2019 está chegando ao fim e, como é de costume, o CinePOP já começou a separar algumas listas com as melhores e piores investidas artística do ano – e, felizmente, a indústria fonográfica teve um grande destaque por alguns dos melhores álbuns da década, reinvenções de gênero, produções impecáveis (e algumas canções que ficarão para as eras).

Dentre as grandes surpresas, Lana Del Rey é, de fato, a que mais nos chama a atenção: depois de ser duramente criticada no começo de sua carreira, a artista retornou aos holofotes com o incrível Norman Fucking Rockwell!’, que foi indicado à categoria de Álbum do Ano na próxima edição do Grammy Awards e é o favorito para levar a estatueta.

LizzoBillie Eilish também roubaram nossos corações com suas incríveis habilidades artísticas, lançando os aclamados Cuz I Love YouWhen We All Fall Asleep, Where Do We Go?’, respectivamente, faturando inúmeras nomeações para 2020. E, como sempre, alguns nomes que passaram longe do radar foram relembrados na nossa singela lista – incluindo a banda Of Monsters and Men, a sensação Sabrina Carpenter e a aplaudível Tove Lo.



Confira abaixo nossas escolhas e conte para nós qual foi o seu álbum favorito de 2019!

10. FEVER DREAM

Of Monsters and Men sempre teve uma habilidade precisa de aglutinar diversos suis-generis em um único lugar, buscando uma expressividade ímpar que resultou no sucesso que faz hoje – e esperamos que continue fazendo. Porém, ainda que o time criativo atire para vários lugares em uma missão interminável de inferências e referências (Björk, por exemplo, é drenada para dar vida a alguns dos singles mais famosos do grupo), suas escolhas pontuais falam mais alto do que qualquer coisa. Nessa compreensão abrangente, “Wars” ganha uma dimensão muito maior do que promete, seja pelo lirismo teatral de suas sutis declarações, seja pelo abuso envolvente do chamber pop e todos os elementos nostálgicos que nos transportam de volta para os anos 1960 e 1970.” – Thiago Nolla

9. SUNSHINE KITTY

“‘Sunshine Kitty não é apenas sagaz o suficiente para entrelaçar o novo e o antigo, mas também bombardeia os ouvintes com um incontrito electro-dance que viaja pelas décadas de 1980, 1990 e 2000 sem se importar em reverenciar essas três épocas das formas mais inesperadas possíveis. Nesse território, a artista partilha de seus esforços com Jax Jones na sensual e mística “Jacques”, traça uma colaboração abrasileirada com o funkeiro Mc Zaac em uma interessante soturnidade que nos rouba a atenção do começo ao fim na track “Are U Gonna Tell Her?” (com harmonizações surpreendentes) e cria um estilo movido puramente pelos sintetizadores e por um ambience-pop ao lado da lendária Kylie Minogue em “Really Don’t Like U” – que, sem sombra de dúvidas, configura-se como um dos ápices do álbum.” – Thiago Nolla

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8. SINGULAR: ACT II

“Analisar as composições de Carpenter é sempre um trabalho interessante, mesmo que não seja fácil (por assim dizer): a jovem artista tem uma capacidade única de não deixar que o escopo instrumental tire o protagonismo de seus vocais – e é justamente o que faz tanto na primeira track quanto no trap “Pushing 20”. É um fato dizer que a composição toma emprestado construções predecessoras (vide “OMG”, de Camila Cabello e Quavo), porém, se afastando do gênero que ganhou os holofotes dos últimos anos, a segunda parte do refrão explode inesperadamente com auxílio da bateria e do teclado eletrônicos, além de deixar bem claro que a singer não veio para brincar e está pronta para explorar novos territórios.” – Thiago Nolla

7. CHARLI

“Seu avant-pop não se restringe apenas ao que poderíamos esperar, mas expande-se para uma deliciosa batida mais dark, minimalista e retumbante em iterações como “Gone”, uma das poucas em que reflete sua envolvente performance-solo. Essa ambiência mais obscura também aparece na track seguinte, “Cross You Out”, cujas dissonâncias entram em proposital conflito com as variações vocais – em especial o incrível falsetto que ela nos apresenta. Como se não bastasse, Sky Ferreira divide os holofotes com Charli em uma congruência melódica apaixonante.” – Thiago Nolla

