Hoje, a indústria de Hollywood funciona basicamente em cima de marcas pré-estabelecidas. O público quer familiaridade. Por este motivo, entra ano e sai ano, ganhamos as inúmeras continuações, remakes e reboots. Sucessos do passado continuam a cativar os espectadores, é o que apontam inúmeras pesquisas e estudos. Com isso, é notório o fato de que a criatividade se esvai, já que produtos originais são cada vez mais raros. Reparem que eu disse raros, porque graças a Deus ainda não estão escassos de vez. Sim, ainda existe originalidade – é só saber procurar.

Voltando um pouco no tempo, para mais uma matéria nostálgica, viajamos no passado para a querida década de 80. Como todos sabem, foi nela que os chamados blockbusters se estabeleceram. E para todos os efeitos, foi nela também que uma onda de “reciclagem” tomava Hollywood, desmotivando os mais alarmistas. O grande diretor Quentin Tarantino, por exemplo, cita os anos 80 como a pior década para o cinema. O que o cineasta quer dizer com isso é que foi um período onde as franquias e as continuações reinavam como nunca anteriormente. Porém, algumas produções resistiram bravamente, mesmo sendo filmes de entretenimento escapista, se recusaram a se tornar uma franquia.

Bom, melhor explicar com calma. Acontece que para um filme de fato gerar uma continuação ele precisa ter feito sucesso financeiro. Os que não tiveram sequência, por maior clamor que os fãs tenham feito, se deve unicamente por não atingirem a quantia esperada em retorno de bilheteira. Hoje, definitivamente tudo o que faz sucesso irá gerar continuação, mesmo que a história não peça. Nos anos 80, ainda existia certa resistência. E é essa a proposta desta matéria: relembrar com você os filmes que fizeram enorme sucesso nos anos 80, mas que por algum motivo não ganharam uma sequência. Confira e comente.

E.T. – O Extraterrestre (1982)



Quando falamos em filmes bem sucedidos da década de 80 que não tiveram continuação, um dos primeiros que vem à mente é o clássico atemporal de Steven Spielberg. Um dos primeiros blockbusters da história, o filme sobre uma criaturinha espacial bem peculiar, ficando perdida na Terra e sendo acolhido por um grupo de crianças é definitivamente um dos filmes mais famosos da história do cinema. O mais curioso, no entanto, é saber que E.T. por muito pouco não teve uma continuação. O criador Spielberg de fato pensou em dar uma nova aventura para o pequeno alienígena pescoçudo. Porém, esse segundo filme não seria tão bonitinho quanto o original, e teria um clima mais voltado para elementos de terror! Isso mesmo! Já pensou? A trama mostraria o E.T. voltando à Terra e pedindo ajuda de seus amigos humanos para combater uma ameaça de outras criaturas espaciais bem assustadoras. Será que essa ideia teria funcionado?

Os Goonies (1985)

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Talvez ainda mais sedento por uma continuação que E.T., os fãs da aventura juvenil dirigida por Richard Donner e produzida pelo mesmo Steve Spielberg, há décadas fantasiam sobre uma continuação para Os Goonies. A diferença é que enquanto E.T. não pedia necessariamente por uma continuação, em Os Goonies era perfeitamente cabível novas aventuras da turminha de amigos especialistas em arrumar encrenca, derrotar bandidos e fugir de armadilhas em túneis subterrâneos. Na época de seu lançamento, muitos críticos compararam essa aventura como uma versão mirim de Indiana Jones – que teve duas continuações nos anos 80. Os Goonies não apenas pedia por uma continuação, o filme “gritava” por uma. Mas de alguma maneira isso nunca aconteceu. Essa promessa continua no imaginário de todos, mas nada de concreto existe realmente. Ainda mais agora que o diretor Richard Donner faleceu recentemente…

Curtindo a Vida Adoidado (1986)



Talvez ao lado de Os Goonies, este filme de John Hughes sobre um adolescente muito malandro e matador de aulas seja um dos filmes juvenis sobre crianças e adolescentes mais queridos e cultuados dos anos 80. Ao contrário do item acima, porém, Ferris Bueller não necessariamente pede uma continuação. Mas o fato é: o filme fez um baita sucesso, o que lhe daria todo o aval para ganhar uma sequência. Sendo um filme de John Hughes, que nunca continuava suas histórias, está aí a explicação do porque a vida não seguiu sendo adoidada para Ferris, sua namorada e seu melhor amigo. O trio poderia ter saído de férias na continuação, por exemplo. O que ele gerou foi uma série de TV derivada, que não vingou e foi cancelada com 13 episódios de sua primeira temporada em 1990. De mais memorável nisso é a presença de Jennifer Aniston antes de estrelar Friends. Seria legal ver Ferris mais velho, ainda nas formas de Matthew Broderick, trabalhando agora como diretor de um colégio e precisando lidar com os novos espertinhos.

