Site Página 8059

Bling Ring: A Gangue de Hollywood (3)

A COMPLEXIDADE DA SUPERFÍCIE

 

Sofia Coppola vem construindo uma filmografia sólida e coerente, em torno de personagens que sofrem de algum vazio, de alguma falta, que vivem em ambientes muitas vezes sofisticados. Com ecos que remontam ao diretor italiano Michelangelo Antonioni, Sofia Coppola fala do vazio do nosso tempo. Mesmo com obras como Maria Antonieta, a filha do Poderoso Chefão é uma cronista da nossa geração de início de século.

Com essa trajetória, é mais fácil compreender a escolha do tema do seu novo filme Bling Ring – A Gangue de Hollywood. O roteiro foi adaptado de uma reportagem da Vanity Fair. A jornalista Nancy Jo Sales escreveu sobre um grupo de jovens de classe média alta de Hollywood que invadia as mansões de famosos para lhes roubar objetos de luxo e dinheiro. Não era por necessidade, claro, a gangue queria um pouco da fama desses ícones, subir na escala de celebridade e faturar uma boa grana. O grupo invadiu as mansões de celebridades como Orlando Bloom, Lindsay Lohan e Paris Hilton – esta teve a casa invadida incríveis 5 vezes, pelo menos!

Sofia Coppola conseguiu vencer o desafio de adaptar um caso recente e constrói uma de suas narrativas mais deliciosas! Se alguns de seus filmes anteriores poderiam ser considerados lentos demais – espacialmente para os padrões atuais – Bling Ring preza pela concisão e agilidade. São cerca de 90 minutos nos quais acompanhamos o surgimento, auge e queda da gangue.

Os que mais se destacam, ao menos na primeira parte da projeção, são Rebecca (Katie Chang) e Marc (Israel Broussard). Eles são os primeiros a invadir as casas. O grupo se completa com Chloe (Claire Julien), Sam (Taissa Farmiga) e a terrível Nicki (Emma Watson). Eles são um retrado de uma geração que valoriza a banalidade.

blingring_8

Eles desejam a fama. Não importa se precisam roubar para ter um naco disso. Entrando nas casas dos famosos, desfrutando de seu conforto e roubando, eles conseguem criar um simulacro de fama. No começo, é o suficiente (ora vejam!). Usar um Laboutines no quarto sozinho já basta. Mas, as pessoas têm sede! Depois de darem o chapéu na polícia, o grupo ganha confiança e começa a divulgar seus feitos, inclusive pelas redes sociais. Misto de petulância e desejo de alcançar uma notoriedade real.

Alguns críticos acusam Sofia Coppola de ser superficial. Não sou desse time! Ele fala sobre a superficialidade de uma geração e, a cada filme, vem conseguindo apurar seu olhar. Aqui ela não faz um julgamento direto, mas desnuda suas personagens. O avanço da narrativa vai revelando atitudes cada vez mais inconsequentes e deslumbradas dos ladrões. Marc e Rebecca são as personagens mais bem trabalhadas nesse sentido de evolução. São personagens que vão relevando-se mais complexas a medida que o filme avança, até o desfecho amargo de Marc, decepcionado com Rebecca.

Sofia Coppola consegue níveis ácidos de ironia, negando a superficialidade da qual é acusada, nas sequências da casa de Paris Hilton. A ironia começa com o fato da própria ter cedido a casa para as filmagens. Os enquadramentos revelam o nível que o narcisismo pode chegar. O deboche final é a mistura de repulsa e fascínio que a casa de Paris Hilton pode provocar na plateia.

emma-watson-bling-ring

Um tema tão atual acaba nos levando para fora da sala, fazendo pensar nas consequências da mercantilização das artes. Se ela conseguiu dar uma real independência aos artistas, que podem viver de suas obras, também gerou o mercado das celebridades que degringolou no desejo da fama pela fama. Nos tempos em que todos podem ter 30 segundos de fama no YouTube (Andy Warhol foi generoso com seus 15 minutos. “Hello!” na era digital, 1 minuto é eternidade!) deseja-se ao menos parecer famoso. Por outro lado, não temos muitos valores para contrabalançar essa fascinação pelas celebridades. O desejo de viver um simulacro da fama e a falta de outros valores criaram uma geração superficial.

