[ANTES DE COMEÇAR A MATÉRIA, FIQUE CIENTE QUE ELA ESTÁ RECHEADA DE SPOILERS]

Se você ainda não assistiu três primeiros episódios de Ms. Marvel, evite esta matéria, pois ela contém spoilers.


Chegamos à metade da série e o nível da produção segue altíssimo. Mantendo o jeitão de seriado adolescente, o terceiro capítulo faz conexões maiores com o MCU, dando um rumo para o próprio Universo Cinematográfico Marvel nesta Fase Quatro, e misturando a trama familiar de Kamala Khan (Iman Vellani) com a grandiosidade cósmica da Ms. Marvel. A questão cultural segue forte também, o que é um ponto muito legal da série.

O episódio já começa com o grande easter egg da semana e talvez da série em si. Como falamos na matéria de expectativas para a série, a cena pós-créditos de Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis traz a Capitã Marvel (Brie Larson) envolvida na análise dos artefatos do herói chinês, além deles chegarem à conclusão de que os “anéis” são cósmicos e milenares. Logo na abertura do terceiro episódio, os Djinn estão nos anos 40, quando encontram o bracelete de Kamala Khan preso ao braço de um Kree, raça alienígena que mentiu e sequestrou Carol Denvers na década de 1990. Sob os escombros e o cadáver Kree, é possível ver o logo dos Dez Anéis. Vale lembrar que Xu Wenwu (Tony Leung) – o verdadeiro Mandarim – já comandava a organização, então é possível que vejamos essa ligação dos Dez Anéis mais para frente. E como Danvers estava envolvida na investigação dos “anéis” de Shang-Chi, parece que cada vez mais se desenha o encontro de Kamala Khan com sua super-heroína favorita na continuação do filme da Capitã.


Sobre os Djinn, os familiares do crush da nossa protagonista explicam que são de uma raça interdimensional chamada Djinn, cuja presença na Terra veio de um banimento feito há um século, prendendo o grupo ali. Eles falam que Kamala é uma deles, o que explica o poder inerente a ela. A matriarca do grupo também diz que precisam que ela use o bracelete para que eles retornem a Noor, sua terra natal.

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O líder dos Inumanos, Raio Negro, já apareceu no MCU em uma participação de explodir cabeças.

Nos quadrinhos, a origem da personagem é ligada aos Inumanos. No entanto, como foi dito que os Djinn são chamados de vários nomes, não dá para descartar de vez uma ligação com os Inumanos. Por outro lado, os Djinn da série também se autointitulam “Clandestinos”. Esse grupo fez sua estreia nos quadrinhos dos X-Men lá nos anos 90.

Como o grupo acredita que Kamala é a chave para que eles abram o portal de volta para casa, eles pedem que ela os ajude. Com medo, Kamala pede ajuda ao seu melhor amigo, que diz ter lido em um estudo do Dr. Selvig (Stellan Skarsgård) algo sobre aquilo, e que seria perigoso a menina mexer com tanta energia. Selvig vem estudando eventos interdimensionais no MCU desde 2011, no primeiro Thor. Ele é referência no assunto, e isso serve como motivo para que Kamala peça um tempo para pensar, revelando assim a natureza vilanesca dos Djinn.


Essa fala sobre a energia necessária para abrir um portal interdimensional ser equivalente a de um sol também acaba chegando para valorizar outra super-heroína recém-introduzida no MCU, a jovem America Chavez (Xochitl Gomez), cujo poder é justamente abrir portais interdimensionais com a energia que emana de seu próprio corpo. Ou seja, ela tem praticamente poder superior ao de um sol dentro de si.

Como disse lá no começo, esse episódio é imerso na valorização cultural da personagem principal e sua família. Desde a referência aos horrores da invasão inglesa até a situação atual dos imigrantes e seus descendentes nos EUA. Isso é mostrado em vários pontos, desde o momento em que Nakia confronta a invasão do Departamento de Controle de Danos à Mesquita, pedindo respeito e que o departamento siga as regras também para a comunidade muçulmana. Por fim, o momento mais pesado do episódio é quando Kamala conversa com sua mãe sobre as incertezas e a matriarca revela as dificuldades sofridas quando se mudou para os EUA.

Depois da conversa, Kamala chega ao dilema de todo grande herói e acaba sendo guiada justamente por seu líder religioso, que diz a ela que ser bom ou mal não importa, mas sim o que se faz. Essa frase veio direto das HQs da Ms. Marvel. Ela também abre um presente que ganhou de Bruno e se depara com a máscara de seu futuro traje de herói.

Também não tem como falar em cultura sem entrar na sequência do casamento, que traz uma cerimônia lindíssima seguindo as tradições, com direito a danças, rituais e trajes típicos. Além de toda a tradição paquistanesa, eles mexem com a cultura local de Nova Jersey e promovem uma sequência ao som do “príncipe” da região, Jon Bon Jovi. O clássico Livin’ On a Prayer embala um duelo entre Kamala e os Djinn. A protagonista enfim usa sua energia para replicar seus poderes das HQs e projeta uma mão gigante elástica que desce a porrada nos inimigos, que mesmo terminando presos devem voltar para infernizar a vida da garota.

Ah sim, já que estamos falando de easter eggs, a criadora da Ms. Marvel nos quadrinhos, Sana Amanat, faz uma participação especial como a Tia Sana.


Enfim, o episódio termina com a Kamala sendo responsabilizada pelo desastre no casamento e recebendo uma ligação de sua avó para que ela e a mãe viagem diretamente para Carachi, no Paquistão, onde ela provavelmente explicará mais sobre a origem da família e de seus poderes, o que já é o bastante para deixar os fãs ansiosos para o próximo episódio.

Os novos episódios de Ms. Marvel estreiam toda quarta no Disney+.

 

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