O debate sobre o uso de Inteligência Artificial em Hollywood atingiu um novo patamar de tensão. Na última quinta-feira, a Motion Picture Association (MPA) denunciou o Seedance 2.0, o mais novo gerador de vídeos da ByteDance (proprietária do TikTok), afirmando que a ferramenta desencadeou uma onda massiva de violações de direitos autorais desde o seu lançamento.
Conforme a Variety, a polêmica ganhou força após vídeos hiper-realistas viralizarem nas redes sociais, em especial um que mostra Tom Cruise e Brad Pitt lutando no topo de um edifício.
This was a 2 line prompt in seedance 2. If the hollywood is cooked guys are right maybe the hollywood is cooked guys are cooked too idk. pic.twitter.com/dNTyLUIwAV
— Ruairi Robinson (@RuairiRobinson) February 11, 2026
A ByteDance defende o modelo como um “salto substancial na qualidade de geração”, mas a MPA rebateu duramente em comunicado:
“Em apenas um dia, o serviço chinês de IA Seedance 2.0 realizou uso não autorizado, em larga escala, de obras protegidas. Ao lançar um serviço sem salvaguardas, a ByteDance desconsidera leis consolidadas que sustentam milhões de empregos americanos. A empresa deve cessar imediatamente sua atividade infratora”, afirmou.
O cenário atual remete ao lançamento do Sora 2, da OpenAI, no outono passado. Na ocasião, após críticas similares da MPA, a OpenAI implementou travas de segurança e firmou um acordo histórico com a The Walt Disney Company para o licenciamento de 200 personagens.
No entanto, ainda não está claro se a ByteDance seguirá esse modelo de cooperação ou se o conflito será resolvido judicialmente.
A reação entre profissionais do setor oscila entre o choque e o pessimismo. Rhett Reese, roteirista de ‘Deadpool’, comentou sobre o vídeo gerado por Ruairi Robinson: “Em pouquíssimo tempo, uma única pessoa poderá criar um filme indistinguível do que Hollywood lança hoje. Provavelmente acabou para nós”.
Já Robinson, o cineasta que gerou o vídeo com apenas um “prompt de duas linhas”, ironizou a repercussão negativa após ser alvo de críticas: “A pergunta de hoje é: devo ser morto por digitar duas linhas e apertar um botão?”.