Voltando ao filme, encontramos Nicki, uma garota embriagada pelo desejo de ser famosa. A mãe, que deveria contrapor a falta de valor da sociedade, reforça os delírios com suas aulas sobre celebridades e crença em auto-ajuda no nível de “O Segredo”.

Antes do fim, uma palavra sobre Emma Watson. Ela constrói a figura mais hipnotizante do filme. Sua Nicki é a versão mais acabada da pessoa que realmente acredita em sua superioridade moral. Seus gestos de condescendência servem apenas para inflar seu próprio ego cujo desejo final é uma vida de aparência para continuar a alimentar esse ego. Saí da sessão com ódio de Nicki e a certeza de que Emma Watson cresceu, em todos os sentidos, e exorcizou Hermione.

300

 

(300)

 

Elenco: Gerard Butler, Lena Headey, David Wenham, Dominic West, Rodrigo Santoro, Michael Fassbender.

Direção: Zack Snyder

Gênero: Ação

Duração: 117 min.

Distribuidora: Warner Bros.

Orçamento: US$ 65 milhões

Estreia: 30 de Março de 2007

Sinopse: Desde a infância, os meninos espartanos são ensinados a serem fortes, corajosos e nunca se renderem diante de um obstáculo. Um pesado treinamento, primeiro com o pai e, mais tarde, aos sete anos, através do governo, estes jovens são transformados em grandes soldados capazes de enfrentar os maiores perigos sem qualquer medo. Quando um mensageiro persa tenta convencer o Rei Leônidas a se render ao gigante Xerxes e aceitar que Esparta seja escravizada pelo imperador, ele decide que é hora de lutar contra os persas.

Um aviso dos deuses, porém, impede que Leônidas use seu exército, sob pena da queda de Esparta. O Rei, então, junta 300 bravos homens e sai ao encontro dos persas, que estão em um número quase mil vezes maior. Enfrentando soldados armados de flechas e pólvoras, em cavalos, elefantes e rinocerontes e ainda um exército conhecido há mais de 400 anos como Os Imortais, os espartanos mostram que não se deve recuar e nem se render. E também que o companheirismo e o amor pela pátria pode muitas vezes valer mais que quantidade numa batalha.

 

Curiosidades:

» Primeiro papel de destaque de Rodrigo Santoro em Hollywood, antes do ator conseguir um papel no seriado ‘Lost’.

Trailer:

Cartazes:

300_1

300_3

300_4

300_5

300-4

300_2

Fotos:

300_2

300_3

300_4

Comentários:

Nota
Comentários
Escrito por: Carlos Henrique Azevedo“Muito sangrento, e muito violento. 300 é o melhor filme épico já feito no momento, o cenário é todo feito em computador, as seqüências são perfeitas e atraiu o público de todos os países(principalmente o público feminino, por dos espartanos). Excelente filme para quem gosta de ação, e filmes épicos. Muito bom! E quando eu digo que é bom é porque é bom!”

 

 

Bling Ring – A Gangue de Hollywood (2)

SOFIA COPPOLA JOGA OS HOLOFOTES NA CULTURA TRÁGICA DAS SUB-CELEBRIDADES

Apesar de ser o novo trabalho de uma das cineastas americanas mais talentosas da atualidade, não devo ter sido o único que recebeu “Bling Ring – A Gangue de Hollywood” com certa incredulidade. A grande barreira aqui é que o filme aborda um tema, digamos, sem muito valor substancial. Isso acontece quando o assunto escolhido para uma produção cinematográfica é muito recente (coisa que temos presenciado cada vez com mais frequência), gerando comparações imediatas e deixando pouco espaço para as liberdades poéticas.

