2021 veio para manter vivo nosso amor pelo cinema e, daqui a alguns meses, os fãs poderão ver a vindoura cinebiografia House of Gucci chegar aos cinemas – e, como apontam diversas revistas internacionais, ser um dos principais títulos para as premiações do ano que vem.

O longa-metragem, que fica a encargo do lendário diretor Ridley Scott (‘Gladiador’, ‘Perdido em Marte’), é baseado no romance de não-ficção homônimo assinado por Sara Gay Forden e gira em torno do assassinato de Maurizio Gucci, ex-presidente da famosa marca de grife Gucci. A mandatária do homicídio, Patrizia Reggiani, será vivida por ninguém menos que a vencedora do Oscar Lady Gaga, que pode conquistar mais uma indicação na categoria de Melhor Atriz após sua aclamada rendição em ‘Nasce Uma Estrela’, de 2018. Também trazendo nomes como Adam Driver, Al Pacino, Jared Leto, Salma Hayek e Jeremy Irons, o filme promete ser um enorme sucesso – mas você conhece a história por trás dele?

Tudo começou quando Patrizia, filha de um caminhoneiro e de uma garçonete, conheceu Maurizio, neto do fundador da maison Gucci, Guccio, em uma festa nos anos 1970. Apaixonando-se pela semelhança da jovem com a icônica Elizabeth Taylor, ambos noivaram e se consumaram matrimônio em 1972, mesmo com as ressalvas que Rodolfo, pai de Maurizio, tinha sobre a união, chegando até mesmo a tentar subornar o Cardeal de Milão a cancelar a cerimônia, acreditando piamente que a nova nora estava atrás de dinheiro. É claro que as coisas correram bem (pelo menos até certo momento), e os recém-casados tiveram duas filhas, tornando-se nomes importantes da cena social milanesa. Patrizia, inclusive, era chamada carinhosamente de Lady Gucci pela imprensa local e internacional, em virtude de seu extravagante modo de vida, que incluía propriedades ao redor do mundo e um gasto exorbitante com flores e outros mimos.



Rodolfo morreu em 1983, com a causa da morte não revelada à época. O corpo foi achado pelo próprio pai, Guido Gucci. Pouco depois, Maurizio herdou os 50% da companhia de grife, cuja outra metade pertencia ao tio, Aldo, mergulhando em uma enredada batalha legal que os levou até mesmo à Suprema Corte de Nova York. Com a maré a favor de Maurizio, ele saiu vitorioso do tribunal e ganhou controle sobre o império – mas as coisas não permaneceriam dessa maneira por muito tempo. Dois anos mais tarde, o jovem empresário viajaria para Florença, a princípio a negócios; entretanto, ele nunca voltou para casa e começou uma vida nova ao lado da designer de interiores italiana Paola Franchi.

Por causa de gastos constantes e inconsequentes, Maurizio se viu num beco sem saída e foi obrigado a vender, em 1988, quase metade das ações da Gucci para um fundo de investimento chamado Investcorp, que controlava, por exemplo, a joalheria Tiffany desde 1984, tendo participação acionária de 50% e perdendo boa parte do controle sobre a marca. Nos primeiros anos da década de 1990, nada parecia melhorar e as contas permaneciam no vermelho. Maurizio inclusive tornou-se culpado de dilapidar quantias absurdas de dinheiro tanto no quartel-general do império, em Florença, quanto em Milão – algo que parecia incomodar Patrizia muito mais do que a infidelidade do marido.

Em 1993, ele vendeu o restante das ações da Gucci para a Investcorp, por um valor irrisório de US$170 milhões. Dois anos depois, foi baleado três vezes por um assassino de aluguel, parando o planeta pela brutalidade do inesperado acontecimento.



Inúmeras linhas de investigação começaram a tomar parte do caso de Maurizio, mas nunca chegando a qualquer conclusão. Prestes a ser arquivado pela polícia, um informante contou aos oficiais italianos que ouviu um porteiro noturno se gabando de ter recrutado o assassino. Traçando o perfil desse porteiro, todas as suspeitas recaíam sobre Patrizia.

Uma das evidências que chamou a atenção dos detetives foi o diário de Lady Gucci, na qual havia escrito paradeisos, palavra grega para paraíso, no mesmo dia do homicídio do ex-marido. Após ser acusada, ela negou ter envolvimento com o caso durante todos os dias do julgamento, exigindo absolvição. Entretanto, os advogados de acusação disseram ao juiz que Patrizia havia trabalhado com outros quatro cúmplices: Pina Auriemma, sua confidente, astróloga e amiga mais próxima; o pistoleiro Benedetto Ceraulo; o motorista de fuga Orazio Cicala; e o supracitado porteiro noturno Ivano Savioni. Ao que tudo indica, Patrizia orquestrou um intrincado plano de matança com medo de que as filhas perdessem a herança caso Maurizio resolvesse se casar mais uma vez.

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Ganhando o apelido de Viúva Negra, Patrizia foi sentenciada a 29 anos de prisão, mas ficou encarcerada por apenas dezesseis. Ela até mesmo tentou se enforcar em sua cela com um lençol. Quando oferecida a oportunidade de cumprir a pena em liberdade provisória, ela recusou. “Nunca trabalhei em minha vida, e não vou começar agora”, disse.

Patrizia foi libertada em 2016. Um ano mais tarde, passaria a receber uma anuidade de 900 mil euros (US$1,08 milhão) da maison Gucci, em virtude de um antigo acordo assinado em 1993. A corte também ordenou que ela recebesse um pagamento atrasado por seu tempo presa, no valor de mais de 16 milhões de euros (US$19,229 milhões).

Quando perturbada em seu local de trabalho por um tabloide italiano, ela foi questionada sobre o motivo de não ter atirado por conta própria em Maurizio. Irritada, ela rebateu com a seguinte frase: “Minha visão não é muita boa. Não queria errar”.



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