É hoje, minha gente. A segunda maior premiação do mundo do cinema ocorre neste domingo, dia 28 de fevereiro. Além de tudo, a cerimônia desta noite é importante por celebrar um ano tão difícil não apenas no cinema, mas no mundo. Com salas fechadas desde março, quase não tivemos estreias nas telonas, e a sétima arte precisou se segurar como pôde, confiando muito nas plataformas de streaming como meio de trazer até nós suas produções. Tirando o que foi adiado de 2020 para este ano, apesar dos pesares conseguimos ter uma boa safra de lançamentos para serem assistidas em casa. E é justamente isso, essa resiliência que será homenageada e comemorada esta noite.

Seguindo por nossas homenagens do lado de cá, continuamos a série de matérias sobre o passado do Globo de Ouro, com a última delas, desta vez sobre a edição de 10 anos atrás (já comentamos a de 40, 30 e 20 anos também). Um detalhe que não havia sido mencionado nas matérias anteriores, mas que pode causar certa confusão: aqui, comentamos a edição de anos passados, portanto na cerimônia do Globo de Ouro de 10 anos atrás, por exemplo, estaremos comentando os filmes e séries que participaram da edição de 2011 – ou seja, com os filmes do ano anterior, como ocorre em todas as premiações. É bom deixar claro. Conheça ou relembre abaixo e se prepare para algumas surpresas.

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A Rede Social

Ah, se o mundo fosse perfeito… . Muito se comenta dos problemas em relação ao Globo de Ouro, em especial sobre lobby excessivo e certo “suborno” – coisa que iremos comentar mais para frente. Porém, a premiação também acerta (quase sempre prevendo as vitórias do Oscar através das suas), às vezes até mais que seu “primo rico” o Oscar. Veja o caso aqui, com o “Cidadão Kane” moderno de David Fincher, A Rede Social, desbancando (muito merecidamente) o feel good corretinho O Discurso do Rei. Além de melhor filme do ano na categoria drama, A Rede Social ainda levou os de melhor diretor (Fincher), roteiro e trilha sonora. O filme ainda rendeu indicações a Jesse Eisenberg (ator de drama) e Andrew Garfield como coadjuvante.

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Minhas Mães e Meu Pai

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Um dos filmes mais subestimados dos últimos anos (que quase não é comentado atualmente), este drama sobre um casal de lésbicas, seus dois filhos e o “pai” biológico deles é um drama tocante, divertido e muito humano. Nesta época, o Oscar já havia aberto para até dez filmes indicados (em seu segundo ano com esta novidade) – seguindo os moldes do Globo de Ouro (embora não dividindo-os em categorias como drama e comédia). Assim, filmes menores e independentes como este começaram a figurar mais. Minhas Mães e Meu Pai venceu o prêmio de comédia ou musical do ano (e como veremos abaixo, a concorrência era bem fraca – não desmerecendo este ótimo longa). Além deste grande prêmio na noite, o filme também deu para Annette Bening o Globo de Ouro de melhor atriz comédia. Julianne Moore (coadjuvante) e o roteiro foram nomeados.

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O Discurso do Rei



Para não chorarmos de tristeza logo de início, nos manteremos por enquanto na categoria de filmes de drama. Este, no entanto, poderia ser encaixado na outra, por sua leveza e doçura. O filme sobre a gagueira do Rei George VI foi o grande vencedor do Oscar naquele ano, mas no Globo de Ouro perdeu para o superior A Rede Social. No entanto, Colin Firth, que vive o protagonista, saiu vitorioso na categoria de ator dramático. Essa foi a única vitória de O Discurso do Rei, que ainda foi indicado para ator coadjuvante (Geoffrey Rush), atriz coadjuvante (Helena Bonham Carter), diretor (Tom Hooper), roteiro, trilha sonora e, o citado, melhor filme drama.

Cisne Negro

Outro grande filme do ano, o drama psicótico de Darren Aronofsky, que se confunde com obra de terror, narra a trajetória obsessiva e perturbada de uma bailaria em busca de se superar cada vez mais na profissão. Esse foi outro longa que deu as caras em ambos o Globo de Ouro e o Oscar. E em ambos levou o prêmio de melhor atriz (aqui de drama) para Natalie Portman. O longa recebeu nomeações também como melhor filme drama, diretor (Aronofsky) e atriz coadjuvante (Mila Kunis).

O Vencedor

O melhor filme da “retomada” do diretor David O. Russell, em sua nova fase de “queridinho” das premiações, este drama sobre irmãos boxeadores, sendo um deles viciado em crack buscando a reabilitação, e sua família extremamente disfuncional, foi outro que emplacou em ambos Oscar e Globo de Ouro. É interessante notar uma linha subversiva na maioria dos indicados, apresentando filmes de temática polêmica. E isso é muito bom. O Vencedor premiou um Christian Bale tomado (e quando ele não está?) e Melissa Leo (que dizem ter feito um dos lobbies mais ferrenhos, pagando de seu bolso) como ator e atriz coadjuvantes. Prêmios que se repetiram no Oscar. Fora isso, o Globo de Ouro nomeou o longa para melhor filme drama, melhor diretor (O. Russell), ator em drama (Mark Wahlberg) e outra atriz coadjuvante (Amy Adams).



