Netflix ameaça ByteDance com ação judicial por vídeos de IA envolvendo ‘Stranger Things’ e outras produções

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O debate sobre o uso de Inteligência Artificial em Hollywood ganhou um novo e explosivo capítulo. A Netflix emitiu um comunicado contundente condenando a ByteDance (dona do TikTok) por utilizar conteúdos originais da plataforma, como Stranger Things e ‘Guerreiras do K-Pop’, para treinar e gerar vídeos via IA.

Conforme revelado pelo Deadline, a Netflix afirmou em carta que “não ficará parada assistindo à ByteDance tratar sua valiosa propriedade intelectual como se fosse clip art gratuito de domínio público”.

A gigante do streaming exige a remoção imediata de qualquer conteúdo gerado por IA que envolva produções como ‘Bridgerton’, ‘Round 6’ e ‘Guerreiras do K-Pop.

A situação escalou rapidamente com a formação de uma frente jurídica unida. A Netflix somou forças com Warner Bros. Discovery, Paramount Global e The Walt Disney Company para impedir que conteúdos gerados por usuários deturpem suas franquias mais lucrativas.

Embora Amazon, Apple e Sony ainda não tenham se manifestado, a entrada oficial da Netflix na disputa sinaliza que a indústria atingiu um ponto de ruptura.

Mindy LeMoine, chefe de litígios da Netflix, apresentou evidências forenses de que a ferramenta Seedance, da ByteDance, foi usada para criar obras derivadas não autorizadas:

  • Bridgerton: Vazamentos de designs da 4ª temporada, incluindo o vestido “Lady in Silver”.
  • Stranger Things: Recriações em alta fidelidade do episódio final e de monstros como o Demogorgon.
  • ‘Round 6’: Crossovers não autorizados, incluindo a inserção de figuras reais, como Elon Musk, nos cenários da série.

A carta acrescenta: “A Netflix jamais autorizou a ByteDance a utilizar nosso conteúdo para gerar essas imagens ou vídeos. As atividades da ByteDance são intencionais e constituem violação direta e indireta de direitos autorais. O uso de obras protegidas para criar um produto comercial concorrente, especialmente um que reproduz o original, não é protegido pelo princípio do uso justo”.

A Netflix ainda refutou o argumento de “uso justo” (fair use), alegando que a ByteDance está criando um produto comercial concorrente baseado em cópias. A empresa chinesa tem três dias para cumprir uma lista de exigências, que inclui o bloqueio tecnológico de termos protegidos, a exclusão de materiais dos bancos de treinamento de IA e a entrega de um relatório detalhado de todas as infrações cometidas até agora.

José Guilherme
José Guilherme
José Guilherme é jornalista formado e apaixonado por boas histórias desde a infância. Atua na cobertura de cultura desde 2023, com foco em cinema, séries e animes. Entusiasta do audiovisual, também valoriza boas conversas tanto quanto grandes narrativas.

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