Hoje é a última segunda-feira de Outubro, o que significa que é dia da última parte do especial CinePOP Made In Brasil. Uma série de entrevistas que têm como base dar visibilidade a projetos independentes que agreguem à Cultura Pop no Brasil. Para encerrar bem o especial, vamos falar com Luciano Vaz, criador da página Biologia Cultural. Um projeto que utiliza personagens de filmes, séries e desenhos animados para ensinar biologia para as pessoas. Confira!

 

Primeiramente, por que você não se apresenta?

Sou Luciano Vaz e me considero um “workaholic” na minha área, que é a biologia. Sempre arrumo um tempo para trabalhar na área rs. Bem, sou licenciado em ciências biológicas pela Universidade Unigranrio, sou biólogo de formação. Hoje, sou pós-graduando em Geologia do Quaternário pelo Museu Nacional, da UFRJ. Por ser licenciado, trabalho como professor para aluno de Ensino Fundamental, Médio e também pré-vestibular, então ajudo pré-vestibulandos. Trabalho também diretamente com divulgação científica no Biologia Cultural, que é uma página que criei e atualmente é vinculada ao GBioTra, que é um grupo de Biotrabalho, do qual também faço parte, que mexe diretamente com divulgação científica, onde também dou palestras, para divulgar e popularizar a ciência por meio do Biologia Cultural. Também sou membro do grupo do grupo de biologia forense da UFRJ. Eu faço de tudo um pouco.



Como você decidiu fazer biologia?

Eu sou apaixonado pela paleontologia desde pequenininho. Mas, além da paleontologia, eu amo esporte. Então, em 2009, eu acabei cursando educação física pela UFRJ. Passei no vestibular e acabei cursando só dois períodos, porque eu descobri que realmente não era minha área. Eu continuo amando esporte, mas não é era o que eu queria para a minha vida. Mas, durante toda a minha vida, eu sempre pesquisei realmente o que eu tinha que fazer para me tornar um paleontólogo. E a biologia era uma das áreas que eu podia seguir para me tornar um paleontólogo. Então, através do ENEM, consegui uma bolsa para cursar licenciatura em ciências biológicas na Universidade Unigranrio de Duque de Caxias. Eu me formei e logo depois consegui entrar no curso de especialização em geologia do quaternário, para que eu possa seguir no caminho para me tornar um paleontólogo. Então assim, desde sempre a biologia tá presente na minha vida. E foi a paleontologia que me fez seguir esse rumo. Não tinha jeito.

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Bem, eu já imagino qual seja, mas vale a pergunta. Qual o seu filme favorito? Ele exerceu alguma influência no projeto?

Mais uma vez a paleontologia vem influenciando minha resposta rs. Todos os cinco filmes lançados de Jurassic Park são os meus preferidos. Claro, o primeiro, de 1993, é um marco na minha vida. Foi o que me fez traçar a paleontologia como meta de vida. Mas acho que é muito difícil definir qual deles é meu preferido. E, sim, eles influenciaram totalmente na minha vida profissional. E são o exemplo perfeito da mistura de biologia com a cultura pop. A ficção e aventura fazem gerações sonharem e se interessarem pelo mundo da ciência. Jurassic Park é, hoje, minha maior paixão. E pra sempre será, eu acho.



 

O que é o Biologia Cultural?

É uma página que tenho no Facebook onde pego personagens da cultura pop, como o Papa-Léguas ou um Pokémon, e conto um pouco mais sobre o animal da vida real no qual esse personagem foi baseado. Porém, a Biologia Cultural é bem mais que “só” a página, é uma área de estudo na qual pesquisamos qualquer influência biológica em qualquer manifestação cultural, seja por meio de um livro, um filme, uma série, um poema, uma música, brasões de times de futebol, de cidades… Tudo que estiver ligado a biologia nessas manifestações culturais, nós classificamos e estudamos. A Biologia Cultural também ajuda no processo de divulgação científica. Vou te dar um exemplo: Numa sala de aula, onde vou ensinar sobre os equinodermos, que são as estrelas do mar, os ouriços marinhos. Ou então vou falar sobre os moluscos, poríferas… Quem eu posso usar para deixar esse mundo mais próximo dos alunos? Eu vou usar como exemplo o desenho do Bob Esponja. Isso traz o aluno para mais perto da área, vai fazer com que ele foque mais na ciência. É um incentivo a mais para que ele queira estudar aquilo. Ele ajuda não só que conheçamos um pouco mais sobre nossa fauna e nossa flora, que está presente aí o tempo inteiro na nossa vida, mas também ajuda no processo de divulgação científica.

