O quinto Pânico, lançado no início deste ano, foi um sucesso tão grande de crítica e bilheteria, que os produtores não perderam tempo e engatilharam rapidamente um sexto filme – atualmente em fase de gravações para a estreia em 2023. Com orçamento de US$24 milhões, Pânico 5 arrecadou mais de US$140 milhões mundiais, se tornando um dos filmes mais lucrativos de 2022. Os fãs não poderiam estar mais empolgados, e o anúncio das voltas de Courteney Cox e Neve Campbell veio à galope. O que veio à galope também foi a saída da protagonista Neve Campbell por motivo de divergências no cachê da atriz. Assim como Scarlett Johansson e seu probleminha com Viúva Negra na Disney Plus, Campbell resolveu tornar público seu entrave salarial no novo filme.

A situação delicada nos inspirou a criar essa nova matéria, que olha para o passado mostrando que a situação de Neve Campbell não é novidade em Hollywood. É claro que a coisa fica pior quando falamos de atrizes com ofertas de pagamento bem inferiores aos homens. Confira abaixo quem são os astros mais famosos de Hollywood a largarem uma grande produção por acharem que mereciam mais.

Neve Campbell

Começamos por ela que inspirou a lista. É reportado que Neve Campbell recebeu US$1.5 milhão na primeira vez em que interpretou Sidney lá em 1996, no primeiro Pânico. De lá pra cá, a cada volta seu cachê aumentava, passando de US$3.5 milhões no segundo, para US$4 milhões no terceiro, e seguindo para US$5 milhões no quarto e quinto filmes. O objetivo do quinto filme foi introduzir uma nova gama de personagens, como as irmãs interpretadas por Melissa Barrera e Jenna Ortega, e deixar os veteranos como coadjuvantes. Campbell pode até ter um papel menor no quinto filme, mas aparece o suficiente para fazer jus ao salário. Não sabemos exatamente o tamanho que sua participação teria no sexto, mas os produtores reduziram o pagamento da atriz para US$750 mil. Desta forma, a estrela da franquia resolveu ficar de fora.


[RUMOR] Neve Campbell renegociou com a Paramount para aparecer em ‘Pânico 6 e 7’

Terrence Howard

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Um dos casos recentes mais notórios foi o que envolve o ator indicado ao Oscar Terrence Howard e a Marvel. O ator esteve nos primórdios do MCU, atuando ao lado de Robert Downey Jr. no primeiro Homem de Ferro em 2008. Howard viveu o braço direito do protagonista, o coronel James Rhodes, que eventualmente se tornaria o herói Máquina de Combate – como o próprio diz numa cena do filme olhando para a armadura: “na próxima vez”. Acontece que não teve próxima vez para Howard. A questão é que na época do lançamento de Homem de Ferro, Howard vinha de uma indicação ao Oscar, e Downey estava em baixa devido aos problemas com a lei, sendo o filme a sua porta de entrada novamente ao estrelato. Assim, curiosamente, o protagonista recebeu “apenas” US$500 mil pelo primeiro filme, enquanto o colega coadjuvante, vindo de vários sucessos, teve um salário bem mais inflado, entre US$3.5 e US$4.5 milhões. Quando chegou a hora de tirar a continuação do papel em Homem de Ferro 2, o salário de Downey aumentou e Howard ficou a ver navios, sendo substituído sem cerimônia por Don Cheadle, que permanece até hoje no papel.

Tobey Maguire


Ainda bem que este caso não chegou às últimas consequências. Quando Tobey Maguire foi escolhido como o primeiro intérprete de Peter Parker nas telonas em Homem-Aranha, todos acharam que sua escalação havia sido perfeita. De fato, o ator realizou um excelente trabalho no blockbuster. Mas além de sua atuação, o filme do herói exigiu muito fisicamente do ator também, e ele constantemente reclamava de dores nas costas. Assim, quando foi a hora de assinar para a continuação, Maguire resolveu renegociar seu pagamento de US$4 milhões do primeiro filme, para algo perto do que a produtora Laura Ziskin havia recebido, mais ou menos US$30 milhões. A Sony por sua vez foi dura na negociação, e chegou muito perto de demitir Maguire do papel, e contratar Jake Gyllenhaal como o protagonista de Homem-Aranha 2 (2004). Já pensou? No fim das contas, Maguire ficou com um salário de US$17 milhões no segundo filme.

