Ser colocado numa caixinha e estereotipado pode ter suas vantagens. Até mesmo para um artista, como um diretor de cinema. Veja que maravilha fez para a carreira de gente como Alfred Hitchcock, considerado “o mestre do suspense”, Martin Scorsese, conhecido por seus dramas criminais de máfia, ou até mesmo Steven Spielberg, que sempre será lembrado por seus filmes família e aventuras de matinê. Em menor escala, mas seguindo nesta vertente, está o cineasta Roland Emmerich, que hoje clama o posto como um dos reis do cinema catástrofe de Hollywood.

Muitos podem querer acusar Roland Emmerich de fazer o mesmo filme repetidas vezes, mas a verdade é que o diretor está aí, até hoje empregado, produzindo filmes com grandes nomes no elenco, para os maiores estúdios de Hollywood, adentrando a quarta década de atividade. Quantos mais podem exibir tamanha constância? A carreira do diretor alemão é o que podemos descrever como uma história de sucesso.

Moonfall – Ameaça Lunar, seu mais recente filme, já está disponível para aluguel no Amazon Prime Video. Para celebrar essa tremenda destruição, decidimos recapitular todos os filmes de Roland Emmerich dentro do subgênero “cinema catástrofe”, ranqueando-os do pior ao melhor. Confira abaixo e não esqueça de comentar.

08) Independence Day: O Ressurgimento


Lançado dez anos depois do revolucionário Independence Day original, essa sequência deixou todos estupefatos com a sua existência. A questão é que um total de zero pessoas acreditava que o longa de 1996 precisava ter uma continuação. Mas numa Hollywood regida por sequências, e retornos de marcas pré-estabelecidas, a 20th Century Fox achou por bem revitalizar a marca, com o retorno de um dos filmes sobre invasão alienígena em larga escala definitivos do cinema moderno. Por bem ou por mal, O Ressurgimento marcou a primeira e única (até o momento) sequência da carreira de Emmerich. A principal barreira que esse segundo filme enfrentou foi a ausência do carisma do protagonista Will Smith. Até existiam planos para um eventual terceiro filme que, devido ao resultado, digamos, pobre deste segundo, foram varridos para debaixo dos panos.

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07) Godzilla

Antes de Hollywood saber o que fazer com o monstrão lagarto radioativo japonês, e da propriedade cair nas mãos da Warner (se estabelecendo num universo dividido de monstros com King Kong e outros), a primeira entrada da criatura em terras do tio Sam ocorria em 1998 pelas mãos da Columbia / Sony. E adivinha quem estava por trás do projeto? Nenhum outro senão o alemão Roland Emmerich. O diretor conseguiu a vaga no comando da produção graças ao primeiro Independence Day, sucesso estrondoso que havia sido lançado dois anos antes. Dessa forma, quando o estúdio viu a chance de apresentar Godzilla para uma audiência ocidental, o nome para a tarefa não podia ser outro além de Emmerich. Afinal, o sujeito já havia devastado o planeta com uma das invasões alienígenas mais convincentes da história do cinema. O que seria para ele trazer um bichão escamoso para detonar Nova York? Assim, com uma mega produção e uma das maiores campanhas de marketing para um filme na década de 90, Godzilla foi um das maiores produções do fim da década. Porém, tamanho investimento não se valeu, quando o longa resultou num fracasso de crítica e não atingiu seu potencial nas bilheterias. Hoje, quase 25 anos depois, o filme pode ser visto como item cult.

06) 10.000 AC


Tudo bem, este filme de 2008 não é necessariamente parte do subgênero cinema catástrofe. Trata-se de uma aventura envolvendo tribos de homens das cavernas, onde um protagonista precisa resgatar sua amada das garras de uma tribo rival – e para isso ele sai numa jornada repleta de perigos. De qualquer modo resolvemos incluir o longa na matéria, pois esta ainda é uma superprodução grandiosa, repleta de muitos efeitos especiais. A “catástrofe” aqui resume-se a ataques de tigres dentes-de-sabre, o estouro de uma manada de mamutes e todo tipo de perigo animal propício da pré-história. Ou seja, os perigos de sobrevivência do homem daquela época eram muitos sem precisar de nenhuma ameaça externa. Justamente por isso, 10.000 AC surge como ponto fora da curva na filmografia de Roland Emmerich, e sua qualidade de “documentário do National Geographic” pré-histórico o fizeram em pouco tempo cair no esquecimento.

05) Moonfall: Ameaça Lunar

Chegamos ao mais novo exemplar de cinema-catástrofe da carreira de Roland Emmerich. Como dito no início do texto, Moonfall é o grande lançamento deste primeiro fim de semana de fevereiro 2022. Voltando à velha forma, o diretor emplaca um novo filme de destruição com todos os elementos que fazem os fãs deste tipo de entretenimento vibrarem e optarem por assistir na maior tela de imersão possível. São entretenimentos como Moonfall que ainda seguram as salas de cinema, já que são equivalentes a simuladores de parques de diversão. Quem comanda a ação nas telas aqui é a vencedora do Oscar Halle Berry, como uma astronauta da NASA que é a única capaz de salvar nosso planeta da destruição iminente, após a lua sair de órbita e entrar de forma desgovernada em rota de colisão com a Terra.

