definitivo dos anos 1990, como também elevou a franquia a um status que não atingia há muito tempo, desde os primórdios da década de 1960. Subitamente, James Bond era legal de novo e se transformava em fenômeno cultural, batendo de frente com os maiores blockbusters do período. Fato que perdurou na franquia até hoje, e podemos agradecer a este primeiro exemplar de Brosnan. E quem poderia esquecer a vilã orgásmica Xenia Onatopp, de Famke Janssen?

07 – O Espião que me Amava (1977)

Indiscutivelmente o grande favorito da era de Roger Moore (e também um dos mais queridos de toda a franquia), o terceiro exemplar do ator trazia um grande diferencial na série. Essa era a primeira vez que o espião possuía uma Bondgirl à altura, que não era apenas uma “donzela em perigo” ou uma vilã. A agente Soviética Triplo X, vivida por Barbara Bach, era em sumo uma versão feminina e russa de James Bond. No meio de um joguete orquestrado pelo vilão, as duas potências (Inglaterra e União Soviética) se viam em risco de guerra. Assim os países enviavam seus melhores “homens” (e mulheres) para desvendar a situação. No meio da rivalidade surge o amor. Fora isso, apresenta um dos personagens mais adorados da franquia, o vilão de dentes metálicos Jaws.

06 – Sem Tempo para Morrer (2021)

O novíssimo episódio da franquia ainda está muito recente em nossas mentes, mas o que podemos dizer é que ao contrário de Connery, Moore e Brosnan, a despedida de Craig foi pela porta da frente com o pé direito. O filme pode exceder um pouco seu tempo de duração, mas é uma despedida emocionante da franquia, ousando com muita coragem ao levar a série para lugares impensados. Temos a primeira 007 mulher e negra, por exemplo. Aliás, as personagens femininas são o destaque aqui, conseguindo redimir inclusive a personagem de Léa Seydoux do episódio anterior. As cenas de ação igualmente são um chamariz. Ou seja, acerta em quase todas as notas.

05 – O Satânico Dr. No (1962)

O primeirão de todos. Foi aqui que tudo começou e se a franquia existe foi graças a este filme. Embora tenha sido superado por suas sequências, no primeiro episódio já tínhamos muito do que esses filmes viriam a ser, em especial tudo o que diz respeito ao universo criado por Ian Fleming nos livros. Já de cara tínhamos lançadas certas tendências que viriam a definir o subgênero no cinema. E impulsionando tudo, a presença de Sean Connery, um intérprete acertadíssimo escolhido a dedo. Suspense, tensão, ação, aparelhos eletrônicos (sofisticados para a época), belas mulheres, locações paradisíacas, muito perigo, um protagonista suave e elegante, porém duro, e um vilão megalomaníaco, numa base secreta subaquática. É ou não para fazer escola?

04 – Operação Skyfall (2012)

Digamos apenas que essa deveria ter sido a continuação de Cassino Royale que Quantum of Solace não foi. De fato, para muitos este filme é ainda melhor do que a estreia de Daniel Craig como Bond. Uma coisa é certa, mais prestígio este terceiro possui, já que emplacou no Oscar, e venceu duas estatuetas, além de ter sido o primeiro e único a ultrapassar a marca de US$1 bilhão em bilheterias mundiais. O que mesmo reajustando a inflação para os dias de hoje dos filmes antigos, o coloca como o mais rentável da série. Skyfall talvez seja mais sofisticado e artístico que Cassino Royale, uma aula de cinema autoral num dos maiores e mais caros produtos de entretenimento do mundo.

03 – Moscou Contra 007 (1963)

Demonstrando que estava no caminho certo, o segundo filme da franquia ainda é melhor que o original. Além de Sean Connery estar mais à vontade no papel, ainda tínhamos uma trama mais desafiadora. Agora, Bond tinha em sua cola um assassino profissional, Red Grant, tão eficiente quanto ele, contratado pela Spectre. Esse segundo filme é lembrado com muito carinho pelos fãs e se comporta muitas vezes bem mais como um thriller de espionagem do que como um filme de ação blockbuster. O desfecho a bordo do expresso do oriente apenas corrobora isso.

02 – Goldfinger (1964)

O terceiro filme da franquia, novamente com Connery, foi o que a elevou de vez, transformando o espião James Bond num fenômeno cultural. Nem existe muita discussão, Goldfinger é o preferido de pelo menos metade dos fãs da franquia, ou quem sabe os fãs mais tradicionalistas. Aqui a franquia ainda adicionava muito à sua mitologia e todos os itens que fariam parte da febre dos filmes de espiões que dominaria o cinema na época. Aqui temos de tudo um pouco, desde um vilão megalomaníaco atrás de ouro, um capanga que quase rouba a cena, nas formas de Objob, o asiático parrudo com o chapéu mortal, uma Bondgirl de nome provocativo (Pussy Galore) e outra que morre de forma icônica, pintada de ouro. É o resumo de 007 no cinema.

01 – Cassino Royale (2006)

Não sei se esta escolha divide tanto as opiniões quanto antigamente. O fato é: os tempos mudaram. E apesar dos filmes originais com Sean Connery ainda serem maravilhosos, eles são muito retrato de uma época que fica cada vez mais para trás. Ou seja, os anos 1960 já não possuem mais a mesma ressonância hoje do que outrora. De fato, até mesmo os anos 1980 estão ficando “datados” para os padrões atuais. Classe, sofisticação e costumes de um mundo “esquecido” que agora parece ficar apenas na memória. Mas sem grandes lamentações, porque a franquia 007 nos deu um exemplar atual à altura, que é retrato de nossa época. Sem esquecer os adjetivos usados acima, ainda acrescenta muita truculência na medida certa, equilibrando e apresentando aos novos tempos a essência de James Bond. Cassino Royale ganha a medalha de ouro em nossa opinião porque consegue transcender o próprio gênero, se tornando um filme satisfatório até para os não adeptos da franquia. Sair de seu nicho é a receita que qualquer produção cinematográfica deve seguir para se tornar lendária.

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