Hoje, no último dia de 2021, trazemos para você uma matéria muito especial. Como sabemos, 2021 foi a parte 2 do fatídico ano de 2020 – o ano que não aconteceu. Mas não uma parte 2 qualquer. 2021 foi para 2020 o que O Exterminador do Futuro 2 foi para o seu original; ou o que Aliens – O Resgate foi para o primeiro Alien (acho que chega de citações a James Cameron – embora estejamos torcendo para que Avatar 2 se junte a esta seleta lista). Já deu para pescar por estas referências aonde queremos chegar. Isso mesmo, sequências que são melhores que seus originais. Assim foi 2021, um ano que se “manteve fiel ao seu original, porém, o elevou a outro patamar”. Leia-se, vacinas que nos aproximaram à normalidade de uma era pré-pandemia.

Neste penúltimo dia de 2021, a matéria selecionada para fechar o ano com chave de ouro não poderia ser outra do que uma voltada a um gênero que não apenas amamos, como também foi responsável pela criação do site CinePOP: o terror. Mas não apenas uma matéria, e assim como no recente Duna, nos inspiramos em Villeneuve para gerar uma matéria em duas partes. Em 2021, recebemos inúmeros filmes de terror de qualidade, que foram responsáveis pela empolgação dos fãs. E como de costume também, o ano nos trouxe algumas produções desagradáveis, no pior sentido da palavra, que serão garantia de chacota por um bom tempo. Nessa matéria dupla iremos apresentar o que de melhor e pior o ano nos trouxe no gênero terror. E aqui continuaremos, agora com o ponto alto, com os 10 melhores filmes de terror de 2021. Confira e não deixe de comentar.

10) Espíritos Obscuros

Um dos filmes adiados de 2020 para 2021 por motivo do coronavírus, esse longa trazia a curiosidade da direção do prestigiado Scott Cooper, responsável pelos elogiados Coração Louco (2009) e Aliança do Crime (2015). É sempre interessante ver cineastas acostumados com produções em larga escala se voltarem para um gênero mais intimista como o terror. O tema escolhido pelo diretor para sua estreia em um projeto assustador foi a lenda do folclore norte-americano, o Wengido, uma criatura mitológica propagada pelos nativos indígenas. Na trama, Keri Russell e Jesse Plemons são irmãos em uma cidadezinha. Ela, uma professora que desconfia que um de seus alunos esteja escondendo um terrível segredo, e ele, o xerife da cidade.



09) Maligno

É curioso como algumas produções tem a capacidade de subverter nossas expectativas, seja positivamente ou negativamente. Veja por exemplo o caso com Invocação do Mal 3, anunciado como “a” obra mais aguardada do gênero para 2021, graças ao impacto que os dois filmes anteriores tiveram no público. Mas o terceiro filme terminou morrendo na praia e obteve um resultado morno. Quem teve melhor sorte foi mesmo este Maligno, produção do diretor dos Invocação do Mal originais, James Wan. Aqui, o cineasta pôde voltar livre, leve e solto, sem qualquer amarra com o “Invocaverso”, para homenagear um dos subgêneros do terror mais subestimados ou desconhecidos: os giallo italianos. Wan cria um filme belo esteticamente e tão insano em sua trama que não podemos deixar de adorá-lo.

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08) Céu Vermelho Sangue

É verdade que as produções da Netflix vira e mexe deixam os espectadores com um gostinho amargo na boca. Mas o fato não é uma regra e volta e meia o streaming lança uma obra que cai forte no gosto popular. Esse é o caso com essa criativa obra alemã, que ousa misturar de forma muito satisfatória os subgêneros dos thrillers passados em aviões – com um grupo terrorista tomando controle de uma aeronave – com filmes de vampiro – o que os criminosos não contavam era que a bordo estivesse uma mulher que guarda um terrível segredo sobre sua verdadeira identidade; e fará de tudo para proteger seu pequeno filho. É preciso lembrar também que tais filmes não são unânimes, e muitos podem discordar de suas posições na lista, e até mesmo de sua inclusão. Mas a seleção foi feita em base com suas avaliações da crítica, no Rotten Tomatoes, e do público, no IMDB.



07) A Lenda de Candyman

Quando no início dos anos 1990, os filmes de terror precisavam de um novo ícone para chamar de seu – numa época fraca para a criação de novos símbolos do gênero – realizadores recorreram a um teor mais representativo, que falaria sobre problemas sociais maquiados como o novo “bicho papão” da praça. Depois de duas continuações que não fizeram jus ao original, o Candyman terminou “esquecido”. Isto é, até ser resgatado do “limbo” para os novos tempos. E não poderia ter tido um “padrinho” mais adequado do que Jordan Peele, o rei do horror social. O Candyman retornou em grande estilo, embora muitos possam ter ficado surpresos ao perceberam que o filme não era muito bem o que esperavam. Mas nós adoramos isso.

06) Rua do Medo: 1994 – Parte 1

Sabe o que foi dito itens acima sobre a Netflix? Saiba que em 2021, a plataforma marcou não apenas um, mas alguns golaços dentro do gênero do terror. Em matéria de minisséries, todos os elogios do ano foram para Missa da Meia Noite, uma pequena grande pérola do estúdio. Mas a Netflix não parou por aí, e planejou com sucesso uma adaptação barra-pesada dos livros juvenis do autor R.L. Stine, o mesmo de Goosebumps. Grande parte dos créditos devem ir para a diretora Leigh Janiak, que comandou não apenas um longa, mas toda a trilogia. A começar por este 1994, que foi uma grande homenagem aos slasher, em especial Pânico (1996).