Afinal, muitos acompanharam o ocorrido real através da mídia, e sabem exatamente o que se passou. Transformar o fato em filme é uma missão difícil. Fico imaginando Sofia Coppola como o personagem de Nicolas Cage no filme “Adaptação”, com o encargo de adaptar para o cinema um livro sobre plantas. É quase isso o que ocorre com o novo trabalho de Coppola, baseado num artigo da revista Vanity Fair, escrito por Nancy Jo Sales, que tratava dos crimes reais de um grupo de jovens da classe alta de Beverly Hills.

2.5

Os adolescentes obcecados por celebridades (com quem a maioria dos adultos e pessoas inteligentes não se importam), decidem entrar sem cerimônias em suas mansões ao descobrirem que os mesmos não se encontram nos locais, e fazer a “limpa” em seus closets. E lá se vão tours pelas casas de personalidades como Paris Hilton, Orlando Bloom e sua namorada modelo, e Lindsay Lohan. Em sua maioria jovens problemáticos e perdidos, eles mesmos. Duvido que algum deles se interessaria em descobrir aonde mora a diretora Sofia Coppola, e talvez essa seja grande parte da graça.

Com um tema desses não é de se espantar a falta de interesse de muita gente. No entanto, o ditado não julgue um livro pela capa entra em jogada, quando temos no comando de uma obra Sofia Coppola, filha mais nova do consagrado Francis Ford Coppola, e primeira mulher americana a ser indicada ao Oscar de melhor diretora (pela obra-prima “Encontros e Desencontros”).

3

Alguns fatores contrabalanceiam o tema, como a presença da talentosa Emma Watson, que ano passado se desvencilhou da imagem de sua personagem em “Harry Potter”, no excelente “As Vantagens de Ser Invisível”, e que logo em breve mostrará muito mais. Embora Watson não seja a protagonista aqui, ela ganha destaque e consegue roubar muitos dos momentos nos quais aparece.

Mesmo levando em conta que a sátira de Coppola planeja apontar o quão ridículo é o comportamento desse tipo de jovem, fazer uma sátira não é fácil, e muitas não conseguem atingir seu objetivo terminando por deixar seu alvo ileso. O filme da cineasta, como era de se esperar, é extremamente bem feito. Desde a escolha da trilha sonora (coisa que a diretora acerta em todos os seus filmes), como a montagem mesclando cenas quase documentais, com entrevistas, e estéticas curiosas.

4

Em um momento, Coppola nos mostra de longe dois jovens andando por uma mansão envidraçada na colina, com a câmera fixa de longe, e vemos os atores passarem de um cômodo para o outro. Os textos iniciais explicando o que a obra será, é uma decisão acertadíssima, e de certa forma isenta e se distancia desde o início dos fatos apresentados. A diretora diz que não condena e tampouco aplaude o ocorrido.

Mas fica óbvio ao vermos algumas caricaturas, como a mãe de duas das jovens interpretada por Leslie Mann, que tenta passar ensinamentos pertinentes para suas filhas através do livro “O Segredo”, e até mesmo a maioria das cenas de Emma Watson (feitas quase todas para arrancar o riso), que Coppola está rindo de toda uma geração que busca a fama sem realmente ter feito nada para merecê-la.

As Crônicas de Nárnia – A Viagem do Peregrino da Alvorada

(The Chronicles of Narnia: The Voyage of The Dawn Treader)

Nota: 8

 

Elenco: Ben Barnes, Eddie Izzard, Skandar Keynes, Georgie Henley, Peter Dinklage, Will Poulter, Bill Nighy.

Direção: Michael Apted

Gênero: Aventura

Duração: 113 min.

