A terceira temporada de The Boys está a pleno vapor. A série mais popular da Amazon de todos os tempos, segue dando frutos para a plataforma e já tem sua quarta temporada confirmada após os números mais que satisfatórios de audiência deste terceiro ano. O formato que a empresa encontrou e que vem se mostrando muito eficaz é o de um episódio por semana. E talvez nesta temporada nenhum outro vá gerar tanto hype (quem sabe apenas a season finale) quando o episódio desta semana. Intitulado Herogasm, o episódio 6 da terceira temporada prometia… bem, nada menos do que uma orgia sexual com super-heróis. Está aí uma coisa que não se vê todos os dias.

Pensando nessa ideia mais que cabulosa, decidimos criar uma nova matéria apresentando apenas os episódios mais controversos de séries muito famosas e queridas. É claro que a controvérsia pode ser por vários motivos: a polêmica pelo tema de um episódio específico, o fato de determinado episódio não ter agradado os fãs e ter sido rapidamente varrido para debaixo do tapete pelos realizadores (como se não tivesse existido) e até mesmo episódios que se tornam polêmicos aos olhos de hoje (de uma era politicamente correta) por terem envelhecido mal, causando desconforto por sua visão de mundo, hoje considerada incabível. Ou seja, tem de tudo. Confira abaixo alguns dos que selecionamos para você.

The Boys / Herogasm


Começamos a lista com o tópico que a motivou. The Boys é uma das séries mais incorretas da atualidade, extremamente violenta, lasciva, nua e crua, o programa de super-heróis da Amazon não é, definitivamente, indicado para os de estômago fraco. E essa semana, o que o seriado nos prometeu foi nada menos do que uma “suruba” de super-heróis, com seres poderosos utilizando seus dons, não para combater o crime, mas sim para o prazer sexual. Curiosamente, apesar do hype, Herogasm não fugiu do que geralmente vemos em The Boys. Pelo contrário, foi até mais “manso” do que outras atrocidades que a série mostrou, como o episódio 1 da terceira temporada, que realizou o que os fãs pediam na internet com o Homem-Formiga e Thanos. Você já pode imaginar.


Buffy / Earshot e The Body

Voltando no tempo para a década de 1990, Buffy: A Caça-Vampiros fez história na TV, conquistando uma verdadeira legião de fãs que dura até hoje. Muitos podem não saber, mas a ideia começou como um filme, que está completando 30 anos em 2022, criado pelo próprio Joss Whedon (hoje ele mesmo uma figura controversa). Fora isso, a série fez de Sarah Michelle Gellar uma estrela de Hollywood na época. Buffy não era conhecida por ser uma série polêmica, pelo contrário. Mas dois episódios em especial foram os que mais chamaram atenção por seus, digamos, temas delicados. Em ‘Earshot’, o episódio 22 da terceira temporada, a heroína enfrenta não um vampiro, um demônio ou qualquer assombração. Seu desafio da vez é um rapaz que entra armado no colégio. O episódio criou polêmica porque seria exibido logo após o massacre de Columbine em 1999 e precisou ser adiado. Outro delicado foi ‘The Body’, o episódio 16 da quinta temporada. Um dos mais dramáticos da série, aqui a protagonista se despede de sua mãe, que falece vítima de um aneurisma cerebral.

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House of Cards / 6ª Temporada

A controvérsia pode atacar uma série de fora para dentro também. Isto é, fatores externos envolvendo os atores e os realizadores podem atrapalhar o desempenho de um programa, ainda mais se for um grande sucesso em seu auge de popularidade. Foi exatamente isso o que aconteceu com House of Cards, o primeiro fenômeno da Netflix. Tendo estreado em 2013, a série é baseada num programa homônimo britânico, mas conseguiu superar a audiência de seu predecessor. A trama fala sobre as falcatruas do mundo político de figurões nos EUA. Quando o protagonista Kevin Spacey começou a ser acusado por diversas vítimas de assédio sexual, inclusive nos bastidores do programa, a empresa não teve outra escolha senão “dar um pé na bunda” do sujeito. Mas o show precisava continuar, e assim, sua esposa no programa, papel de Robin Wright, assumiu a vaga deixada pelo personagem. Apesar de muitos terem aplaudido, o desfecho da série deveria focar no divórcio amargo entre o casal vivido por Spacey e Wright. Ao invés, os realizadores simplesmente mataram o protagonista.


Game of Thrones / O Final

Assim como The Boys, a série mais popular de todos os tempos na HBO, a medieval Game of Thrones nunca poupou no sexo e sangue. A fantasia conhecida por suas cenas para lá de picantes, e mortes chocantes e inesperadas, trouxe ao longo de suas 8 temporadas momentos inesquecíveis, inquietantes e diversos outros polêmicos. Um dos que mais incomodou os fãs foi o estupro de Sansa Stark (Sophie Turner) em sua noite de núpcias, no episódio 6 da quinta temporada. Mas nem todas as surpresas que a série trouxe preparariam os fãs para o desfecho do programa. Esse foi um caso onde a controvérsia esteve no roteiro que os produtores arrumaram para o desfecho. Após tantos anos de dedicação por parte dos fãs, o último episódio pareceu um tanto quanto apressado. Grande parte do destino dos personagens não foi completamente aceito pelos fãs, como os de Jaime e Cersei, Arya derrotando o Rei da Noite, e Daenerys sucumbindo ao “lado sombrio” e sendo morta por Jon Snow, seu amante, agradou um total de zero pessoas.

