Livrai-nos do Mal

O Diabo adora The Doors

Recentemente, um crítico de cinema norte-americano revelou que não assistiria mais a filmes de terror. Segundo o profissional, a essa altura de sua vida e carreira tais obras simplesmente não possuem nada a lhe oferecer, e a avaliação das mesmas seria apenas um exercício redundante. A verdade é que a maioria das pessoas adultas ao buscarem um filme optam pela edificação, certo valor cultural e entretenimento. Qualidades geralmente ausentes em uma produção de terror, um gênero predominantemente jovem.

Não sei se tal jornalista está certo ou errado. O que posso afirmar é que continuam sendo produzidos bons filmes dentro do gênero. E que Livrai-nos do Mal não é um deles. Extremamente rotineiro, o novo filme do diretor Scott Derrickson (que já viu dias muito melhores dentro do próprio tema, vide O Exorcismo de Emily Rose) é supostamente baseado em fatos reais – sempre me pergunto o quão real são esses eventos.

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Acompanhamos o policial Sarchie, papel de Eric Bana (o primeiro Hulk do cinema), que obviamente perdeu a fé em qualquer religiosidade. Ele investiga casos estranhos de assassinato, envolvendo situações inconcebíveis. Algumas pessoas ligadas aos crimes são consideradas insanas e trancafiadas em manicômios. Mas o padre Mendoza (Édgar Ramírez), que chega para ajudar a esclarecer, acredita que algo mais inexplicável esteja em jogo, e que entidades demoníacas são as responsáveis.

O roteiro do próprio Derrickson, baseado em um livro, aposta numa história reciclada, personagens esquecíveis e situações pra lá de grotescas. As cenas são muito escuras em sua maioria. O medo vem do clichê mais desavergonhado de filmes assim, o som alto enquanto gatos e outros objetos pulam na nossa frente. É sério! Esse é o mais baixo denominador para produções do tipo. Soa como pouca confiança nos elementos formadores da trama, necessitando apelar para truques vazios e risíveis.

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Em casa, o protagonista sofre os efeitos do trabalho, se distanciando da esposa (Olivia Munn – tão boa na série The Newsroom) e da filha (Lulu Wilson). O serviço segue o sujeito até em casa, com aparições assombrando a menininha no quarto. O que nos leva a outro item da cartilha de obras de terror básicas: a criança colocada em perigo como valor de entretenimento. Tudo é repetido sem que ganhemos qualquer lampejo de criatividade.

Esse é o tipo de filme que seria útil durante um jogo entre amigos envolvendo bebidas e a contagem dos clichês que se amontoam a cada cena. Ah, sim. Existe um traço de originalidade. O demônio aqui é fã da banda The Doors, ao contrário dos Rolling Stones, do filme Possuídos (Fallen, 1998), com Denzel Washington. Sequer apostando no mínimo alívio cômico para quebrar a aura pesada, Livrai-nos do Mal é um filme desagradável e indigesto. Voltando ao tópico inicial, a obra reforça o ponto de vista do crítico mencionado e nos faz repensar a carreira.

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