Obra de 1959 é destaque na ampla filmografia do ator

Um dos nomes mais icônicos para o terror hollywoodiano é Vincent Price, acima de todos os outros. Seu estilo de interpretação, inconfundível graças a sua postura aristocrática, ficou imortalizado em várias obras do gênero produzidas a partir dos anos 30.

Outra característica recorrente de seus personagens era o compartilhamento da mesma aura inquietante e até mesmo diabólica. Um dos primeiros trabalhos no gênero em que o mesmo deixou de ocupar uma posição de coadjuvante para desempenhar algo mais central foi em a A Mosca; filme de 1957 (que teve um famoso remake em 1986) em que ele dá vida a um cientista que, após um acidente, tem seu corpo misturado ao de uma mosca.

Entretanto, foi somente em 1959 que o mesmo escreveu seu nome no gênero do terror definitivamente. Após um encontro com o diretor William Castle (que algumas décadas depois se tornaria um dos produtores mais influentes dos filmes de terror de baixo orçamento) Price gostou da ideia de que ambos poderiam trabalhar juntos em um novo projeto. Logo, o diretor começou a desenvolver a ideia ao redor de uma nova obra.



Vincent Price, um ícone do terror B.

Tal projeto, intitulado A Casa dos Maus Espíritos, reuniu muitas das características que os chamados “ filmes B” ficaram famosos (orçamento escasso, cenários pouco variados, efeitos especiais duvidosos); essa nomenclatura se refere aos filmes extras que eram exibidos em sessões duplas, sendo as obras tipo “A” as grandes atrações.

O roteiro, assinado pelo escritor Robb White, apresenta cinco indivíduos que são convidados para uma festa em nome do milionário Frederick Loren (personagem de Vincent Price) e sua esposa Annabelle em uma mal afamada mansão isolada. Ao chegarem lá, onde cada convidado recebeu uma carona em carros funerários, lhes é proposto um desafio por Loren: se eles conseguirem passar a noite na casa, cada um receberá a quantia de US$ 10.000. 

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Esse então passa a ser o elemento de incentivo para que o filme desenvolva alguns dos personagens do grupo de convidados, muitos deles detentores de segredos sujos, bem como do próprio casal Loren. Assim que Frederick e Annabelle tem sua primeira cena juntos já fica evidente que a relação entre eles é problemática.

O casal Frederick e Annabelle possui um ódio mútuo bastante transparente.

Ela é quarta esposa de Frederick, ao qual todas as outras tiveram mortes suspeitas, e a todo instante Annabelle o confronta com sarcasmos de que ele também quer matá-la. Já o conjugue, no qual Price se utiliza de seu já mencionado estilo de atuação, a ameaça de maneira velada, sempre mantendo um verniz de cordialidade.



Mesmo sendo tecnicamente limitada, A Casa dos Maus Espíritos conseguiu imortalizar algumas façanhas, dentre elas os de sons assustadores. Isso deu em inspiração a cena inicial da obra e, tamanho foi seu sucesso, que muitas atrações de casas assombradas passaram a utilizar de um artifício sonoro para potencializar o medo no público.

Outro detalhe da obra ocorre na icônica cena do esqueleto emergindo do poço de ácido; ao contrário do que se pensa, aquele era de fato um esqueleto humano e não um cenográfico. A excêntrica escolha se deu pela já mencionada simplicidade da produção, uma vez que utilizar uma ossada real seria mais barato do que produzir uma falsa.

A clássica cena do filme.

Ainda assim, talvez o maior legado que o filme de William Castle deixou para o cinema, em termos gerais, foi que seu baixo orçamento chamou a atenção do cineasta britânico Alfred Hitchcock para o fato de que mesmo com pouco dinheiro era possível realizar uma obra de terror efetiva. A partir desse ponto, Hitchcock se inclinou para o desenvolvimento do clássico Psicose (1960).

A Casa dos Maus Espíritos é tanto um capítulo de destaque na filmografia de Price e Castle quanto uma obra influente por si só. A passos lentos e sem quaisquer pretensões ela impactou tanto o cinema como a cultura popular.

 

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