Vestuário é um dos mais icônicos dos quadrinhos e está inserido em um contexto muito maior

Com a estreia de LIGA DA JUSTIÇA DE ZACK SNYDER se aproximando, vieram também uma enxurrada de novas imagens que não estavam presentes na versão que foi para os cinemas em 2017 sob a direção de Joss Whedon. Dentre elas aquela que talvez tenha se tornado o símbolo do movimento pela distribuição desse corte de Zack Snyder ainda na época da campanha pelo #Release Snyder Cut: o traje negro.

Desde o momento da morte do Superman ao final de Batman vs Superman: A Origem da Justiça pelas mãos de Doomsday (ou, segundo o filme, uma cópia do Doomsday feita a base dos restos mortais do Zod) ficou evidente que a obra estava adaptando parcialmente o arco da Morte do Superman de 1992; parcialmente pois o cerne da história foi levado ao cinema mas o contexto era muito diferente.



Dessa maneira foi inevitável especular, durante todo o período de produção de Liga da Justiça se o traje negro utilizado pelo Superman após a sua volta dos mortos seria adaptado ou não. Soube-se então que a vestimenta não esteve na versão que foi aos cinemas, porém por meio das redes sociais, Zack Snyder confirmou que o traje estava nos planos e liberou até mesmo uma imagem por volta de 2019. Conforme as campanhas virtuais pela distribuição do corte original se intensificaram, a imagem desse traje se tornou uma representação do filme que o estúdio havia descartado e substituído.

Morte do Superman em “Batman vs Superman” já havia dado a pista do inevitável traje

Mas afinal, o que há de mais nessa roupa? Tudo começa no estágio final da luta entre Superman e Doomsday ao final de A Morte do Superman (ou Superman #75) quando o herói, vendo que o novo inimigo era uma força da natureza tão implacável que nem a Liga da Justiça conseguiu impedir, além de já estar bastante ferido e exausto, decide arriscar um tudo ou nada final utilizando a força bruta contra o Doomsday. 

Ambos os combatentes acabam sucumbindo às extensões dos ferimentos e a queda do Superman é sentida no mundo inteiro. A decisão editorial de matar o herói foi tomada na virada da década de 80 para 90, quando a empresa enfrentava uma crise financeira decorrente do recuo nas vendas de quadrinhos e da liderança alcançada pela Marvel Comics com os sucessos de X-Men #1 e Homem-Aranha.

Necessitando dar a volta por cima, a DC Comics convocou alguns dos seus melhores autores na época para planejar um contra-ataque. No final, acabou decidido que caberia ao Superman (cujas vendas não estavam boas mesmo tendo três revistas diferentes para ele) protagonizar um grande evento que não só abalaria o status da indústria como do mundo real também: um casamento com Lois Lane.

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O esperado casamento viria apenas em 1996 com “Superman: The Wedding Album”

Pelo menos, essa era a ideia original; esse tipo de tática narrativa não era uma novidade, em 1987 a Marvel havia publicado The Amazing Spider-Man Annual #21 em que Peter Parker se casa com Mary Jane e um dos mais assistidos programas da época até então era Lois & Clark: As Novas Aventuras do Superman, cujo final previsto era justamente um casamento do casal protagonista.

Tendo que escolher entre esperar a série chegar a tal clímax ou repensar tudo, o resultado foi uma “volta à estaca zero” do planejamento até que um dos membros da equipe criativa, Jerry Ordway (que trabalhou nas revistas do Superman durante a fase John Byrne nos anos 80), sugerisse que o herói fosse morto e isso começou a ser considerado pela equipe, conforme é visto no documentário SupermanDoomsday – Requiem & Rebirth: Lives!

Essa não seria a primeira vez que o personagem morreria, visto que em 1958 houve Superman Vol 1 #118 (também intitulado A Morte do Superman) e em 1986 Alan Moore lançou outro episódio de “morte” do herói com O Que Aconteceu ao Homem de Aço? dentre outras situações. O que foi estabelecido é que essa queda em particular deveria ressaltar a ausência que o personagem deixaria no Universo DC e como ela impactaria todos aqueles que, de uma forma ou de outra, interagiram com o kryptoniano.