Friends / Envelhecendo Mal

Os fãs hardcore de Friends não gostam que fale, mas assim como qualquer outra série do passado, ao reprisarmos alguns episódios podemos perceber que nem tudo continua funcionando. É natural, e não tem nada de errado com isso. Afinal, vivíamos em outra época, com outra mentalidade. Mas também não podemos fechar os olhos sem apontar que determinados pensamentos já não se encaixam mais, e podem causar constrangimento. Friends tem uma “penca” de episódios que descem bem “quadrados” hoje em dia. Temos, por exemplo, Monica (Courteney Cox) fazendo sexo com um menor de idade, Phoebe (Lisa Kudrow) sendo abusada sexualmente pelo namorado italiano de Rachel (Jennifer Aniston), Ross (David Schwimmer) criando caso porque seu filho está brincando com uma boneca, Monica quando era gordinha no passado sendo motivo de piadas sem noção (a gordofobia dispara), e tantas outras piadas feitas às custas do pai de Chandler, um personagem trans da série, que deveria ser pioneiro de relevância. Não vale cancelar, no entanto, apenas aprender com os erros do passado.

Watchmen / Temas políticos


Watchmen, a minissérie, é uma das melhores criações recentes da HBO. A excelente série recebeu inúmeros elogios dos críticos e também dos fãs. Infelizmente, o programa teve o azar de ser lançado numa época em que os nervos estavam aflorados, politicamente falando. A chamada “lacração” era muito repudiada pelos que possuem uma visão de mundo mais conservadora (e hipócrita, diga-se). Desta forma, a série que é pura representatividade, sofreu com os números de audiência, vendo grande parte dos espectadores simplesmente virarem as costas para ela, devido ao seu conteúdo, digamos, mais inflamatório. Os criadores afirmam que Watchmen sempre foi político. E estão certos. Assim, após a estreia do seriado, a audiência caiu em 200 mil espectadores depois da exibição do polêmico primeiro episódio. De acordo com a reclamação de muitos fãs, o programa estava mais interessado em fazer sua panfletagem do que qualquer outra coisa. Com tamanha controvérsia, mesmo que quisesse, Watchmen não teria chance de uma segunda temporada.

Sex and the City / Cock-a-Doodle-Do

Sex and the City é considerado um programa à frente de seu tempo no que diz respeito ao feminismo, independência feminina e empoderamento. A série fala abertamente e sem papas na língua sobre a vida sexual de quatro amigas de Nova York, seus anseios e insatisfações. Além, é claro, de seus prazeres. Sem julgamentos. Tudo, levado de uma forma bem leve. O seriado fez um revival um pouco polêmico, pois não contou com uma das quatro amigas. A nova série, chamada And Just Like That deixou de fora Samantha (Kim Cattrall), uma das personagens mais populares, devido ao relacionamento ruim entre ela e Sarah Jessica Parker na vida real.

Mas não iremos falar desta controvérsia, e sim de um episódio antigo, quando a série ainda estava no seu auge de popularidade. O episódio citado é o 18, que encerra a terceira temporada e foi ao ar em 2000. Neste episódio, o centro da polêmica é justamente Samantha, que entra em guerra com algumas prostitutas trabalhando em sua rua durante a madrugada. Samantha não consegue dormir e vai tirar satisfação com as “damas da noite”, que por sinal são trans. A coisa vai se agravando até que Samantha usa termos pejorativos e chega a jogar água nelas. A atriz trans Laverne Cox já comentou sobre o episódio numa entrevista com a Variety e disse que apesar de ainda adorar a série, foi decepcionante ver mulheres negras trans entrarem no universo de uma série tão adorada quanto Sex and the City desta forma.

Euphoria / A Série Inteira


Como dito, o valor de choque hoje em dia é um dos fatores que podem atrair uma legião de fãs a um programa de TV. É claro que tal elemento não deve ser gratuito, mas sim bem trabalhado. Quando isso ocorre, demonstra que os realizadores de determinada série não têm medo de pegar pesado a fim de demonstrar o potencial de seu roteiro e sua narrativa. Uma das mais atrevidas dos últimos tempos é Euphoria, programa que pega um tema típico de séries adolescentes e a subverte completamente de ponta cabeça.

A criatividade de Euphoria não está apenas em sua parte visual, técnica ou na forma como cria seus personagens e diálogos. Euphoria é criativo por abraçar a polêmica e seus inúmeros temas delicadíssimos. Temos, por exemplo, um constante abuso de drogas e substâncias ilícitas por parte das adolescentes colegiais, em especial a protagonista “zé droguinha” Rue (Zendaya). A verdade é que o tema é tratado como uma doença, o que realmente é. Fora isso, temos bastante representatividade com a personagem Jules (Hunter Schafer), não apenas uma personagem trans tratada de uma forma exemplar pelo roteiro, como também uma intérprete trans conquistando espaço em Hollywood. Temos ainda o abuso de menores, relações altamente tóxicas, violência doméstica, jovens “vendendo” o corpo online e aborto, por exemplo.

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