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Crítica | Supermax – Primeiras Impressões

A série de terror da Globo

Vendido como a primeira investida real no gênero terror na TV Globo (ou quem sabe na TV aberta), Supermax teve seu primeiro episódio exibido ontem. Logo de início percebemos certo teor jocoso e tom de sátira aos reality shows, em especial à prata da casa Big Brother. É interessante ver a toda poderosa Globo tirando sarro de si mesma.

A sátira vem acompanhada de certa metalinguagem, ao apresentar o mestre de cerimônia Pedro Bial brincando com sua imagem e interpretando a si mesmo. A estranheza plena reside no fato de vermos estrelas como Mariana Ximenes e Cleo Pires nos papeis de desconhecidas participantes deste tipo de programa, conversando com o anfitrião. Há certa aura de tosqueira espreitando tudo.

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Um reality passado numa prisão inteiramente cercada pela Floresta Amazônica, no qual os participantes possuem crimes em seus currículos, é tão exagerado e caricato que torna a atmosfera incrivelmente trash. Só se torna aceitável a partir do momento em que abraçamos o lado sátira do programa.

Doze concorrentes a muitos milhões de reais estão confinados no local, entre eles o ex-policial Sergio (Erom Cordeiro), o ex-lutador de MMA Luisão (Bruno Belarmino), a ex-prostituta Diana (Fabiana Gugli), o ex-jogador de futebol ‘Rei’ Arthur (Rui Ricardo Diaz), a ex-socialite Cecilia (Vania de Britto), o jovem aficionado por rock e coisas satânicas Dante (Ravel Andrade), a empresária dona de salões de beleza Janette (Maria Clara Spinelli), o economista ligado a políticos José Augusto (Ademir Emboava), o ex-padre Nando (Nicolas Trevijano), o médico aposentado Timóteo (Mario César Camargo), além, é claro, das musas protagonistas Ximenes, que vive a enfermeira mórbida Bruna, e Pires, interpretando Sabrina, uma psicóloga com síndrome de Estocolmo.

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Esses personagens coloridos também funcionam como caricaturas de personalidades que ressoam muito próximo ao imaginário coletivo popular do brasileiro. Figuras nacionais polêmicas como Bruna Surfistinha, os jogadores Ronaldo e Adriano, além de diversos políticos e socialites são clara inspiração para nossos protagonistas aqui.

E no quesito terror…

Se por um lado Supermax conseguiu despertar minimamente nossa curiosidade no quesito sátira / drama, nem que seja por uma questão de prazer culposo, o primeiro episódio deixa a desejar no item terror e suspense. O clima construído é legal, e o visual da prisão é muito bacana. A parte técnica está de parabéns – mas isso não é novidade em se tratando da emissora.

Supermax, no entanto, não entrega o anunciado. Seria o caso do programa chegar já chutando a porta, ao contrário, o primeiro episódio chega manso, preferindo privilegiar a apresentação e desenvolvimento dos personagens. Nada contra isso. Tirando dois momentos – um envolvendo o padre Nando com sangue por debaixo da porta e um no encerramento do episódio – o foco do debute foi por um viés mais dramático e psicológico, fazendo-nos questionar se as assombrações prometidas serão os fantasmas e demônios internos dos participantes se manifestando durante seu confinamento. A pergunta que muitos farão é: cadê o terror? Quanto a isso só posso rebater: esperemos.

10 Filmes que poucos falam mas te garanto: são EXCELENTES!

Com o entra e sai frenético de títulos nos principais streamings disponíveis no nosso país, muitas vezes verdadeiras pérolas passam desapercebidas aos nossos olhos. Pensando nesse recorte e trazendo dicas preciosas, segue abaixo uma lista bem legal com 10 filmes que poucos falam mas te garanto: são excelentes!