Alan Moore já havia brincado com a possibilidade de matar o herói

Logo após a publicação das sete edições envolvendo a luta entre Superman e Doomsday a resposta da mídia foi imediata e o histórico evento não passou despercebido, sendo considerado um dos grandes acontecimentos culturais na década de 90. Foram seis milhões de cópias vendidas e uma posição vantajosa na lista das mais vendidas em 1992.

A questão que precisou ser respondida em seguida foi: como trazer o Superman de volta? Era inconcebível que o personagem ficasse fora de cena para sempre, mas ao mesmo tempo, para que o impacto da sua morte fosse realmente sentido no universo DC e entre os leitores seria preciso dar um tempo para digerir o que aconteceu. O primeiro arco após a morte foi Funeral para um Amigo, que durou de Adventures of Superman #498 até Superman (Volume 2) #83 no qual foi estabelecido o luto pela perda (em momentos muito poderosos envolvendo os Kent e Lois) e o vácuo deixado por ele.

Então veio Retorno do Superman após um período de três meses em que nenhuma nova história envolvendo Clark Kent foi publicada. A mesma equipe criativa novamente se reuniu e decidiu que não o traria de volta de imediato, mas sim apresentaria quatro novos postulantes ao posto de defensores do mundo que representariam o espaço que a morte do Superman deixou enquanto ele não voltasse de fato.

“Funeral para um Amigo” tem momentos emocionalmente poderosos

Eram eles o Erradicador (uma versão violenta do Superman que se adequava à forma como as história eram escritas nos anos 90), Aço (um humano de bom coração que no passado foi salvo pelo Superman e criou uma armadura que replica os poderes do mesmo para lutar contra a criminalidade descontrolada de Metrópolis), Superboy (um clone adolescente de Clark Kent, bastante arrogante e inspirado nas histórias homônimas da década de 50) e Superciborgue (um híbrido orgânico e tecnológico que está disposto a eliminar todos em seu caminho).

Portanto, após ter seu corpo recuperado pelos robôs da Fortaleza da Solidão e então reanimado, Clark precisou usar uma roupa especial (conhecido como traje de recuperação) que aceleraria a absorção da energia solar pelas células de seu corpo. Esse mesmo vestuário é equipado com botas que auxiliam no voo, uma vez que seus poderes não estavam nem perto da potência máxima após a reanimação.



O traje negro facilitou na volta do herói à vida

De um ponto de vista histórico do personagem, algumas variações estéticas do traje negro fizeram outras participações importantes. Uma delas foi na aparição especial do personagem em Batman do Futuro, quando um velho Clark visita Bruce e Terry na Batcaverna; uma mais recente foi na primeira edição solo do personagem na nova linha Rebirth em que o Superman dos Novos 52 havia morrido e outro de uma Terra paralela vem para assumir seu lugar. Ainda mais recentemente ele deu as caras na animação Retorno do Superman que adapta o arco de mesmo nome.

É bem possível que sua presença em LIGA DA JUSTIÇA DE ZACK SNYDER tenha a mesma finalidade originalmente proposta nos quadrinhos mas também pode vir a sofrer modificações. De qualquer forma, o traje negro é um dos mais icônicos de qualquer quadrinho e, desde sua estreia, habita o imaginário dos fãs do azulão como um símbolo de seu renascimento. 

O filme será lançado no Brasil a partir de 18 de março, e estará acessível até 7 de abril como um vídeo premium sob demanda em lojas digitais do país, incluindo Apple TV, Claro, Google Play, Looke, Microsoft, Playstation, Sky, Uol Play, Vivo e WatchBr.

A partir de junho deste ano, LIGA DA JUSTIÇA DE ZACK SNYDER, estará disponível exclusivamente para streaming na HBO Max, após o lançamento da plataforma no país.


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