CARELL E CARREY FICAM PERDIDOS EM COMÉDIA COM UM BOM CONCEITO, MAS SEM GRAÇA

Lançado em março nos Estados Unidos, O Incrível Mágico Burt Wonderstone vinha com uma promessa feita por seu trailer, a de ser um dos filmes mais engraçados do ano. Tirando um sarro com o mundo dos mágicos e ilusionistas de Las Vegas, a sinopse apresenta artistas tradicionais sendo ameaçados pela modernidade performática em sua área profissional. Eram mostradas na prévia, gags e piadas para todos os lados, recheando a obra com um humor non-sense, mas hilário, que incluía personagens dormindo em carvão quente, segurando a urina por dias, e desaparecendo de forma mal ajambrada para debaixo de suas camas.

Só as caracterizações dos personagens são uma sacada a parte, muito bem boladas. Steve Carell é o personagem título, um menino hostilizado na infância, que descobre através da mágica um escape para o sucesso. A amizade com Anton, papel de Steve Buscemi, é mantida ao logo dos anos, e levada para o mundo profissional, quando os dois se tornam uma das atrações de maior sucesso em Las Vegas. A caricatura aqui é de Siegfried & Roy, dupla icônica da área. Só faltou mesmo um tigre branco.

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Dos figurinos exagerados, aos penteados ridículos, passando por um bronzeamento artificial forte e maquiagem que sugere inúmeras plásticas, a caracterização é por si só cômica e provoca risadas apenas por seu conceito. A ideia do roteiro é que a dupla principal tenha ficado parada no tempo, e que esse tipo de mágico involuntariamente tenha dado espaço para os chamados ilusionistas de rua, mais mundanos e com o aspecto do homem comum, ao contrário de uma estrela do rock. E aí entra o personagem de Jim Carrey, inspirado em artistas como Chriss Angel e David Blaine, que realizam seus truques na frente de todos, sem grandes aparatos.

No filme Carrey extrapola e faz truques insanos como os citados (dormir sobre carvão e segurar a urina por dias). Agora, a dupla considerada arcaica precisa dar lugar aos novos tempos e se adaptar ou serão para sempre extintos. O grande problema de O Incrível Mágico Burt Wonderstone é que não existe nada aqui além do trailer. O fato chama a atenção para o ótimo trabalho feito pela empresa responsável por montar a prévia, que reuniu os melhores momentos, e conseguiu vender uma obra sem muito a oferecer, de forma satisfatória.

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Nesse caso não acredito que tenha sido um problema mostrar as melhores piadas da comédia no trailer, porque mesmo os que não viram nenhuma das prévias provavelmente não acharão o filme atraente e satisfatório, da mesma forma. Assistindo ao filme percebemos que aqui só existe o design de personagens e situações, sem um desenvolvimento ou ligação que junte uma cena a outra fazendo-os funcionar como um filme. São apenas esquetes desmontados do geral. Em cenas de transição percebemos que muito do que é mostrado não faz sentido, como a cena de Carrey na festa do filho do personagem de James Gandolfini.

É curioso, no entanto, notar que há cerca de 10 anos, Jim Carrey estava no auge da popularidade, e Carell era seu coadjuvante em Todo Poderoso, um grande sucesso de público. Com o passar de uma década, Carrey pega um papel de coadjuvante para Carell, num filme muito menos lucrativo. Os dois estão bem, apesar do personagem de Carell, que é o protagonista, ser tão odioso e idiota, que muitas vezes acabamos torcendo pelo vilão de Carrey, ao menos mais carismático.

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A bela Olivia Wilde dá as caras, como “a garota”, uma personagem feminina mal desenvolvida, apenas pela chance de trabalhar num projeto de renome. Realmente não existe nada aqui, o que é uma pena. É apenas um conceito engraçado, e que poderia render um filme muito engraçado. O que aparenta é que os responsáveis simplesmente desistiram no meio do caminho, e esse fica parecendo um filme interminado, costurado às pressas e vendido. Soa exatamente como uma produção criada e regida por produtores de um grande estúdio. E o resultado é sentido nas telas.

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