 

Driveways – Uma Amizade Inesperada

Na trama, conhecemos Kathy (Hong Chau), uma mulher batalhadora que trabalha com transcrições médicas e tem o sonho de ser enfermeira. Ela, junto o filho pequeno, o sensível Cody (Lucas Jaye), estão indo reformar, para uma possível venda, a casa de sua irmã recém falecida. Chegando no lugar, uma cidadezinha no interior dos Estados Unidos, acaba conhecendo aos poucos a vizinhança, principalmente seu vizinho de porta, o veterano da Guerra da Coreia Del (Brian Dennehy). Aos poucos começa a perceber que o sentido de casa, lar, pode estar bem próximo dali.

 

A Gaiola das Loucas

Na trama, conhecemos Armand (Robin Williams) e Albert (Nathan Lane) um casal homossexual de meia idade que possuem um clube gay super badalado na Flórida, repleto de apresentações. Certo dia, o filho de Armand, Val (Dan Futterman) diz ao pai que vai casar com Barbara (Calista Flockhart), a filha de Louise (Dianne Wiest) e do senador conservador Keeley (Gene Hackman), esse último prestes a ser reeleito mas metido em um escândalo. A questão é que Val pede ao pai que ele e Albert não entreguem num jantar de comemoração que são gays. Assim, é instaurada uma enorme confusão.

 

A Outra

Na trama, conhecemos a professora e escritora Marion (Gena Rowlands), uma mulher super culta, casada com um médico nada amoroso, frio, seco, chamado Ken (Ian Holm), que aluga um apartamento para escrever um novo livro durante sua licença do cargo de professora de filosofia. Certo dia, percebe que vazam conversas do apartamento ao lado, que é de um psicólogo que recebe seus pacientes diariamente. Numa dessas conversas, o que ela escuta, acaba sendo um estopim para uma difícil e conflitante auto análise sobre o seu atual casamento e outras relações na sua vida. Assim, embarca aos poucos em uma volta ao passado, revendo relações, situações, escolhas.

 

O Retorno da Lenda

Na trama, conhecemos Henry (Tim Blake Nelson) um pacato agricultor viúvo perto dos 50 anos que mora com seu único filho, o adolescente Wyatt (Gavin Lewis), em uma casa isolada, instalada entre duas colinas, distante dos agitados dias fora dali. Eles levam uma vida simples e de muito trabalho até que um dia a rotina deles sobre um enorme abalo quando resolvem ajudar um estranho homem que foi alvejado perto dali e levava consigo uma bolsa repleta de dinheiro. Quando um grupo de homens aparece para procurar o homem que eles ajudaram, Henry precisará entender o quebra-cabeça e saber em quem confiar, ao mesmo tempo que segredos do seu passado começam a serem revelados.

 

Contagem Regressiva

Na trama, conhecemos Jimmy Dove (Jeff Bridges), um boa praça, querido por todos, experiente oficial do esquadrão antibombas da cidade de Boston, já perto da aposentadoria, que vive uma vida repleta de adrenalina mas com tons de felicidade já que está prestes a oficializar o relacionamento com a namorada, a violinista Kate (Suzy Amis). Em paralelo a isso, um perigoso irlandês chamado Ryan Gaerity (Tommy Lee Jones), especialista em explosivos, escapa de uma prisão de segurança máxima chamada Castle Gleigh e embarca para os Estados Unidos em busca de vingança começando a tocar o terror pela cidade de Boston atingindo todos ao redor de Jimmy. Aos poucos vamos descobrindo segredos do passado do protagonista, que está ligado à Gaerity. Assim um duelo é estabelecido.

 

O Chef Italiano

Na trama, conhecemos Marco (Flavio Parenti), um jovem perto dos 40 anos que teve a chance de sua vida no passado, quando tinha uma carreira promissora como chef em um badalado restaurante de Nova Iorque. Ele precisou abandonar tudo por conta de uma fatalidade com a mãe e regressou para o lugar onde foi nascido e criado. No presente, vive desiludido, sem rumo, trabalha em uma fábrica mas tem um outro trabalho ocasional ligado à alta gastronomia, projeto esse que leva com o melhor amigo Claudio (Lino Guanciale). Após uma tragédia, se vê ainda mais sem rumo e em um luto nada passageiro, paralelo a isso conhece a turista australiana Olivia (Maeve Dermody) que está em Údine para vender o apartamento dos avós que emigraram para aquela região da Itália na década de 50. Aos poucos, o ainda sonhador protagonista vai perceber que o destino lhe reserva outras oportunidades.