Sean Connery

O mundo de Hollywood sempre girou em torno de dinheiro, fama e glamour. E nem mesmo o maior espião do cinema teve sossego em relação a isso. Sean Connery já havia feito cinco filmes no papel de James Bond, quando começou a pressionar de verdade os produtores da EON Pictures por um salário que considerava mais justo. Afinal, os filmes de 007 eram um verdadeiro fenômeno, os verdadeiros blockbusters da época. Em seu quinto filme, Com 007 Só Se Vive Duas Vezes (1967), o ator recebeu o pagamento de US$750 mil. Assim, Connery fincou o pé e ameaçou sair da franquia caso não recebesse o valor que queria. Os produtores pagaram para ver o blefe do ator, que não era blefe, e Connery largou mesmo o papel, deixando a porta aberta para o “desastroso” episódio com o então modelo George LazenbyA Serviço Secreto de Sua Majestade (1969). Desesperados, os produtores correram atrás de Connery para o sétimo filme, e pagaram o valor de US$1.25 milhões para que retornasse em Os Diamantes são Eternos (1971).

Jodie Foster

O Silêncio dos Inocentes (1991) segue até hoje muito querido e considerado um dos melhores filmes de suspense de todos os tempos – Top 5 definitivamente. E grande parte do sucesso do longa se deve ao brilhante desempenho de Jodie Foster no papel principal, da agente novata do FBI, Clarice Starling. A atriz tinha 29 anos quando viveu a personagem e já era vencedora do Oscar – tendo sido honrada com a vitória dois anos antes, em 1989 por Acusados. Assim, a expectativa era grande em relação ao desempenho dela, e ela novamente não apenas foi indicada, como saiu vitoriosa na categoria de melhor atriz em pouquíssimo tempo. Os produtores viram a chance de tirar do papel a sequência do livro de Thomas Harris, intitulada Hannibal (2001). Tudo parecia estar no lugar e Foster se mostrava animada a retornar ao papel de Clarice. O primeiro filme custou US$19 milhões e arrecadou quase US$300 milhões ao redor do mundo. Assim, Jodie Foster achou que seria justo pedir por um salário de US$25 milhões para o seu retorno. Mas os produtores só estavam dispostos a pagar US$15 milhões. A atriz pulou fora e alegou descontentamento com o roteiro. A equipe então contratou Julianne Moore para substituí-la.


Bruce Willis

O astro Bruce Willis recentemente anunciou aposentadoria do cinema devido a uma doença que começa a afetar sua memória para decorar os textos. O ator, no entanto, nunca foi considerado um profissional fácil de se trabalhar, tendo criado atrito com alguns diretores (Michael Bay e Kevin Smith), além de precisar ser substituído às pressas num filme de Woody Allen (Café Society, 2016) por Steve Carell. A treta que iremos abordar aqui foi com o então colega Sylvester Stallone na franquia Os Mercenários. Brincadeira com os filmes de ação da década de 80, o primeiro filme trouxe Bruce Willis e Arnold Schwarzenegger em pequenas pontas numa cena. A sequência, de 2012, trouxe a dupla em papeis maiores, assim como uma participação do lendário Chuck Norris. Os protagonistas, no entanto, sempre sendo Stallone (o dono da franquia) e Jason Statham. Quando chegou a hora de aumentar ainda mais os papeis dos veteranos Arnold e Willis para o terceiro filme (de 2014), o astro de Duro de Matar exigiu US$1 milhão a mais dos US$3 milhões que a produção estava lhe oferecendo. E isso por apenas quatro dias de trabalho. Willis estava decidido a receber US$1 milhão por dia e não reconsiderou. Assim, Stallone o demitiu, contratou Harrison Ford para ocupar sua vaga, e ainda postou sua famosa alfinetada no Twitter: “Willis fora, Harrison Ford dentro! Ótimas notícias. Preguiçoso e ganancioso, uma receita certa para o fracasso na carreira”.

Crispin Glover

Essa, eu tenho certeza que passou em branco por toda a infância de muita gente, e só na fase adulta que muitos puderam perceber que Crispin Glover não estava nas continuações do clássico De Volta para o Futuro. Glover, é claro, interpretou George McFly, o pai do protagonista Marty McFly (Michael J. Fox). O rapaz volta no tempo acidentalmente e precisa fazer com que sua mãe se apaixone por seu pai para que ele e os irmãos possam nascer e não desapareçam da existência. George tem um papel importante no filme original de 1985, já que no início aparece maquiado para aparentar idade de ser o pai de J. Fox – os atores têm mais ou menos a mesma idade na vida real. É só quando o filme “volta no tempo” que Glover exibe sua verdadeira aparência e ganha destaque como um sujeito extremamente introvertido. O filme foi sensação, fez enorme sucesso e ainda guarda um lugar especial no coração de todo fã. Quatro anos depois as continuações foram lançadas, mas Glover exigia um salário maior percebendo sua importância na trama. Quando o ator e a Universal não chegaram em um acordo, a participação de George foi severamente modificada, e Glover foi demitido. No segundo filme, é um dublê o substituindo com muita maquiagem numa cena (em que ele está de cabeça para baixo – para dificultar ainda mais o “não reconhecimento” do substituto). E na realidade alternativa de 1985, George está morto. Já no terceiro filme, o casal de antepassados do velho oeste desta vez é formado pelo próprio J. Fox e a atriz Lea Thompson.

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