Assistir às superproduções do momento é o que alimenta grande parte do mundo do cinema, e sem dúvida traduz com perfeição a frase: “cinema é a maior diversão”. Mas cinema pode ser, e é muito mais. Cinema são atores. Afinal, o que seria dos filmes sem eles. Justamente por isso, devemos celebrar estes artistas que são grande parte do feito que vemos nas telas. A sétima arte é constituída de uma verdadeira constelação. Muitas já nos deixaram para brilhar na eternidade. Das que ainda estão presentes, Emma Thompson sem dúvida é uma das maiores.

A estrela britânica indicada cinco vezes ao Oscar (das cinco, duas em 1994 e duas em 1996) e vencedora de dois, tem 37 anos de carreira, 84 créditos como atriz e 14 como roteirista. Em plena forma e sem planos de aposentadoria, em vias de completar 60 anos de idade em abril, Emma Thompson lança nos cinemas brasileiros Um Ato de Esperança – drama baseado numa obra literária, na qual interpreta uma juíza trabalhando em casos relacionados a crianças, medicina e religião. Como sempre, seu talento fala mais alto. Pensando nisso, o CinePOP resolveu homenagear esta grande mulher do cinema, cuja presença e renome impõe mais respeito do que qualquer um dos Vingadores, selecionando alguns de seus trabalhos mais marcantes. Vem conhecer.

Crítica | Um Ato de Esperança – Emma Thompson brilha em drama sobre religião versus ciência

Emma Thompson começou a carreira nas telas em 1982, mas chamou atenção em suas parcerias com o então marido Kenneth Branagh. Os atores ficaram casados de 1989 a 1995, e juntos trabalharam em quatro projetos. O primeiro foi a adaptação de Shakespeare (no qual Branagh é muito versado), Henrique V (1989). Mais popular ficou este suspense eletrizante, dirigido e protagonizado pelo ator. Para se ter uma ideia, Voltar a Morrer foi uma das inspirações para Nós, o novo trabalho de Jordan Peele. Na trama, que fala sobre conexões de vidas passadas, Thompson protagoniza como uma mulher sem memória, que com a ajuda de um detetive particular começa a descobrir sobre quem verdadeiramente é. Além do então casal, o saudoso Robin Williams e Andy Garcia estão no elenco.

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Retorno a Howards End (1992)

Podemos dizer que este foi o trabalho que fez de Emma Thompson uma estrela. Aqui, sem o empurrão do marido, e caminhando com as próprias pernas, Thompson sai do projeto com uma estatueta de melhor atriz no Oscar. Existem parcerias que dão certo e nesta produção, os quatro jogadores principais funcionaram tão bem, que voltariam a se encontrar de novo. Na trama, a vida da burguesia britânica no Século XX é posta à prova em meio a intrigas, traições e desavenças.

Muito Barulho por Nada (1993)

A esta altura Emma Thompson era um dos grandes nomes do cinema mundial, e ao lado de Kenneth Branagh formava um dos casais mais quentes e criativos da sétima arte. Este foi o quarto e último longa protagonizado por eles antes de sua separação, precedido pela comédia Para o Resto de Nossas Vidas (1992), sobre um grupo de amigos. Esta, no entanto, é outra adaptação de William Shakespeare, igualmente uma comédia, que chamou atenção por conter um dos melhores elencos da década. Dá uma olhada nisso: Denzel Washington, Michael Keaton, Keanu Reeves e Kate Beckinsale, além da dupla Branagh e Thompson. Na história, desencontros amorosos são o foco.

Vestígios do Dia (1993)

Como dito, em time que está ganhando não se mexe. A prova disso é esta “continuação” em espírito de Retorno a Howards End. Aqui temos as voltas de Thompson e Anthony Hopkins como protagonistas, além do diretor James Ivory e da roteirista Ruth Prawer Jhabvala. As obras originais, porém, são de autores diferentes. Enquanto Howards End adaptou E.M. Forster ao cinema, Vestígios do Dia é uma leitura de Kazuzo Ishiguro. Aqui, os protagonistas passam de aristocratas para serviçais, com Hopkins na pele de um mordomo se arrependendo da lealdade de décadas com seus patrões. Thompson foi novamente indicada como atriz principal, e o filme recebeu mais sete indicações, sem vitória. Em 2018, Anthony Hopkins e Emma Thompson voltaria a se encontrar na adaptação para a TV da peça clássica de Shakespeare, King Lear.

Em Nome do Pai (1993)

Na lista dos melhores filmes de todos os tempos do IMDB, este thriller político fervoroso traz o grande Daniel Day Lewis na pele de um sujeito forçado a confessar um atentado terrorista que não cometeu. Sua confissão termina por encarcerar seu pai também. Baseado numa história real, Emma Thompson interpreta uma advogada britânica que luta para inocentar os dois homens. Pelo filme, a atriz foi indicada na categoria de coadjuvante – no mesmo ano em que era indicada como atriz principal por Vestígios do Dia. O filme foi indicado para 7 Oscar.

Júnior (1994)

Existem trabalhos que marcam positivamente e os que marcam de forma negativa. Planejado como uma comédia mainstream, que mostraria que Emma Thompson também sabe se divertir, a afastando de obras densas e sisudas, é inegável que Júnior não deu certo. Dirigido por Ivan Reitman em sua segunda colaboração com a dupla Arnold Schwarzenegger e Danny DeVito – depois do sucesso de Irmãos Gêmeos (1988), Júnior é basicamente um filme onde um homem fica grávido. O longa também serviu para apresentar um dos casais mais improváveis das telonas, colocando Thompson como par do grandalhão Arnold – aqui atuando contra seu tipo e vivendo um cientista nerd e certinho.