 

Chevalier: A Verdadeira História Nunca Contada

Na trama, conhecemos Joseph Bologne (Kelvin Harrison Jr.), nascido em Guadalupe, lugar que fica nas ilhas ao sul do mar do Caribe que pertence à França, filho de uma escrava e um senhor de terras que desde pequeno mostra sua vocação para música. Ele, sempre muito confiante e driblando o preconceito de muitos ao seu redor, consegue entrar na prestigiada Academia La Boessière onde desenvolve inúmeras habilidades virando um genial esgrimista, um gênio do violino. Os anos se passam e Joseph consegue grande destaque na alta sociedade francesa e em um determinado ponto, com um olhar crítico para tudo que acontece em uma Paris empolvorosa, escolhe seu lado na luta pelos direitos humanos.

 

Mixed by Erry

Na trama, conhecemos Enrico ‘Erry’ Frattasio (Luigi D’Oriano), um jovem tímido morador da região de Forcella, parte da grande Nápoles, que passou a infância tendo como referência o pai trambiqueiro, um falsificador de famosas bebidas destiladas. Erry sempre amou o universo musical, e tornando um grande conhecedor das novidades pela planeta e quando chega próximo da maioridade tem o sonho de ser DJ. Como todas suas tentativas não dão muito certo, ao lado de um dos irmãos Peppe (Giuseppe Arena) resolvem criar um negócio onde playlists de músicas nacionais e internacionais eram colocadas em uma fita k7 e vendidas por toda a região onde moravam. O negócio acaba sendo uma avalanche de sucesso, e com a chegada do irmão caçula ao negócio, Angelo (Emanuele Palumbo), o trio monta um verdadeiro império da pirataria se tornando um enorme alvo para as ações da polícia federal italiana.

 

Acqua Movie

Na trama, acompanhamos Duda (Alessandra Negrini), uma mãe que volta para casa às pressas após a morte inesperada do pai de seu filho Cícero (Antonio Haddad Aguerre), um jornalista renomado da televisão. Mas a tensão está no olhar, na expressão, mesmo em poucas falas entendemos que a relação entre os dois é bem distante por conta dos inúmeros compromissos que sua Duda possui no seu lado profissional, como documentarista, inclusive tendo uma equipe de filmagens esperando ela na Amazônia para rodar um documentário. Buscando uma reaproximação com o filho, a protagonista resolve embarcar junto com o filho, de carro, rumo a cidade de origem do pai de Cícero para deixar lá as cinzas dele. Passando por lindas paisagens, percebem as belezas da natureza mas também a ganância do poder bem evidente.

 

Rede de Ódio

Na trama, conhecemos o jovem e ambicioso Tomasz Giemza (Maciej Musialowski, em atuação estacada) que vem de origem humilde, do interior da Polônia e tem seus estudos sustentados por tios ricos da capital. Invejoso pelos que os outros tem e ele não, possui uma obsessão com a família que o ajuda nos estudos. Quando o protagonista perde sua bolsa de estudos por conta de um plágio em um trabalho, seu mundo começa a se despedaçar e ele, apaixonado por Gabi (Vanessa Aleksander), filha dos tios que sustentaram seus estudos, entra em uma polêmica equipe de marketing digital onde começa a se envolver com difamação e ódio contra determinados alvos pelas redes sociais.