6. TURN OFF THE LIGHT (VOL. 1 & 2)



“É certo dizer que, para os ouvintes acostumados a sonoridades mais convencionais e comerciais, o EP insurge como uma obrigatória dissonância que se vale muito mais do ecletismo oscilante do industrial pop do que dos acordes eletrônicos aos quais já nos deparamos. Em cada uma das faixar, a cantora imprime um inebriante escopo que se apoia na épica narrativa antes de se render completamente a uma gritante mixórdia de sons que envolve seu público do começo ao fim – isso sem falar que os títulos fazem claras (ou não tão claras assim) alusões a ambientações espirituais, a breves contos de terror e à total falta de esperança por parte de quem canta.” – Thiago Nolla

5. WHEN WE ALL FALL ASLEEP, WHERE DO WE GO?

“A obra ganha notoriedade já com a primeira canção completa, “bad guy”. A batida bem demarcada é acompanhada pela entrega pausada e propositalmente cansada da lead singer que nos arremessa de volta para o uma atmosfera neo-noir e misteriosa. É claro que a imensa catarse causada pela música não abre margens para clichês sonoros – e é por isso que o grave baixo nos guia de modo retumbante até o refrão, onde criações imaginativas dos primórdios do synth-pop nos aguardam com paciência. A prosódia epopeica funciona como um hino trap sensual e fluido, aumentando nossas expectativas para as próximas iterações.” – Thiago Nolla

4. CUZ I LOVE YOU

“A grande ideia do álbum é fornecer aos fãs e aos ouvintes em geral uma perspectiva repaginada, ainda mais num momento tão mercadológico da música quanto este em que vivemos. Desde sempre, o hibridismo de gêneros foi acatado por artistas revolucionários dessa imortal indústria, e até seus suis-generis mais inovadores adquiriram um patamar mainstreamLizzo, por sua vez, não se contenta ao que vem se fazendo, mas ao que poderia estar sendo feito, e é aqui que a delineação refrescante de “Truth Hurts” nos chama a atenção, desconstruindo o trap, o synth-pop e até mesmo o rap em prol de uma reconstituição extremamente sagaz.” – Thiago Nolla

3. HOMECOMING: THE LIVE ALBUM



“E dentro desse contexto, a ideia do concerto Homecoming vai ganhando forma, se revelando como um show que de fato vai além do entretenimento. Com uma super produção que vai dos paetês dos figurinos ao equipamento de suspensão da cantora, o espetáculo fala sobre o poder da negritude, dentro e fora do campus, e se apresenta como uma celebração de ex-alunos, festejando a liberdade artística de dançarinos e músicos que exploram sua arte da forma mais autêntica possível. Se reconhecendo como alguém que possui uma responsabilidade social, Beyoncé faz do show a oportunidade de valorizar talentos desconhecidos, exalando representatividade a plenos pulmões.” – Rafaela Gomes

2. NORMAN FUCKING ROCKWELL!

“Apesar de sua costumeira doce sonoridade, Lana Del Rey vive dentro de belíssimas e sofridas contradições que, diferente do que poderíamos pensar, é o principal aspecto que sempre nos rouba a atenção quando anuncia uma peça musical nova ou um álbum em potencial. E é claro que, dois anos depois do lançamento de Lust for Life, ela retornaria com mais uma obra conceitual e nostálgica, sem perder sua originalidade e sua incrível habilidade como compositora. Nesse escopo, a parceria entre Del Rey e Jack Antonoff intitulada Norman Fucking Rockwell!’ acerta em praticamente tudo a que se propõe a fazer – incluindo desenhar uma triste jornada amorosa que se desenvolve em mais de uma hora de duração.” – Thiago Nolla

1. TITANIC RISING

“Weyes vinha trabalhando no CD desde 2017, logo após ter assinado contrato com a gravadora Sub Pop e se reunir com Jonathan Rado. Não demorou muito para que ela abrisse espaço para homenagear um dos filmes que mais impactaram em sua vida, Titanic, dirigido por James Cameron em 1997 – ora, não é à toa que o título seja homenagem ao gigantesco transatlântico e premedite e tragédia que acometeu o navio em pleno oceano Atlântico. É a partir dessas concepções que “A Lot’s Gonna Change” dá o tom dessa perifrástica aventura, invadindo as ideias memorialísticas e saudosistas de um tempo que não mais irá voltar – como também nos abraça numa narcótica necessidade de compreender a misteriosa atmosfera setentista da qual ela se vale.” – Thiago Nolla


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