Possibilidade de uma futura aparição foi borrifada no filme de 2017

Ao final de Liga da Justiça de 2017 houve uma cena pós-crédito envolvendo participações do Exterminador e Lex Luthor. Nela, o vilão do Superman aborda o assassino de aluguel sobre a possibilidade futura de ambos encabeçarem a formação de um novo grupo que possa fazer frente à recém formada Liga da Justiça

A ideia de compor uma formação contendo os principais inimigos de cada herói da DC Comics não é um conceito novo ou estranho para o grande público. Em 1978, durante o primeiro episódio da animação Challenge of the Superfriends foi apresentado pela primeira vez a Legião do Mal; a equipe, liderada por Lex Luthor, era então composta por nomes como Bizarro, Espantalho, Sinestro, Arraia Negra, Giganta e outros.

Enquanto que presente na animação setentista, a Legião do Mal desempenhava a função que lhe era esperada para a época. Em cada episódio eles apareciam com um plano diferente para derrotar a Liga da Justiça (ou os Superamigos se for seguir pela animação) e inevitavelmente eram derrotados. 



Foi na animação “Challenge of the Superfriends” que a Legião do Mal se tornou mais constante

Entretanto, a animação estabeleceu conceitos importantes para o grupo. Alguns deles são a capacidade dos vilões de se organizar em semelhança a seus inimigos já que até aquela época não era habitual nos quadrinhos haver uma ampla reunião de diferentes inimigos; o mais próximo de uma iniciativa dessas eram as edições de crossover na revista World’s Finest entre Superman e Batman, em que não raramente eram formadas alianças duvidosas entre Lex Luthor e Coringa.

Outro ponto de mudança foi estabelecer que esses vilões tinham acesso a estruturas tecnológicas similares a da Liga (o Salão do Mal localizado nos pântanos é o exemplo mais clássico). Até os anos 70, quando foi exibida a animação, poucos inimigos na DC Comics mostravam ter acesso a amplos recursos tecnológicos. Brainiac e Luthor eram a exceção mais evidente e eventualmente Gorila Grodd e Coringa entraram nessa seleta lista mas a maior parte como Giganta, Bizarro, Capitão Frio e outros ainda permanecia bastante limitada em termos de recurso.

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O inevitável sucesso do grupo levou-os a se tornarem algo canônico no universo geral da DC Comics, sendo então rebatizados de Liga da Injustiça. Em ambas as animações Liga da Justiça e Liga da Justiça sem Limites não era raro haver episódios focados no grupo planejando acertar cada membro individual da Liga da Justiça. Em 2007, durante a história Justice League of America Wedding Special #1 é mostrada o início de formação do grupo vilanesco que aproveita a ocasião da véspera do casamento entre Oliver Queen e Dinah Lance para organizar um ataque coordenado.

Em “Liga da Justiça Sem Limites” a Legião aparece pontualmente em momentos bem marcantes

Porém, o ano de 2005 seria um divisor de águas para o grupo pois ocorreu a publicação de Justiça, história escrita pelo ilustrador Alex Ross em parceria com Jim Krueger e com arte do próprio Ross junto a Doug Braithwaite (que trabalhou com o título do Justiceiro durante a fase de Garth Ennis). O enredo segue diferentes vilões do universo DC tendo o mesmo sonho sobre o fim do mundo e como a Liga da Justiça foi incapaz de impedir o acontecido.



Acreditando que a futura tragédia está ligada aos super-heróis de alguma forma, Luthor incita os outros vilões a contra-atacar de maneira mais efetiva do que nunca seus nêmesis. É inevitável que o grande apelo da minissérie acabe sendo a humanização evidente dos vilões, aqui recebendo o papel de protagonistas. Diferente da antiga Legião do Mal dos desenhos animados, conforme mencionado antes, que tinham motivações bastante básicas e eventualmente eram derrotados pelos heróis, em Justiça é um sentimento altruísta que serve de condutor para as atitudes vilanescas.

A ironia, portanto, não só concede espaço para uma trama diferenciada como também reforça características pessoais de alguns dos personagens principais da história, sem jamais alterá-las. É o caso de Lex Luthor, cujo já conhecido narcisismo e inveja do amor que o Superman recebe dos seres humanos é exacerbado pela história como uma inconformidade sentida por não considerar o kryptoniano merecedor. A construção de mundo também trabalha em concordância com um sentimento de empatia pelos vilões, uma vez ali os heróis já estão estabelecidos como ícones culturais e econômicos os arqui-inimigos passam a ser um grupo de resistência à adoração cega pelos heróis. Praticamente um movimento de contracultura.

“Justiça” foi uma história essencial na remodelação do conceito de Liga dos vilões

Algum tempo depois, em 2012, foi lançada a animação Liga da Justiça: A Legião do Mal; esta que é outra história que se presta a contar um confronto entre as duas facções só que readaptando para as telas um outro arco importante: Torre de Babel. Nele o vilão Ra’s al Ghul obtém acesso às fraquezas de todos os membros da Liga após invadir a batcaverna; com as estratégias de contenção planejadas pelo Batman em mãos cada membro da Liga é atacado e derrotado. 

Na animação um bocado da história foi rearranjado mas o mote geral do enredo se manteve. Agora foi a Legião do Mal quem obteve os planos de contenção e novamente a Liga é derrotada. Ambas as mídias também mantém a divisão interna que o episódio gera entre o grupo e o Batman, com todos questionando como ele pôde ter planejado secretamente maneiras de matá-los.

A Liga da Injustiça (ou Legião do Mal) é um dos grupos mais conhecidos da DC Comics e não é surpresa terem sido referenciados como futuros inimigos dos heróis em uma sequência, se é que ainda é possível, de Liga da Justiça. Suas formações reúnem personagens que podem ser usados das mais diversas formas e que sempre serão ameaças reais aos heróis.

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