Distribuidora: Fox Film

Orçamento: US$ 155 milhões

Estreia: 10 de Dezembro de 2010

Sinopse: Neste novo capítulo, os irmãos Pevensie, Edmundo e Lúcia, retornam à Nárnia acompanhados pelo primo Eustáquio Mísero e lá encontram o príncipe Caspian, agora Rei, que os convoca para a importante missão de encontrar os Sete Lordes Desaparecidos de Telmar. A bordo do imponente navio O Peregrino da Alvorada, os heróis de Nárnia se confrontarão com dragões, anões, tritões e um grupo de guerreiros perdidos. Com a ajuda de novos parceiros e de outros já conhecidos do público, como o rato falante Ripchip, o grupo enfrentará mares bravios, navegando até uma série de ilhas misteriosas, que ocultam segredos e tentações. Ao embarcarem no Peregrino da Alvorada, sua coragem e suas convicções serão postas à prova numa jornada de transformação com destino ao País de Aslan, nos recantos mais longínquos do mundo.

 

Curiosidades:

» O lançamento será em 3D. A Fox, responsável pela distribuição do fenômeno ‘Avatar‘, decidiu seguir os passos na Warner Bros. e converter As Crônicas de Nárnia: A Viagem do Peregrino da Alvorada‘ e ‘As Viagens de Gulliver‘ para o formato.

» Michael Petroni (‘Rainha dos Condenados’) escreveu o roteiro da terceira parte de ‘Crônicas de Nárnia‘.

» O orçamento de ‘As Crônicas de Nárnia – A Viagem do Peregrino da Alvorada‘ será menor: ao invés do astronômico orçamento do segundo filme (US$ 215 milhões ), este terceiro custará US$ 140 milhões.

» O ator Bill Nighy vai dublar o personagem Ripchip em ‘As Crônicas de Nárnia: A Viagem do Peregrino da Alvorada‘. Ele substitui Eddie Izzard, que dublou o mesmo personagem em ‘As Crônicas de Nárnia: Príncipe Caspian’.

» Tanto ‘O Príncipe Caspian‘ quanto ‘O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa‘ são assinados pelo diretor Andrew Adamson. Lançada em 2005 pela BVI, a primeira adaptação cinematográfica do clássico de C.S. Lewis arrecadou mundialmente cerca de US$ 750 milhões.

» Terceira parte da série inspirada pelos livros de C.S. Lewis.

 

Bates Motel – Temp. 01 – Eps. 05 e 06

Pra cima e além!

Bates Motel fica melhor a cada ep. Quando lerem este texto, a série já estará no ep. 07 no Canal Universal. Mas, vamos manter nosso ritmo de dois eps. por crítica.

Começamos com Norma (Vera Farmiga) na cadeia. A prova foram os fiapos do carpete do Motel encontrados na mão de Keith Summers. Os irmãos Bates dividem-se. Dylan (Max Thieriot) tenta conseguir dinheiro para alugar uma casa e afastar o irmão do raio de influência materna. Norman (Freiddie Highmore) faz de tudo para conseguir retirar a mãe da cadeia.

BATESMOTEL2

Fato que Norman tira Norma da cadeia. Mas, resta a denúncia. Cheguei a pensar que isso ira se arrastar durante a temporada. Que nada! No mesmo ep., Zack Shelby (Mike Vogel) dá uma prova de amor sumindo com as provas. Vera Farmiga transmite toda a ambiguidade de Norma com a notícia do fim da acusação. Ela estaria realmente apaixonada, ou tudo era um jogo? O gesto de Shelby seria uma prova de amor? O que Norman irá pensar?

Aliás, esses dois! Ela sai da prisão e, ao invés de abrir os braços para o filho, reclama porque ele estava com uma garota no dia da prisão. Uau! Norman tenta reverter a situação. E nada! Definitivamente a série alcança os píncaros com a dupla. Há uma interdependência. Norma necessita do filho, e Norman deseja, mas não tem forças para cortar o cordão.

