O ator Jesse Eisenberg, estrela de grandes sucessos como ‘A Rede Social’ e ‘A Verdadeira Dor’, abriu o jogo recentemente sobre o atual cenário político dos Estados Unidos e deixou bem claro: ele não tem nenhuma intenção de abandonar o país.
De acordo com a Variety, a declaração foi feita durante o Festival de Cinema de Karlovy Vary, onde ele recebeu o Prêmio do Presidente. O ator e cineasta explicou que sente a obrigação de continuar morando em Nova York, mesmo diante do atual governo de Donald Trump.
Para Eisenberg, sua posição financeira traz um dever social:
“Sou um americano muito privilegiado e tenho uma vida muito boa. Minha esposa é professora e dá aulas para muitos estudantes que não tiveram a mesma sorte que nós. Por isso, sentimos a responsabilidade de ficar em Nova York e ajudar quem está enfrentando a fase mais difícil da história dos Estados Unidos. Não vou embora só porque não gosto da política do meu país. Isso me parece um pouco absurdo, já que a minha vida é ótima”, afirmou.
Além da política, Eisenberg aproveitou para comentar o burburinho em torno de seu próximo trabalho como diretor, a comédia musical ‘The Debut’. O longa, estrelado por Julianne Moore e Paul Giamatti, tem estreia marcada para 3 de dezembro nos cinemas americanos pela distribuidora A24.
Na semana passada, o primeiro trailer do longa foi divulgado justamente um dia após a A24 anunciar uma parceria com o Google DeepMind para desenvolver novas tecnologias baseadas em inteligência artificial voltadas ao cinema. A notícia gerou críticas nas redes sociais, especialmente entre fãs do cinema independente, preocupados com o uso da IA na produção artística.
Sobre o momento delicado e se isso o afetava, Eisenberg respondeu: “Não penso muito nisso porque isso não tem nada a ver comigo”.
Ele destacou que a A24 fez justamente o oposto do que muitos associam à inteligência artificial: “A A24 não poderia ter sido melhor em tornar nosso filme totalmente analógico. A história se passa nos anos 1990, com dois atores que trabalham há décadas e estão brilhantes no filme. Filmamos em película, algo muito raro hoje em dia, justamente para que o filme tivesse a sensação de um longa independente daquela época. Nosso filme é o oposto da IA”.
O diretor ainda elogiou a liberdade criativa que recebeu do estúdio, que aceitou todas as suas exigências, desde a escolha dos atores até o formato de gravação.
“A A24 é um estúdio muito inteligente. Em cinco anos trabalhando com eles, nunca senti que as decisões fossem motivadas por questões comerciais. Sempre pareceram focados apenas em fazer a melhor versão possível do filme. Trabalhar lá é como ganhar na loteria”, destacou.