Razão e Sensibilidade (1995)

Um verdadeiro marco na carreira de Emma Thompson, aqui a atriz adapta o roteiro, baseado na obra clássica de Jane Austen, além de protagonizar ao lado de gente como Kate Winslet e Hugh Grant. Quem dirige é o mestre Ang Lee. O filme levou o Oscar pelo roteiro de Thompson e a atriz ainda foi indicada na categoria principal – então sua última indicação num total de cinco.

Uma Lição de Vida (2001)

Enaltecido como um dos melhores filmes da carreira da atriz, Wit (no título original) é na verdade uma produção feita para a TV, da HBO. Baseado na peça de Margaret Edson, o longa tem roteiro adaptado por Thompson e pelo diretor Mike Nichols – que também dirige. A trama fala sobre uma renomada professora, reavaliando sua vida após ser diagnosticada com câncer.

Simplesmente Amor (2003)

Um dos mais celebrados filmes sobre épocas festivas, Simplesmente Amor se tornou uma produção icônica para ser assistida na época do natal. Comédia romântica tipicamente inglesa, a obra é escrita e dirigida por Richard Curtis. Aqui, Thompson é parte de um grande elenco, recheando as subtramas. Em sua história, ela é casada com o personagem de Alan Rickman, um sujeito que só trabalha, enquanto ela fica em casa para criar os filhos. Uma reviravolta surge neste lar quando o sujeito começa a cair em tentação com sua jovem secretária.

Angels in America (2003)

Nova parceria entre a atriz e o diretor Mike Nichols para a TV, essa é outra prestigiadíssima produção, novamente da HBO. A minissérie em oito episódios – que se comporta como um filme de seis horas -,é a adaptação para as telas da peça de Tony Kushner, em seus relatos sobre a epidemia de Aids na década de 1980. Um dos maiores chamarizes aqui é o elenco da produção, com nomes como Al Pacino, Meryl Streep, Mary Louise Parker, Jeffrey Wright e Patrick Wilson, além de Emma Thompson, é claro.

Harry Potter (2004, 2007 e 2011)

E se a primeira participação de Thompson em um filme de entretenimento mirado ao grande público não deu certo com Júnior, a tentativa seguinte da atriz foi mais do que acertada. Harry Potter já era uma franquia estabelecida e um fenômeno mundial quando a atriz entrou para o elenco numa pequena participação como a professora Sybil Trelawney no terceiro filme O Prisioneiro de Azkaban (2004). Grande parte da nata dos atores ingleses passaram pela franquia do bruxinho, e Thompson não ficaria de fora. Ela voltaria em A Ordem da Fênix (2007) e As Relíquias da Morte – Parte 2 (2011).

Nanny McPhee (2007 e 2010)

Outra investida de Thompson que deu certo no segmento foi Nanny McPhee, baseado nos livros infantis de Christianna Brand. O primeiro, A Babá Encantada, foi lançado em 2007, com a sequência, As Lições Mágicas, estreando em 2010. Maquiada e irreconhecível, a atriz vive uma babá que não tem a melhor das aparências, mas possui as melhores intenções. Ambos os filmes tiveram roteiro adaptado pela própria atriz.

Valente (2012)

Em nova fase de sua carreira, Emma Thompson esteve envolvida em grandes produções. Nesta aventura medieval da Disney, protagonizada por uma princesa diferente e de muita garra, a atriz deu voz para a mãe da personagem principal. Antes, Thompson já havia dublado uma personagem em uma das animações menos conhecidas da própria Disney, Planeta do Tesouro (2002). A atriz também emprestou a voz para a Sra. Potts na recente adaptação em live action de A Bela e a Fera (2017).

Homens de Preto 3 (2012)

Mais uma participação em um blockbuster, aqui Emma Thompson viveu a nova chefe da agência MIB, a Agente O. Papel que a atriz reprisará no inédito Homens de Preto Internacional – que será lançado este ano.

Walt nos Bastidores de Mary Poppins (2013)

Um dos grandes desempenhos recentes da carreira de Emma Thompson – que inclusive gerou falatório de indicações -, o filme apresenta os bastidores de um dos maiores clássicos em live action dos estúdios Disney, Mary Poppins (1964). Na história, Thompson vive a aborrecida P.L. Travers, autora do livro, que precisa ser convencida a liberar sua obra por Walt Disney em pessoa, vivido por Tom Hanks.

Effie Gray – Uma Paixão Reprimida (2014)

Filme de época não muito conhecido – lançado direto em vídeo no Brasil -, esta obra se encontra na lista por alguns fatores. O primeiro é que trata-se de um novo roteiro escrito pela talentosa Thompson (um roteiro original), relatando a história escandalosa de um triângulo amoroso envolvendo um crítico de arte da era Vitoriana. O elenco é encabeçado pela jovem Dakota Fanning, e ainda conta com Greg Wise, marido de Thompson na vida real.

Um Ato de Esperança (2017)

Com quase dois anos de atraso, o novo trabalho de Emma Thompson finalmente chega aos cinemas brasileiros. Aqui, a atriz vive uma juíza precisando resolver casos polêmicos envolvendo crianças que devido a suas religiões não podem receber tratamento médico, correndo assim risco de vida.

Late Night (2019)

Exibido no Festival de Sundance deste ano, e ainda inédito no circuito mundial, Late Night é uma comédia escrita por Mindy Kaling sobre o universo dos talk shows. Thompson vive uma megera, no melhor estilo O Diabo Veste Prada (2006), precisando se reinventar para não ser demitida.

Crítica | Late Night: Emma Thompson é a Miranda Priesley dos talks shows em comédia hilária com cheiro de Globo de Ouro

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