A Origem

Aqui chegamos na “cota” de blockbuster do ano. A superprodução de Christopher Nolan que brinca com o conceito do mundo dos sonhos em larga escala como nunca anteriormente no cinema, é um dos filmes mais queridos dos últimos anos pelo grande público, ainda citado na preferência geral. Depois de O Cavaleiro das Trevas (2008), este foi o filme que cimentou no imaginário coletivo Nolan como um dos grandes do cinema. A Origem chegou a emplacar no Oscar, e no Globo de Ouro recebeu indicações para melhor filme drama, diretor (Nolan), roteiro e trilha sonora – sem vitórias.

RED – Aposentados e Perigosos

Agora é que a porca começa a torcer o rabo. E começamos pelo menos piorzinho. Aqui voltamos para a categoria de melhor filme de comédia ou musical. E a pergunta que fica é: o que este filme de ação está fazendo aqui? Não que esta adaptação de quadrinhos obscuros da DC Comics sobre agentes secretos da terceira idade voltando à ativa seja ruim, pelo contrário, mas estar numa lista de melhores do ano já é demais. Tudo bem que o Globo de Ouro passa um bocado maior para encaixar filmes entre estas duas categorias, mas pensa só, no Oscar tivemos algo do nível de Bravura Indômita, dos irmãos Coen. Sentiram o drama? RED só foi indicado nesta categoria, e está mais que bom né?

Alice no País das Maravilhas


Seguindo na categoria dos filmes de comédia ou musical, continuamos caminhando dos menos piores aos horríveis – sim, este foi um daqueles anos. Talvez o filme menos inspirado da carreira do outrora genial Tim Burton, esta adaptação do clássico infantil é apenas forma, sem qualquer conteúdo ou alma. Um festival de efeitos visuais adormecentes, além da indicação citada de melhor filme, ainda recebeu as de trilha sonora e ator de comédia para Johnny Depp (é sério?). O Oscar foi mais esperto e em seu lugar indicou a animação Toy Story 3, que dá um banho de carisma e qualidade neste mesmo sem atores reais no elenco. Aqui, já tínhamos a categoria de melhor animação no Globo de Ouro, da qual Toy Story 3 saiu vitorioso.

O Turista

Filme envolvido num dos maiores escândalos do Globo de Ouro, a produção foi fracasso de crítica e público, e colocou um hiato de oito anos na carreira do diretor alemão de nome difícil, Florian Henckel von Donnersmarck – saído então do sucesso Oscarizado A Vida dos Outros (2006). Boatos sobre suborno aos votantes e piadas sobre os membros quererem confraternizar ao lado dos protagonistas Johnny Depp e Angelina Jolie vieram aos montes. A única coisa boa do filme talvez seja o cenário de Veneza, na Itália. No lado “positivo”, ao menos O Turista escapou do Framboesa de Ouro (será que rolou suborno por lá também?). No Globo de Ouro o filme foi indicado a melhor comédia ou musical, atriz (Jolie) e ator (Depp) – fazendo assim o astro ser indicado duplamente na categoria (com este e Alice). Os votantes deviam querer muito ficar perto do ator…

Burlesque

E agora chegamos ao fundo do poço da categoria. O pior filme indicado para comédia ou musical foi esta produção mequetrefe, que marca a estreia da cantora Christina Aguilera no cinema. Ao seu lado, dando apoio, a veterana Cher já viu dias melhores. Este pseudo musical perpassa todos os clichês do gênero sem acrescentar nada de novo, ou seja: garota do interior chega na cidade grande com sonhos de vencer como cantora, mas antes precisa “passar perrengue” num clube de danças burlescas. Uma dica: o filme não tem nada de burlesco. O filme venceu o prêmio pela música ‘You Haven’t Seen the Last of Me’, e foi indicado para o citado de melhor comédia e outra canção – ‘Bound to You’, com letras de Aguilera e Sia.