Uma Cilada para Roger Rabbit (1988)

Um verdadeiro marco da animação e dos efeitos visuais, ao mesclar atores reais com personagens imaginários, esta produção de Steven Spielberg com direção de Robert Zemeckis é um caso de estudo. Isso porque o que o longa conseguiu conquistar é algo sem precedentes e que talvez nunca mais se repita. O estúdio responsável (a Touchstone, subsidiária da Disney) conseguiu os direitos de personagens de propriedade da Warner e da Universal (como os Looney Tunes e o Pica-Pau), além de outras propriedades clássicas, para juntar todos em um único filme. Hoje, seria algo como ter todos estes colossos de Hollywood (Universal, Warner e Disney) trabalhando juntos para fazer um filme. Seja como for, ainda existe rumor, mesmo que remoto, sobre fazer uma sequência.

Beetlejuice (1988)

Conhecido como Os Fantasmas se Divertem no Brasil, esse foi o primeiro sucesso da carreira do diretor Tim Burton, então um animador dos estúdios Disney. O filme com elementos sobrenaturais e terror de mentirinha, é a pedida perfeita para o halloween, misturando também muitos elementos de comédia. Embora tenha feito sucesso e seja extremamente cultuado até hoje, tendo inclusive gerado uma série animada alguns anos depois, Beetlejuice serviu para abrir portas na carreira de Burton, que seguiria para seu projeto divisor de águas e mais ambicioso então: o comando de uma superprodução astronômica e uma das maiores apostas da Warner de todos os tempos: Batman (1989). Assim, Burton foi alçando cada vez voos mais altos em sua filmografia e aquele pequeno filme sobre assombrações excêntricas foi ficando cada vez mais distante em seu passado. Nos últimos anos a intenção por uma sequência foi pulsando cada vez mais alto, e com a estreia de uma peça na Broadway celebrando a história, os esforços para tirar essa continuação do papel são cada vez mais reais.

Flashdance (1983)

Na década de 1980, inúmeros filmes com propostas musicais e dançantes fizeram muito sucesso, marcando assim não somente a década, mas também a história de Hollywood. É claro que isso era reflexo do gênero musical, que na era de ouro da indústria era o tipo de filme mais produzido, despertando paixões dos espectadores em verdadeiros espetáculos nas telonas. Eram os blockbusters da época. Com um estilo narrativo mais real, os musicais precisaram se adaptar aos novos tempos, e assim surgiam obras como Os Embalos de Sábado à Noite e Grease – Nos Tempos da Brilhantina, ambos do final dos anos 70 e estrelados por John Travolta. Na década seguinte, era a vez de filmes como Flashdance, Footloose e Dirty Dancing fazerem barulho, com suas trilhas sonoras inesquecíveis. Os filmes citados de Travolta realmente tiveram suas continuações, embora tenham se tornado obscuras. Mas pensando por essa forma, o sucesso de Flashdance, por exemplo, que revelou a bela Jennifer Beals, e falava sobre uma dançarina noturna, trabalhando durante o dia como uma soldadora, dono de um discurso de emporamento feminino bem à frente de seu tempo, igualmente poderia ter rendido mais um filme – com a protagonista agora bem estabelecida profissionalmente.



Footloose (1984)

Footloose é companhia indispensável de Flashdance quando falamos em “musicais modernos” dos anos 80, cujas trilhas sonoras embalaram todas as festinhas da época. Ao contrário de Flashdance, que até possui uma carga mais dramática, sobre uma mulher batalhadora, tentando vencer num mundo machista, Footloose é mais descontraidão e juvenil. A trama apresenta o rebelde Ren (Kevin Bacon), que se muda com sua mãe para uma nova cidade. Lançado no mesmo ano de Karatê Kid, este filme guarda semelhanças em sua trama, mas ao invés do protagonista sofrer bullying e procurar uma academia de luta, seus duelos serão travados através da dança (além, é claro, de uma eventual disputa de tratores). O problema é que a cidade baniu a dança e a música, após uma tragédia tirar a vida de alguns jovens do local num acidente de carro. Tudo bem, nada em Footloose pede por uma continuação, mas nem Karatê Kid pedia e mesmo assim, devido ao seu sucesso, ganharia pelo menos duas nos anos 80. E bem, Footloose também fez sucesso. Ao contrário, o filme ganharia uma refilmagem – que está fazendo 10 anos de lançada em 2021.

Uma Dupla Quase Perfeita (1989)

Sim, esse é o filme com Tom Hanks e um cachorro babão. Precisamos levar em conta que em 1989, o astro Tom Hanks não possuía o status que tem hoje – de um renomado artista dramático. Nessa época, Hanks era mais conhecido pelos filmes de comédia leves que protagonizava. Tudo bem, é verdade que aqui ele já havia inclusive sido indicado ao Oscar, mas foi por Quero Ser Grande (1988), uma comédia juvenil e despretensiosa. No mesmo ano de 1989, outro filme popular com um cachorro policial era lançado. Trata-se de K-9: Um Policial Bom para Cachorro, da Universal Pictures, estrelado por James Belushi – que na época era um ator equivalente a Hanks. Uma Dupla Quase Perfeita, da Disney, trazia Hanks como policial também, mas ao contrário de K-9, este longa nunca teria uma sequência. Isto é, até ser transformado em série de TV na Disney+, agora com Josh Peck no papel que foi do eterno Forrest Gump.

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