Pobre do Dylan. Ele pode gastar toda lábia, mas aposto que não conseguirá afastar Norman da mãe. Ao menos não com argumentos racionais. A relação de Norman e Norma é de dependência. Um precisa do outro como uma droga. E, para acabar com um vício é preciso ser radical. Será que Dylan conseguirá? Talvez, ao menos depois do ep. 06. Mas, calma!

Ponto importante do ep. 05 é a descoberta da escrava sexual chinesa (que fala um inglês bem do seu razoável!). De uma vez descobrimos que Shelby realmente é terrível e que Norman não estava enganado (nesse ponto!).

E quero bater palmas para o desfecho do final do ep. 05. Primeiro, a calma. Norma recebendo a notícia de que a acusação foi retirada. Sente um profundo alívio e pensa que nada seria viável sem Shelby. Barulho. Novamente tensão. Procura e chega ao quarto do Motel, onde vê Norman, Emma e a escrava oriental. Norman acusa Shleby. Norma nega e vai buscar uma foto do policial. A confirmação da chinesa destrói Norma. Suas feições mudam mais uma vez. Até seus ombros caem com o peso da notícia.

BATESMOTEL1

O ep. 06 já figura como um dos mais espetaculares da série. Foi tão intenso que parecia um season finale. Foram tantos desfechos e revelações que me perguntava se os roteiristas ainda teriam bala na agulha. Aposto que sim!

Com esse ep., podemos imaginar um padrão interessante para a série. O comum em séries é cada temporada ter alguns grandes temas que começam e se resolve. Em paralelo, o tema central vai se construindo até o final da série. Em Bates Motel, ao que parece, veremos outro padrão. Haverá alguns grandes temas nos primeiros eps. que serão concluídos até o meio da temporada. Eles deixarão, contudo, uma radiação para os eps. seguintes, nos quais veremos outras novidades. Isto dará muita dinâmica para a narrativa.

Quem não quiser saber das revelações do ep. 06, pare aqui!

A narrativa foi condensada. Nos primeiros momentos, chama a atenção Dylan. Depois de ver o companheiro de crime – o capanga Ethan – ser baleado e morto ele sobre na hierarquia do crime de White Pine Bay (isso ainda vai dar muito enredo). No Motel, Norma tenta convencer Emma de ainda não denunciar Shelby. Ela quer ganhar tempo para recuperar o cinto de Keith, a única prova restante. Segue-se um das cenas mais gostosas da série, a família Bates planejando como recuperá-lo!

BATESMOTEL3

Dylan e Norman encontram o cinto no barco de Keith. Enquanto isso, Norma está transnado com Shelby. CALMA! Ela está tentando despistá-lo. É divertidíssimo ver a cara de tédio e nojo dela. Mas, como se diz, shit happens, merdas acontecem!

A escrava sexual chinesa, que provavelmente é bilíngue por falar inglês e escrever mandarim, também se provou muito idiota. Ela decide tomar banho. Claro que Shleby escuta. Norma inventa uma lorota qualquer. Mas, como falei, a escrava sexual chinesa, que provavelmente é bilíngue por falar inglês e escrever mandarim, também se provou muito idiota. Shelby bate na porta e ela abre, na maior tranquilidade, como se estivesse esperando o serviço de quarto. O grito dela completa o quadro. Instante rapidamente cômico.

Desse ponto em diante, basta dizer duas coisas: Dylan mata Shelby. E Norma revela para Dylan que da última vez que Norman entrou em estado de choque, ele matou o pai! CARACOLES! Jurava que a história da morte do patriarca dos Bates iria demorar algumas temporadas. O mistério foi substituído por novas camadas à personalidade do protagonista.

BATESMOTEL4

E os laços e Norma e Norman ficam mais insondáveis. Por que ele entra em estado de transe quando a mãe está ameaçada? É culpa da dependência que Norma sente por ele? Ou essa dependência veio por causa dos atos de Norman? Norman já nasceu um psicopata ou se tornou?