 

 

Crítica | 12 Horas para Sobreviver: O Ano da Eleição

Estado de Anarquia

Um pouco de contextualização. O cineasta James DeMonaco, mais conhecido como roteirista de thrillers emocionantes como A Negociação (1998) e Assalto à 13ª DP (2005), levou às telas em 2013 – como roteirista e diretor – sua visão de uma América anárquica, na qual durante uma única noite no ano todo e qualquer tipo de crime é permitido. A proposta incentivada pelos novos fundadores do país (leia-se o novo senado) se mostrou eficiente e diminuiu a criminalidade nos demais dias do ano. Dessa forma, se você vai mal financeiramente, pode se preparar para roubar um banco ou pessoas ricas, tudo dentro da lei, ou se aquele desafeto te importuna o ano inteiro, é a hora da vingança, por exemplo.

A proposta do roteiro de DeMonaco é criativa, soando no papel forte o suficiente para anunciar-se como única, e render um longa metragem chamado Uma Noite de Crime, bancado pela Universal e protagonizado por Ethan Hawke (Sete Homens e um Destino) e Lena Headey (Game of Thrones). Meu pensamento sobre o filme original foi que embora a ideia seja interessante, pouco é feito ou discutido com ela. Ao contrário, temos o típico filme de terror e suspense, que em sua estrutura central se assemelha mais com Os Estranhos (2008), no qual sádicos mascarados invadem (ou tentam) uma casa, prontos para massacrar uma família.

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A sequência ampliou a ideia, tirou os personagens de dentro de um único ambiente e os levou para usar a cidade inteira como cenário. Foi o passo além necessário para nos centralizar mais eficientemente na loucura que consiste o infame dia do Expurgo. Diversas vertentes e possibilidades são apresentadas em Uma Noite de Crime: Anarquia (2014), que explora bem situações como “o que acontece quando não chegamos em casa antes do início do evento maligno”, ou a visão de um protagonista em busca de vingança por um mal que lhe foi causado. A continuação assume formas de Fuga de Nova York (1981), onde personagens se veem soltos no ambiente mais hostil imaginável, no qual tudo e todos são perigos iminentes.

Agora chegamos a esta terceira parte na franquia imaginada por DeMonaco, que demorou um pouco mais para sair do papel e tenta, ao menos no Brasil, de certa forma se desassociar dos filmes anteriores. O esperado seria o título Uma Noite de Crime: Ano da Eleição, mas o que ganhamos foi este 12 Horas para Sobreviver. A estratégia da Universal Brasil visa gerar mais público ao não anunciar o filme como uma continuação, fato ao qual grande parte dos desavisados estará alheio. Na trama, a noite do Expurgo pode finalmente estar com os dias contados, quando uma vítima do cruel dia sobrevive após ter sua família massacrada e se torna uma senadora dos EUA. Interpretada por Elizabeth Mitchell (Lost), a tal senadora lança sua campanha à presidência, que tem como principal proposta o fim da desumana noite sancionada por lei.

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O elo de ligação é o ex-policial interpretado por Frank Grillo (Capitão América: Guerra Civil), que volta a protagonizar a série, desta vez trabalhando como chefe da segurança pessoal da senadora. Obviamente, um plano de governo que visa abolir uma decisão imposta pelo senado, será combatida severamente pelos próprios, e a candidata se torna o alvo principal desta nova noite de Expurgação. Mais uma vez na franquia, o novo filme consegue explorar ângulos não abordados anteriormente, dando um detalhamento maior desta realidade.

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O interessante de ficções científicas que criam um novo mundo é nos mostrar como funciona este mundo, nos inserindo em seu dia a dia. Boas ficções são as que nos transportam, vide Blade Runner (1982), Aliens – O Resgate (1986), Brazil – O Filme (1985) e Minority Report (2002), só para citar alguns. Já as ruins, correm conosco pelo local sem que possamos contemplá-lo, vide o remake de O Vingador do Futuro (2012). 12 Horas para Sobreviver fica no meio termo. Aborda ângulos diferentes, somando subtramas que envolvem um dono de mercearia precisando proteger seu negócio de clientes indesejados, após a seguradora remover sua apólice, e uma jovem (papel de Betty Gabriel) que faz o trabalho que ninguém quer nesta noite, arrisca-se para salvar vidas em uma ambulância improvisada.

