Fracasso de ‘Desert Warrior’ nas bilheterias acende ALERTA sobre produções da Arábia Saudita

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Em 2018, a Arábia Saudita removeu sua proibição religiosa ao cinema e revelou suas intenções de se transformar o país em uma potência do entretenimento. O objetivo era usar a riqueza do país não apenas para investir em empresas de mídia, mas também para atrair estúdios para o território por meio de uma combinação de incentivos fiscais e instalações de última geração, enquanto desenvolvia sua própria indústria cinematográfica nacional.

Oito anos depois, no entanto, essas ambições cinematográficas ainda não se concretizaram, prejudicadas pela turbulência regional e pela incapacidade de reconhecer o que o público deseja.

Em 2026, a Arábia Saudita enfrentou um grande vexame internacional após o fracasso massivo de ‘Desert Warrior’, épico estrelado por Anthony Mackie (‘Capitão América: Admirável Mundo Novo’) e pelo vencedor do Oscar Ben Kingsley. O projeto, que contou com um orçamento enorme de US$150 milhões de dólares e que tornou-se a grande aposta do território para entrar no cenário cinematográfico global, arrecadou apenas 700 mil dólares nos Estados Unidos e no mundo árabe nas duas semanas seguintes ao seu lançamento em 23 de abril (via Variety).

Tamanho fracasso serve como um alerta e ocorre em um momento em que o país enfrenta ainda mais incertezas causadas pela guerra no Irã, um conflito que se alastrou para outras regiões próximas.

Os problemas se alastram para outros eventos de grande importância, tomando como exemplo o Festival de Cannes deste ano, que não conta com qualquer filme saudita no line-up – ao contrário do que aconteceu dois anos atrás, quando conquistou sua primeira seleção oficial com ‘Norah’, de Tawfik Alzaidi, que sequer teve repercussão midiática.

Apesar da polêmica, o dinheiro saudita continua a fluir por Hollywood através de diversos negócios. Por exemplo, a companhia de games Electronic Arts (responsável pela franquia ‘The Sims’) foi adquirida em outubro de 2025 por um grupo de investidores liderado pelo fundo soberano saudita PIF, em um acordo avaliado em US$55 bilhões. O PIF, inclusive, está entre os financiadores atuais de um pacote de US$24 bilhões que apoia a aquisição da Warner Bros. Discovery pela Paramount Skydance, com uma participação acionária de 15,1% avaliada em cerca de US$10 bilhões, de acordo com o registro da Paramount na FCC.

Segundo Rasha AlEmam, pioneira da indústria cinematográfica saudita e produtora executiva de ‘Desert Warrior’, o acordo entre a Paramount e a Warner Bros. “posicionará a Arábia Saudita como um participante importante na criação e distribuição de conteúdo [de Hollywood]”. Ela acredita que, graças ao acordo, os estúdios norte-americanos estarão “menos relutantes” em filmar na Arábia Saudita. “Isso pode ajudar a diminuir a distância”, afirma.

“A indústria cinematográfica saudita está em fase de aprendizado”, afirma Alaa Karkouti, analista de cinema e distribuidor que dirige o Centro de Cinema Árabe em Cannes. “Mas há sinais que apontam na direção certa”.

Thiago Nolla
Thiago Nolla
Em contato com as artes em geral desde muito cedo, Thiago Nolla é jornalista, escritor e drag queen nas horas vagas. Trabalha com cultura pop desde 2015 e é uma enciclopédia ambulante sobre divas pop (principalmente sobre suas musas, Lady Gaga e Beyoncé). Ele também é apaixonado por vinho, literatura e jogar conversa fora.

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