Com essa revelação, os roteiristas sublinham a grande pergunta da série: quem é Norman Bates? Ou melhor, o que é Norman Bates?!

A Morte do Demônio

(Evil Dead)

9

Elenco: Jane Levy, Shiloh Fernandez, Jessica Lucas, Elizabeth Blackmore, Lou Taylor Pucci.

Direção: Federico Alvarez

Gênero: Suspense/Terror

Duração: 91 min.

Distribuidora: Sony Pictures

Orçamento: US$ 14 milhões

Classificação Indicativa: 18 Anos

Estreia: 19 de Abril de 2013

Página no Facebook: Acessar

Sinopse: Mia (Jane Levy), uma jovem marcada pelas perdas que sofreu
e pelo vício em drogas, pede ao irmão, David (Shiloh Fernandez), à namorada dele, Natalie (Elizabeth Blackmore), e aos seus amigos de infância, Olivia (Jessica Lucas) e Eric (Lou Taylor Pucci), que a acompanhem até a cabana rústica da família para ajudá-la a superar os seus demônios. Chegando
lá, numa cerimônia solene na presença dos amigos, ela se desfaz das últimas drogas que ainda lhe restam e jura se manter longe das drogas de uma vez por
todas.

Ao entrarem na casa, eles ficam chocados ao descobrirem que a cabana abandonada havia sido invadida. O porão foi transformado num altar grotesco rodeado por uma dúzia de animais mumificados. Eric fica fascinado por um livro antigo que ele descobre no local. Atraído pelo seu conteúdo misterioso, ele o lê em voz alta, sem jamais suspeitar das consequências terríveis que este gesto está
prestes a desencadear.

Quando a abstinência de Mia se agrava, ela perde o controle e tenta fugir, mas acaba retornando, apavorada com uma visão aterradora. Na cabana, seu comportamento se torna tão violento que seus amigos se veem forçados a acorrentá-la. Presos dentro da cabana por conta de uma perigosa tempestade que assola a região, eles começam a se voltar uns contra os outros. À medida que brutalidade dos seus ataques se intensifica, David terá que encarar uma escolha inimaginável.

Curiosidades:

» Lily Collins (‘Sem Saída’), que será vista como
a Branca de Neve de ‘Espelho, Espelho Meu‘, desistiu
de estrelar o remake de ‘Evil Dead – A Morte do Demônio‘.
O motivo foi conflitos de agenda. Jane Levy (da série
‘Suburgatory’) foi contratada para substituí-la.

» Shiloh Fernandez (‘A Garota da Capa Vermelha’) será o
protagonista masculino.

» Diablo Cody (‘Juno’, ‘Garota Infernal’) reescreve o roteiro,
utilizando como base o texto do semi-desconhecido uruguaio
Federico Alvarez, que ficará com a direção.

» Sam Raimi, diretor da trilogia original, também produz.

» Recentemente, Raimi falou sobre o projeto. “O original foi filmado
em 16 mm e com um baixo orçamento, mas nossa intenção
sempre foi levar o filme aos cinemas. Agora podemos fazer
um melhor”

» Na época do primeiro filme, Raimi (que conseguiu alcançar o
sucesso absoluto dirigindo a trilogia ‘Homem-Aranha’) ainda
era um estudante de cinema e, com apenas US$ 50 mil e um bando
de amigos, construiu um filme que Stephen King definiu
como “o mais assustador e original de seu ano”.

O Acordo

(Snitch)

 

Elenco:
Dwayne Johnson, Susan Sarandon, Nadine Velazquez, Jon Bernthal,
JD Pardo, Harold Perrineau, Barry Pepper, Michael Kenneth Williams,
Benjamin Bratt, James Allen McCune, Melina Kanakaredes, Kym
Jackson, Judd Lormand, Rafi Gavron.

Direção:
Ric Roman Waugh

Gênero:
Suspense

Duração:
— min.