04) 2012

Curiosamente, 2012 não foi lançado… bem, em 2012. E sim estreou nos cinemas em 2009. Seja como for, esse é outro filme tipicamente do cinema-catástrofe – daqueles que são tão repletos das conveniências e clichês do gênero, que muitas vezes terminam parecendo uma paródia. E se Moonfall traz a lua para cair na nossa cabeça, 2012 foi mais simples e direto. A ideia por trás da destruição em massa aqui é: o calendário Maia disse que o fim do mundo seria em 2012 e é verdade. Tudo começa a acabar porque começa. E nós que lutemos para sobreviver. Afinal, para que complicar muito, não é mesmo? No meio desse cataclismo figuras como John Cusack, Woody Harrelson, Thandie Newton e Danny Glover vivendo o segundo presidente negro de filmes assim (o primeiro sendo Morgan Freeman em Impacto Profundo) tentam encontrar uma forma de se salvarem. Como sempre, 2012 foi prezado por seus efeitos, mesmo que a história em si e os dramas dos personagens não importem muito.


03) Midway: Batalha em Alto Mar

Tudo bem, tudo bem. Já sabemos. Essa é a segunda trapaceada da lista. Assim como 10.000 AC, este não é exatamente um filme catástrofe. É um filme de guerra. Por outro lado, podemos argumentar que a guerra não deixa de ser a maior das catástrofes humanas. A batalha de Midway foi um momento marcante durante a Segunda Guerra Mundial, seis meses após os ataques a Pearl Harbor. Aeronaves norte-americanas e japonesas travaram uma batalha nos céus e tais relatos já haviam sido transformados em uma superprodução de Hollywood. Uma das obras mais famosas foi lançada em 1976, e trazia no elenco nomes da época como Charlton Heston, Henry Fonda e Robert Mitchum. Sendo um especialista em filmes de larga escala, efeitos grandiosos, muita destruição e explosão, Roland Emmerich se sentiu em casa ao aceitar o projeto como seu próximo trabalho. Assim o diretor deu sua própria versão de Midway, o filme que lançou em 2019, antes do recente Moonfall.

02) O Dia Depois de Amanhã

Até agora na lista, por mais que gostemos dos filmes de Roland Emmerich, precisamos reconhecer que muitos críticos e parte do público torcem o nariz para seus exageros cinematográficos banhados a muita pirotecnia. Ou seja, até agora na lista os filmes apresentados possuem seus defensores, mas igualmente possuem muitos detratores. Ao chegarmos na segunda posição a coisa muda um pouco de figura. Os dois primeiros itens da matéria são os mais unânimes da carreira de Roland Emmerich, e os filmes que a maioria concorda que são os melhores em sua filmografia. De fato, muitos ainda irão apontar para este item aqui, que colocamos em segundo, como o MELHOR filme do diretor. Em partes podemos concordar. O Dia Depois de Amanhã, lançado em 2004, não criou muita expectativa, por já naquela época este tipo de filme se encontrar “manjado”, em especial pelo seu diretor. Mas foi só o longa estrear para percebermos que era verdadeiramente bom, dono de boas atuações e personagens com quem verdadeiramente nos importávamos. E num filme assim, é preciso ter bons personagens. O filme acabou nos convencendo e desde então não saiu mais do gosto e do imaginário popular como um dos melhores representantes do subgênero. Ah sim, na história, devido ao aquecimento global, o clima do planeta fica louco e tudo começa a congelar. Como são as coisas, O Dia Depois de Amanhã talvez esteja mais atual hoje do que na época de seu lançamento.

01) Independence Day


Se olharmos mais friamente, O Dia Depois de Amanhã talvez seja realmente um filme melhor. Mas não tem jeito. É impossível separar um filme de seu contexto e de sua época de lançamento. Sendo assim, Independence Day foi muito mais importante e revolucionário para os blockbusters, do que O Dia Depois de Amanhã – este último lançado numa época em que filmes assim já era muito comuns e estavam banalizados. Acredite ou não, mas Independence Day fez parte do movimento dos filmes de entretenimento que colocaram o cinema blockbuster no patamar que ele se encontra hoje. Então, se você pode curtir seu filme preferido da Marvel a cada fim de semana, ou os super-heróis da DC, saiba que isso é graças, em partes, ao Independence Day original, de 1996. É verdade que os blockbusters surgiram na década de 80 (ou melhor, ficaram estabelecidos). Mas foi na década de 90 que eles deram um passo maior em termos de qualidade técnica. Pois foi no período que o chamado CGI (efeitos especiais gerados por computadores) foi implementado, com o filme O Exterminador do Futuro 2. Depois seguiram Jurassic Park (1993), O Máskara (1994) e Twister (1996), por exemplo. Independence Day veio nessa esteira e ainda de quebra mostrou como nunca anteriormente como poderia ser um filme de invasão alienígena em larga escala com a tecnologia que se tinha em mãos na época. Fazendo o público vibrar, sem acreditar no que estava vendo. Um verdadeiro fenômeno.

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