AFINAL, O QUANTO ELE SABE?

Este penúltimo ep. foi mais curto, algo explicável por seu foco na ação, cujas sequencias são bem mais difíceis de conceber. Mesmo com os avanços do CGI, dá um trabalhão! Mas fomos compensados com um primoroso de ep. Não falo isso apenas pela ação, mas pelo roteiro que conseguiu salpicar instantes mais intimistas.

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Os momentos anteriores à batalha foram marcados pela tensão dos patrulheiros e pelo diálogo entre Maester Aemon (Peter Vaughan) e Sam (John Bradley). Foi uma bonita reflexão sobre o amor que serviu para Sam ver o obvio, que ele ama Gilly (Hannah Murray). E foi bom ver o reencontro do casal. Parece que ele ficou mais tentado a deixar a Patrulha da Noite. Mas Sam também bancou o conselheiro. Tá, foi um conselho menos poético do que o de Maester Aemon, mas não menos eficiente, conseguindo dar coragem para Pypar (Josef Altin).

O diretor Niel Marshall (o mesmo que cuidou da Batalha de Água Negra, na segunda temporada de Game Of Thrones – GoT), confirmou seu talento para cenas grandiosas. Todos os elementos necessários para construção de uma ação de qualidade estavam presentes.

O uso de CGI permitiu a criação de grandes imagens, como o incêndio na floresta. Mas não é apenas criar essas sequencias. Você comprova o bom uso do CGI não com imagens grandiosas, que explicitamente foram feitas em computador, mas justamente naqueles detalhes que juramos que o CGI não teve participação. E, claro, quando o CGI e os efeitos práticos convivem em harmonia.

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Outros detalhes demonstram a destreza de Marshall: a panorâmica de 360 graus do campo de batalha, a trilha sonora que costura a tensão da narrativa, a variação dos pontos de vistas da batalha, que deram dinamismo ao ep. Cenas memoráveis, como a flecha do gigante levando pelos ares um patrulheiro, a âncora deslizando pela Muralha, entre outras. Outro feito da direção foi equilibrar a ação com instantes de dramas pessoais, na maioria dos casos conseguindo revelar dimensões insuspeitas das personagens.

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Pypar demonstrou um heroísmo que não teve em toda a série. Sam conseguiu expor sua sensibilidade para motivar pessoas quando adotou um tom mais doce para convencer o jovem Olly (Brenock O’Connor) a lutar. Sir Alliser Thorne (Owen Teale), que vinha merecendo nossa antipatia por seu antagonismo com Jon Snow (Kit Harington), demonstrou o porquê é uma liderança. Sem ele, Castelo Negro teria caído! Janos Slynt (Dominic Carter) demonstrou-se um perfeito idiota, negando o que seus olhos viam e a fugindo da luta. O auge da união de ação e emoção foi no ato de heroísmo dos patrulheiros que não desistiram de proteger os portões da muralha, mesmo com um gigante vindo em suas direções.


E Jon Snow colocou-se como um verdadeiro líder, tendo sido determinante para manter a unidade da Patrulha. Infelizmente não posso dizer o mesmo do ator. Quanto mais Jon Snow ganha profundidade, mais as limitações de Kit Harington são reveladas. Esperar para ver.

Instante mais dramático foi a morte de Ygritte (Rose Leslie). Depois de uma tensa luta entre Snow e o líder dos canibais, que terminou com a morte deste, vimos Ygritte apontar sua flecha para Snow. Uma longa pausa na qual o espectador sentiu todo o resentimento entre eles. Até que Olly a matou com uma flecha! O sorriso dele, com um sentimento de dever cumprido, resumiu a ironia do momento. As últimas palavras de Ygritte: “You know nothing, Jon Snow”. Parece que ele ainda tem muito a aprender…

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O ep. não foi impecável, não só pelas limitações dramáticas de Kit Harington, mas porque em alguns poucos momentos, as batalhas tornavam-se confusas, dificultando a distinção de quem era quem nas lutas. Mas, nada que retire o brilho do ep.

Aproveitando que estamos chegando ao final da série, vale aproveitar estas resenhas finais para comentários mais gerais.

Algumas pessoas tem criticado as cenas de luta em GoT, por serem, supostamente, mal coreografadas. Bem, exceto as lutas de Jon Snow, que não me convencem, elas cenas são muito bem trabalhadas. A produção tem o cuidado de singularizar o estilo de cada personagem, seja na coreografia, seja no armamento. Oberyn Martell (Pedro Pascal), no ep. passado, foi um exemplo. Sua personalidade egocêntrica e espalhafatosa resultou em um estilo barroco de luta. Até a arma – uma lança – revela muito sobre ele. Ouvi de algumas pessoas que a arma não era apropriada ou que ele “dançou demais”.

Ora, meu amigo leitor, você vai ao cinema ou acompanha uma série para ver algo comum ou algo diferente? Claro, existem obras realistas e outras que buscam gerar tédio no público. E, sim, as séries americanas tem um cuidado especial com a fidelidade aos fatos. Mas, e os grandes artistas sabem disso, entre ser fiel à realidade e produzir uma grande cena, o real será sacrificado no altar da ficção. As artes seguem uma lógica própria; ás vezes, é pela mentira que a artes alcança a verdade.

Além de tudo isso, porra!, tem dragão, gigante e homem que esmaga cabeça com as mãos, e o fulano vem querer reclamar da falta de realismo do Oberyn?!


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