Distribuidora:
Playarte Pictures

Orçamento:
US$ 35 milhões

Estreia:
19 de Abril de 2013

Sinopse:
O astro de filmes de ação The Rock está de volta na história de um pai cujo filho é sentenciado a 10 anos de cadeia por envolvimento com drogas. Para reduzir a sentença do garoto, acusado injustamente, o pai concorda em atuar infiltrado em um perigoso cartel de drogas para derrubar um poderoso narcotraficante. Nesta missão, ela vai arriscar tudo — incluindo a segurança de sua família e a sua própria vida.

Curiosidades:

» —

 

Em Transe

(Trance)

 

Elenco:
James McAvoy, Rosario Dawson, Vincent Cassel, Tuppence Middleton,
Wahab Sheikh, Danny Sapani, Lee Nicholas Harris, Gioacchino
Jim Cuffaro, Ben Cura.

Direção:
Danny Boyle

Gênero:
Suspense

Duração:
101 min.

Distribuidora:
Fox Films

Orçamento:
US$ — milhões

Estreia:
3 de Maio de 2013

Sinopse: Simon (James McAvoy), um leiloeiro de arte, se une a uma quadrilha para roubar uma obra de arte no valor de milhões de dólares, mas, depois de sofrer uma pancada na cabeça durante o assalto, ele acorda para descobrir que não tem nenhuma lembrança de onde escondeu a pintura. Quando as ameaças físicas e tortura não produzem respostas, o líder da gangue (Vincent Cassel) contrata uma hipnoterapeuta (Rosario Dawson) para aprofundar os recessos mais sombrios da psique de Simon.

Curiosidades:

» Novo filme do diretor Danny Boyle, indicado ao Oscar por ‘127 horas‘. Boyle começou as filmagens em 2011, mas teve que pausar o projeto para se dedicar às Olimpíadas de 2012, que ele também filmou.

» James McAvoy (o Professor X de ‘X-Men: Primeira Classe’), Vincent Cassel (‘Cisne Negro’) e Rosario Dawson (‘MiB 2’) estrelam.

 

Gente Grande 2

TUDO EM DOBRO, MENOS O HUMOR

Fim de semana recheado de continuações de filmes de 2010 no Brasil. Depois de Percy Jackson e o Mar de Monstros, continuação de Percy Jackson e o Ladrão de Raios, ganhamos também esse Gente Grande 2, continuação do sucesso de público execrado pela imprensa especializada. O filme original foi acusado de tudo o que foi coisa, mas talvez a principal delas era o fato de que não tínhamos sequer uma história. Adam Sandler e seus comparsas simplesmente aparentavam terem saído de férias, rido muito, e rodado algumas imagens montadas como um filme. Bom, e lucrado muito também. Gente Grande rendeu para a Sony, mesmo sem uma história aparente, quase $300 milhões ao redor do mundo. O que é um absurdo.

Sandler possui seu público cativo, mas eu digo que você (lendo essa crítica) merece mais do que isso. Afinal somos nós quem pagamos pelas “férias” de um grupo preguiçoso, que se esforça pouco para criar cenas engraçadas e precisam apelar para a escatologia. Pense dessa forma, você gosta de se divertir e rir de pessoas caindo, e quando Kevin James (Professor Peso Pesado) cai ao bater contra uma árvore amarrada a uma corda (cena do primeiro filme). Lembre-se de que isso não é genuíno, e você estará rindo daquele amigo sem graça que apenas finge cair para chamar a atenção. Três anos depois e as coisas não melhoraram muito.

2

Gente Grande 2 abre com uma cena digna de Oscar, com Adam Sandler sendo visitado por um alce que invade sua casa e urina em sua cara (Ei, isso é entretenimento!) enquanto ainda está deitado na cama, e depois na cara de seu filho no banho. Os amigos se mudaram para a cidadezinha, onde apenas passavam férias no filme original. Mas enquanto o primeiro falava sobre os protagonistas, sobre a amizade e a transição para a vida adulta (eu sei, estou retirando à força uma trama do filme, pelo menos é o que a sinopse dizia), essa segunda investida na “saga” nem sequer foca neles.