05) Noite Passada em Soho

Por falar em ícones do gênero como os filmes giallo, o estilo de terror recebeu não uma, mas duas grandes homenagens em produções de prestígio em 2021. Depois de James Wan e seu Maligno, foi a vez de Edgar Wright atacar com este Noite Passada em Soho, sobre uma jovem fascinada por moda e pela Londres da década de 1960. A história do “muito cuidado com o que você deseja” entra em cena quando ela se vê no meio de um estranho evento que a permite “voltar ao passado” e viver a época através dos olhos de uma jovem da época. De quebra Wright ainda conseguiu juntar em cena os talentos de Anya Taylor-Joy e Thomasin McKenzie.

04) A Casa Sombria



Tendo feito sua estreia em janeiro de 2020 no Festival de Sundance, este foi outro filme que viu sua distribuição em circuito ocorrer a partir de 2021. Terror minimalista, A Casa Sombria despertou falatório e rendeu elogios em sua trajetória, o que garantiu seu lançamento nos cinemas também aqui no Brasil este ano. Protagonizado pela talentosa e subestimada Rebecca Hall (Vicky Cristina Barcelona), a atriz interpreta uma mulher descobrindo os terríveis segredos de seu marido, após sua morte, na casa que herdou dele.

03) Rua do Medo: 1978 – Parte 2

Ainda mais abraçado pelos críticos e pelo público, o segundo Rua do Medo “brinca” desta vez com os filmes de terror de acampamento, popularizados pela franquia Sexta-Feira 13. Além disso, a data escolhida para o título do segundo longa, novamente dirigido pela talentosa Leigh Janiak – que certamente ganhou muitos pontos em sua cotação em Hollywood – faz referência ao maior clássico slasher do cinema, Halloween, de John Carpenter. No elenco, a prata da casa da Netflix, a ruivinha Sadie Sink, a Max de Stranger Things.

02) Rua do Medo: 1666 – Parte 3

Apesar de homenagear muito o subgênero do slasher em seus dois primeiros filmes, sejam eles dos anos 70, 90 ou os de acampamento, em sua essência Rua do Medo é uma história de bruxas, sobre a maldição de uma pequena cidade e seus eventos sobrenaturais. Assim, a grande conclusão não poderia ser de outra forma. A bruxa Sarah Fier sempre foi o subtexto da trilogia e em sua conclusão, a trama volta justamente ao passado, para mostrar a maldição envolvendo a personagem desde sua origem. Muitos compararam ao neoclássico A Bruxa (2015), mas a verdade é que o terceiro Rua do Medo discute temas modernos e muito em voga, como a aceitação e a tolerância da sexualidade e de gênero – já que Sarah é tratada como bruxa, simplesmente por ser lésbica no século XVI.


01) Um Lugar Silencioso – Parte 2

Pegando a medalha de ouro como o filme de terror mais elogiado por crítica e público em 2021, a continuação de Um Lugar Silencioso rendeu um filme igualmente prestigiado e querido. Esse foi um dos longas que mais sofreu com a pandemia do coronavírus e também um em que os realizadores pensaram mais rápido na hora de enfrentarem o fechamento dos cinemas. Enquanto produções alheias como Bloodshot decidiram peitar a pandemia, estreando um filme quando tudo estava fechando, Um Lugar Silencioso – Parte 2 optou por adiar seu lançamento, mesmo após já ter realizado uma sessão de pré-estreia, exibições para a imprensa e até mesmo entrevistas com jornalistas para a divulgação. Emily Blunt retorna e o maridão John Krasinski desta vez assume apenas a função de diretor. Este é um caso onde podemos dizer que a espera valeu a pena.

Bônus:

Além destes citados acima, outras produções chamaram muita atenção dentro do gênero. A principal delas é a francesa Titane, sucesso no festival de Cannes deste ano. Trata-se do novo filme de Julia Ducournau, do visceral Raw (2016). Igualmente perturbador, o longa aborda a relação “homem-máquina” de uma forma inusitada, quando uma jovem após sofrer um terrível acidente recebe em seu corpo partes de metal, iniciando assim uma estranha relação com objetos mecânicos e maquinários, como carros. Apesar de ter feito sucesso por circuitos onde passou, o filme deve estrear oficialmente no Brasil em 2022.

Além de Titane, outro que recebeu elogios foi Lamb, filme perturbador da A24 que igualmente deverá aportar por aqui no próximo ano. Conhecido como o filme no qual Noomi Rapace adota uma criança com cabeça de cordeiro, depois da expectativa de sua estreia, o longa foi sendo definido mais como um drama do que com um filme de terror – apesar de sua imensa qualidade angustiante e perturbadora.

Finalizando os filmes elogiados que se utilizam do gênero terror em sua narrativa, Um Lobo Entre Nós é o “terrir” mais elogiado de 2021. O filme, no entanto, funciona mais no estilo de paródia e sátira do que de terror em si. Baseado num videogame, o longa conta sobre um novo xerife chegando a uma cidadezinha e tendo que encarar uma série de crimes, que muitos estão associando a eventos sobrenaturais. O filme é quase uma nova versão de Chumbo Grosso (2007), trocando as ameaças e a ação desenfreada.

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