Em julho desse ano, um elefante marinho apareceu nas praias do Rio de Janeiro. Claro que virou post da página! O Leôncio, do Pica-Pau, foi usado como comparativo.

De onde veio a ideia de começar esse projeto?

A ideia de começar o projeto surgiu em 2017, depois de participar de um curso de uma semana sobre entomologia cultural, na biosemana da UFRJ. Esse curso foi ministrado pelo professor Elidiomar Ribeiro, que é um entomólogo da Unirio, e ele, durante essa semana, explicou pra gente o que era a biologia cultural em si. Eu fiquei apaixonado pela área e até mesmo o meu trabalho de conclusão de curso foi sobre biologia cultural. Eu desmistifiquei os tubarões, imagem dos tubarões, usando a zoologia cultural como modelo de ensino. E o professor foi um dos grandes incentivadores para que eu criasse a página e fizesse essa divulgação científica. Hoje, a gente tem mostras de biologia cultural, colóquios de zoologia cultural e tudo isso é onde a galera se junta, bate um papo sobre a área, mostra seus trabalhos, faz palestras sobre divulgação científica, sobre a área de biologia cultural. Foi isso que me despertou para a área e me fez começa a página.

O professor Elidiomar e Luciano.

Qual você acha que é o público-alvo da página?



O público-alvo de todo e qualquer divulgador científico é o povo. É a galera “leiga”, digamos assim. Porque o maior erro de um cientista é ficar fechado no seu mundinho, né? Divulgando ciência apenas para cientistas, esquecendo que fora dessa bolha tem muita gente que não está sendo alimentada pela ciência. Então, é por isso que temos um grande número de negacionistas da ciência espalhados pelo mundo, justamente por não divulgarmos a ciência. Então, a Biologia Cultural tem como objetivo dialogar com o povo. Todo o trabalho que a gente de divulgação científica é feito com uma linguagem coloquial para que a galera possa entender. Claro, a gente mantém um processo de divulgação entre os cientistas com dados mais precisos. Mas, para que possamos divulgar a ciência para o público, a gente precisa de uma linguagem mais tranquila e acessível. Não existe outro público-alvo que não seja o povo.

E como você acha que a Cultura Pop impactou no projeto e na sua vida?

A cultura pop faz parte do meu trabalho. A Biologia Cultural é alimentada por cultura pop 24h por dia, 7 dias por semana. Eu me divirto trabalhando, porque eu preciso assistir filmes e séries, ler livros livros, HQs… Eu junto o útil ao agradável. A cultura pop está na minha vida todos os dias por conta do meu trabalho de divulgação científica.

Biologia e cultura pop aproximam os jovens da ciência.

Para encerrar. Eu vi muita gente sugerindo o lançamento de um livro seguindo o tema da página. Existe algum plano para isso?

Olha, eu posso dizer que é um sonho não tão distante assim. Eu tenho uma ideia do Biologia Cultural ser futuramente lançado em livro ou revistam, talvez com um compilado dos textos que eu já produzi, mas é um processo lento e um pouquinho complicado. Já se tem a ideia de talvez produzir uma história envolvendo a biologia cultural. É aquela história, né? 1001 ideias surgem na cabeça. Mas, sim, existe uma chance disso acontecer e espero que aconteça em breve. Ok, vou dar um spoiler. Você já imaginou uma reviravolta onde você tenha uma história envolvendo as grandes navegações com o folclore e até mesmo paleontologia? Pois é, pode acontecer em breve.


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