Além disso, existe um grupo clandestino que planeja o assassinato de um ministro, visando pôr fim no Expurgo através de seus próprios métodos ilegais. Tudo isso é muito curioso e funciona bem, o problema é a estrutura que precisa existir para levar a grande massa aos cinemas de shopping, que transforma a produção em um filme de sobrevivência, no qual um grupo de pessoas precisa lutar por sua vida. Essa estrutura poderia vir servida na forma de combate a qualquer tipo de ameaça, sejam zumbis, criminosos ou criaturas. O que vemos é apenas a ação. Em resumo, DeMonaco tem ótimas ideias, que seus filmes infelizmente não acompanham.

Crítica | Amor Platônico – Rose Byrne e Seth Rogen em EXCELENTE comédia sobre amizades da Apple TV+

A amizade no centro do tabuleiro conturbado da meia idade. Chegou de mansinho, quase desapercebida uma brilhante comédia que gira em torno da crise de meia idade impulsionada pelo realinhamento de uma antiga amizade. Mostrando que é possível fazer rir e refletir de forma madura, trazendo paralelos interessantíssimos com a realidade, Amor Platônico é mais um achado da Apple TV Plus que vem se consolidando como uma mina de ouro para quem gosta de séries com alta qualidade e altamente envolventes.

Criada por Francesca Delbanco e Nicholas Stoller, que também dividem a direção dos episódios, na trama, conhecemos Sylvia (Rose Byrne) uma dona de casa, formada em direito, que abdicou da carreira para cuidar dos três filhos e vive um casamento feliz com seu marido, o advogado Charlie (Luke Macfarlane). Após aparecer em seu feed, de uma rede social, que o seu ex-melhor amigo, o mestre cervejeiro Will (Seth Rogen) acabara de terminar o casamento, ela resolve entrar em contato com ele. Assim, esses dois amigos, antes com 20, agora perto dos 40 anos se envolvem em várias situações onde um ajuda o outro a enfrentar os problemas nessa fase da vida cheia de variáveis e escolhas difíceis.

Nada como um roteiro inteligente para fazer a gente pensar sobre a vida. De forma leve e descontraída, a narrativa envolve o espectador atingindo o epicentro entre a maturidade e a melhor idade. Assuntos como: problemas no trabalho, desconfianças nos relacionamentos, o próximo passo dentro de um casamento, as idas e vindas conflituosas por problemas que surgem aos montes, a amizade, as diferentes formas de amar, o ciúmes são plano de fundo de situações hilárias que a dupla de protagonistas se metem ao longo de dez excelentes episódios na sua primeira temporada.

A química entre Byrne e Rogen é fantástica, os artistas já haviam trabalhado juntos 10 anos atrás na comédia Vizinhos e mais uma vez mostram toda a harmonia em cena. Você, em um mesmo episódio, consegue rir muito e também se emocionar trazendo inclusive paralelos com a realidade. Passando por cima da pergunta: ‘É possível uma amizade entre um homem e uma mulher?’ o platônico do título é quase desnecessário, irreal. Esse projeto é um brinde à  amizade e todos seus altos e baixos.

Os 10 Melhores | Festival do Rio 2016

Vida de Festival de Cinema é muito gostosa. É a chance de alimentar freneticamente o apetite cinéfilo, de encontrar amigos e, entre sugestões do que perseguir ou evitar, ver surgir aquela conversa sobre certas produções que chamaram atenção de forma positiva ou decepcionaram. Para quem trabalha cobrindo o evento, o sinônimo é de correria, precisando sacrificar muitas vezes algo que assistiríamos por prazer, em troca de botar os textos em dia. Quando se aproximam, os festivais despertam euforia, quando terminam trazem a melancolia, associada a uma sensação de satisfação e calmaria. O Festival do Rio, o mais prestigiado do Brasil, chega ao fim oficialmente hoje (contando com os últimos três dias de repescagem). Esse que vos fala teve a chance de conferir diversas produções (talvez um pouco menos que em anos passados) e montar uma lista com as dez preferidas. Confira abaixo:

10. Raw (Grave, França / Bélgica), de Julia Ducournau

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Mais conhecido como o filme de canibalismo que fez o público no Festival de Toronto passar mal e desmaiar este ano, Raw é na verdade um conto sobre a transição de uma jovem, a protagonista Garance Marillier (ótima em cena), para a fase adulta. Os anseios sexuais e a explosão hormonal feminina são mesclados ao prazer carnal e a sede de sangue. Mesmo bastante gráfico, o filme surpreende pelo conteúdo, e certa sutileza emocional, que pairam acima da gratuidade.

9. Loving (Reino Unido / EUA), de Jeff Nichols

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Um dos filmes mais citados para o próximo Oscar, Loving tem uma história importante a ser contada por trás de sua confecção. Trata-se da via crucis do casal Mildred e Richard Loving, que no final da década de 1950 foram presos e expulsos de sua cidade na Virginia por terem se casado, sendo um casal interracial  – ela, negra, e ele, branco. Apesar do ritmo narrativo deliberadamente lento, imposto pelo cineasta Nichols, Loving ganha muita força nas atuações dos protagonistas Ruth Negga e Joel Edgerton. Ambos merecem sérias considerações para indicações a prêmios.

8. De Palma (EUA), de Noah Baumbach e Jake Paltrow

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É praticamente impossível gostar de cinema e não apreciar a arte de Brian De Palma, um dos cineastas mais importantes, influentes e revolucionários que já surgiu no mundo da sétima arte. Este documentário regido pelos igualmente talentosos Baumbach (diretor de Frances Ha) e Paltrow (diretor da ficção científica Os Mais Jovens) descortina o mestre, atualmente recluso, numa divertida imersão que mistura histórias de bastidores, ponderações sobre a carreira e a produção de seus filmes. Imperdível e essencial, daqueles para ter na coleção de DVD.

7. Personal Shopper (França), de Olivier Assayas

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A primeira escolha polêmica da lista, Personal Shopper é a nova parceria entre o cineasta francês Olivier Assayas e a estrela americana Kristen Stewart. Ainda existe certo grau de rejeição da parte dos cinéfilos em relação à atriz, devido aos execráveis filmes da franquia Crepúsculo. Isso mesmo depois de Stewart ter sido eleita a melhor atriz (e única americana sequer indicada) por Acima das Nuvens (2014) e levado o prêmio César, o Oscar da França. Personal Shopper é em parte uma história de fantasmas, em parte um thriller bem tenso, vestido de drama de arte. Assayas e Stewart acertam de novo na nota, em uma obra bem diferente de seu primeiro trabalho juntos.

6. Jovens, Loucos e Mais Rebeldes (Everybody Wants Some!!, EUA), de Richard Linklater

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O diretor Richard Linklater parou o mundo do cinema em 2014 com Boyhood – Da Infância à Juventude, uma obra cinematográfica sem precedentes. Mostrando ser um cineasta multifacetado e bem eclético em sua filmografia, ele envereda por um caminho mais intimista, realizando uma continuação não declarada de um de seus primeiros filmes, Jovens, Loucos e Rebeldes (Dazed and Confused, 1993) – o título brasileiro ajudou na conexão. Apesar dos filmes não terem ligação direta, esta é outra incursão por um universo de jovens, dialogando com eles de forma honesta como só Linklater sabe fazer. Uma verdadeira viagem nostálgica.