Outros filmes populares de 10 anos atrás que marcaram presença no Globo de Ouro foram:

  • 127 Horas – filme-tragédia sobre um jovem que fica com um braço preso numa pedra foi indicado ao Oscar – e aqui foi lembrado para ator drama (James Franco), roteiro e trilha sonora, sem vitória.
  • Inverno da Alma – o filme que apresentou Jennifer Lawrence ao mundo foi o último a entrar na categoria principal do Oscar, e aqui recebeu indicação para a atriz.
  • Namorados para Sempre – filme estarrecedor sobre relacionamento foi nomeado para ator e atriz de drama (Ryan Gosling e Michelle Williams), sendo assim mais justo. No Oscar, apenas Williams entrou.
  • Reencontrando a Felicidade – outro drama, este fala sobre a superação da perda de um filho. Nicole Kidman foi indicada para atriz de dramática e repetiu o feito no Oscar.
  • Frankie & Alice – esquizofrenia e dupla personalidade neste filme que indicou Halle Berry como atriz de drama.
  • A Minha Versão do Amor – filme pouco conhecido sobre um sujeito politicamente incorreto, recebeu indicação de ator de comédia para Paul Giamatti.
  • Amor e Outras DrogasJake Gyllenhaal e Anne Hathaway foram indicados para ator e atriz de comédia neste romance picante.
  • O Super Lobista – o cancelado Kevin Spacey foi indicado para ator de comédia.
  • A Mentira – a queridinha Emma Stone marcava presença com indicação de atriz de comédia.
  • Atração Perigosa Jeremy Renner foi indicado aqui e no Oscar como coadjuvante por este thriller de Ben Affleck.
  • Wall Street: O Dinheiro Nunca DormeMichael Douglas ganhou o Oscar pelo papel em 1988, na continuação foi indicado a coadjuvante no Globo de Ouro.
  • Reino Animal – o thriller australiano de máfia indicou Jacki Weaver para coadjuvante no Globo de Ouro e Oscar.
  • Enrolados – A animação mais cara de todos os tempos foi indicada em tal categoria, além de melhor canção (‘I See the Light’).
  • Onde o Amor Está! – filme com Gwyneth Paltrow como estrela da música country indicou a canção ‘Coming Home’.
  • A Viagem do Peregrino da Alvorada – o terceiro As Crônicas de Nárnia foi indicado pela música ‘There’s a Place for Us’.
  • Meu Malvado Favorito – o início da franquia de sucesso foi indicado para melhor animação.
  • Como Treinar o Seu Dragão – outra franquia famosa começava aqui, e era indicada para animação.
  • O Mágico – indicado para melhor animação, essa é obra mais original da categoria, criada pelo francês Sylvain Chomet (de As Bicicletas de Belleville).
  • Em um Mundo Melhor – o drama dinamarquês de Susanne Bier foi o vencedor na categoria de filme estrangeiro – e também levou o Oscar.
  • Biutiful – representante do México, o filme de Alejandro Iñarritu foi indicado para longa estrangeiro – e no Oscar ainda nomeou o protagonista Javier Bardem.
  • Um Sonho de Amor – produção italiana com Tilda Swinton, o filme de Luca Guadagnino foi indicado de estrangeiro.

Séries de TV

A grande vencedora da noite na categoria de séries de comédia ou musicais foi Glee – Em Busca da Fama. O programa musical querido (que infelizmente ficaria marcado por inúmeras tragédias do elenco) havia estreado há dois anos e durou 6 temporadas. Naquela noite há 10 anos, Glee teve certa concorrência pesada, de séries igualmente queridas do grande público.

Uma delas foi a sitcom que redefiniu os nerds, The Big Bang Theory (Big Bang – A Teoria). O programa estava em seu quarto ano e durou absurdas 12 temporadas.

Ainda seguindo na categoria dos indicados para seriado cômico, uma das mais elogiadas e inteligentes era 30 Rock (que no Brasil ficou conhecida como Um Maluco na TV). Criada e protagonizada por Tina Fey, a série falava dos bastidores de um programa televisivo nos moldes do Saturday Night Live.

Finalizando as principais séries indicadas na categoria, a “imortal” Modern Family (Família Moderna), sobre três famílias diferentes e interligadas, durou 11 temporadas, chegando ao fim apenas ano passado.

Já quando falamos das séries de drama, a grande vencedora da noite foi Boardwalk Empire – O Império do Contrabando, seriado de máfia sobre criminosos comandando Atlantic City, Nova Jérsei, durante a era da Lei Seca (anos 1920). O programa foi produzido por ninguém menos que Martin Scorsese.

The Walking Dead, série de zumbi que parece não ter fim, já passou por altos e baixos. Mas aqui havia acabado de começar e recebeu indicação na série de drama.

Mad Men – Inventando Verdades é uma das séries mais elogiadas dos últimos anos e fala sobre os bastidores de uma agência publicitária na década de 1960, época onde os homens reinavam absoluto.

Dexter também foi lembrada na categoria de drama e contava sobre um psicopata serial killer, trabalhando com a polícia e escondendo sua verdadeira identidade homicida, ajudando a caçar outros como ele.

Terminando as principais séries de 10 anos atrás, The Good Wife traz Julianna Margulies, veterana de Plantão Médico (E.R.), como protagonista. O programa fez muito sucesso e inclusive gerou um derivado, The Good Fight – que este ano lança sua quinta temporada.

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