5. O Cidadão Ilustre (El Ciudadano Ilustre, Argentina / Espanha), de Gastón Duprat e Mariano Cohn

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O representante da Argentina por uma vaga entre os cinco indicados a filme estrangeiro no Oscar é uma comédia de situações engraçadíssima. O ótimo Oscar Martínez (Relatos Selvagens) interpreta o autor Daniel Mantovani, que acaba de receber o prêmio Nobel de Literatura. Rico, famoso e prestigiado, seu ápice profissional também lhe trouxe certo vazio na vida pessoal. Como forma de remediar o fato, ele aceita uma breve passagem por sua cidade natal, a pequena Salas, próxima a Buenos Aires, a fim de receber a honraria de cidadão ilustre. Desta jornada ao passado sairão alguns dos momentos mais desconcertantes de sua vida. O filme acerta o alvo em sua comicidade, além de acrescentar certo teor agridoce, que torna o sabor ainda mais especial.

4. Kubo e as Cordas Mágicas (Kubo and the Two Strings, EUA), de Travis Knight

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A nova animação do estúdio Laika, especialista na técnica do stop motion, chega bem próximo da perfeição. Das quatro produções no currículo do estúdio, Kubo é a mais completa, misturando bem elementos como aventura, certo terror e dramaticidade mirada igualmente ao público adulto. Passada no Japão antigo, a história nos apresenta o pequeno Kubo numa jornada para descobrir suas raízes, ao mesmo tempo em que combate familiares maldosos e sobrenaturais. Além disso, Kubo transita por diversos elementos do folclore da cultura nipônica. Na versão original temos as vozes de gente como Charlize Theron, Matthew McConaughey e Rooney Mara. Ah sim, o filme faz uso certeiro de While My Guitar Gently Weeps, dos Beatles, inserido em sua trama.

3. Capitão Fantástico (Captain Fantastic, EUA), de Matt Ross

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Mais conhecido como ator, Matt Ross marca um golaço com segunda incursão como diretor, assinando também o roteiro de Capitão Fantástico. Em uma trama poética, Viggo Mortensen interpreta um pai criando seus muitos filhos na natureza selvagem, longe da civilização. Eles caçam e colhem para se alimentar, ao mesmo tempo em que são ensinados a se defender, com aulas de combate corpo a corpo, e estudam os temas mais complexos através de um grande acervo de livros. É justamente quando precisam voltar à sociedade que sua redoma começa a rachar. Emotivo na medida certa, sem ser piegas, Capitão Fantástico é uma aula de espírito humano, se é que isto pode ser ensinado. Viggo Mortensen tem uma atuação digna de prêmios (com o momento exato do money shot inclusive), assim como o roteiro e direção de Ross.

2. Manchester à Beira Mar (Manchester by the Sea, EUA), de Kenneth Lonergan

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Outra produção autoral norte-americana figura na lista. Confesso ter sido difícil escolher entre as três primeiras posições, mas esta obra do cineasta Lonergan, que também assina o roteiro, ganha pontos por atingir um grande nível dramático sem descambar totalmente para o melodrama. O que faz dessa tênue linha um local perigoso de se caminhar, mas na qual o diretor segue bem sem titubear muito. A cidadezinha título, localizada em Massachussetts, é um personagem por si só, nos transportando imediatamente para o local, para, durante um pouco mais de duas horas, visitarmos o acolhedor vilarejo ao lado destes personagens sofridos. Poucos filmes nos dão tamanha sensação de localidade. Casey Affleck domina como um dos personagens mais trágicos do cinema recente e segundo muitos, já começa a fazer lugar na estante para seu Oscar.

1. A Chegada (Arrival, EUA), de Denis Villeneuve

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A Chegada é o filme mais completo que assisti neste Festival do Rio. A nova produção comandada pelo canadense Denis Villeneuve – que emplacou Sicario no evento de 2015 – é a que mais abrange todos os quesitos dentro de uma obra cinematográfica de forma satisfatória. É cinema espetáculo na melhor definição da palavra. O conjunto da parte técnica (trilha, fotografia, direção de arte, edição) funciona de forma a causar impacto e harmoniosamente, dando o tom da magnitude de uma invasão alienígena imponente e realística, como há muito não víamos no cinema. Fora isso, o filme é intimamente minimalista ao apresentar tudo através da visão da linguista de Amy Adams, que passa por seus próprios dramas pessoais. É Malick e Kubrick misturados.