O novo filme prefere apresentar situações desconexas, subtramas que não vão a lugar algum, e situações tão bizarras que seria muito mais interessante e curioso assistir às reuniões dessa turma enquanto desenvolviam esse “projeto”.  O próprio Sandler levantou a questão durante sua entrevista no programa de David Letterman, consciente do pensamento geral sobre o fato do filme não fazer uso de um roteiro. O que acontece em Gente Grande 2 é: a personagem de Salma Hayek (Professor Peso Pesado) deseja um novo filho, coisa que seu marido, Sandler, não quer.

3

De resto são situações montadas como esquetes de programas como Zorra Total, e jogadas ao longo de 101 minutos para poderem soar como algo parecido com um filme. O ex-jogador de basquete Saquille O´Neal dá as caras como um policial, e dessa vez David Spade recebe a visita de um filho que não sabia ter, idêntico a ele, porém alto, forte e criminoso.  O filme foca mais nas desventuras dos filhos dos protagonistas; e ao final tudo termina numa grande festa com temática dos anos 1980, onde muitos dos convidados (assim como o público atual de Sandler) não fazem a mínima ideia de quem são os homenageados com as fantasias.

Ah sim, ainda temos a participação do menino lobo da Saga Crepúsculo em pessoa, Taylor Lautner, realizando acrobacias reais na pele de um universitário encrenqueiro. E é claro, a cena final é uma grande briga generalizada. Temos também o irritante Nick Swardson (Dotado para Brilhar) em mais um de seus desempenhos “fascinantes” como um motorista de ônibus surreal e detestável. É claro que a maioria dos atores retornou, inclusive talentos como Maria Bello (que faz a esposa de Kevin James), afinal o salário é gordo para pouco trabalho. Mas quando nem Rob Schneider (usual colaborador de Sandler) aceita voltar, pode ser um sinal de que as coisas não vão bem…

Bling Ring: A Gangue de Hollywood

(Bling Ring)

 

Elenco:
Emma Watson, Kirsten Dunst, Leslie Mann, Brian Gattas, Carlos Miranda, Claire Alys Julien, Erin Daniels, Gavin Rossdale, Israel
Broussard, Katie Chang, Maika Monroe, Nina Siemaszko, Taissa Farmiga.

Direção: Sofia Coppola

Gênero: Suspense

Duração: 90 min.

Distribuidora: Diamond Filmes

Orçamento: US$ 20 milhões

Estreia: 16 de Agosto de 2013

Sinopse:

A história, baseada em fatos reais, acompanha um grupo de adolescentes foras-da-lei que aplicam uma série de golpes em casas de celebridades. Entre as vítimas do grupo, estavam Lindsay Lohan, Paris Hilton e Orlando Bloom.

Curiosidades:

»  Emma Watson revelou que é totalmente diferente de sua personagem, e sequer tem vontade de assistir ao filme. “Eu me odeio
neste filme, e acho que não serei capaz de assisti-lo. Esta é a primeira vez que isto acontece”, afirmou. “Mas isso é uma das maravilhas no meu trabalho. Você pode interpretar uma pessoa com a qual não se identifica”, concluiu.

» Sofia Coppola (‘As Virgens Suicidas’) dirige, e o elenco ainda conta com Taissa Farmiga (‘American Horror Story’), Claire Pfister (Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge) e Katie Chang.

 

Trailer:

 

Cartazes:

blingRing_cartazpt

 

blingring_4

 

blingring_3

blingring_2

Fotos:

 

 

 

Gente Grande 2

(Grown Ups 2)

 

Elenco:
Adam Sandler, Kevin James, Chris Rock, David Spade, Salma Hayek, Maya Rudolph, Maria Bello, Nick Swardson.

Direção: Dennis Dugan

Gênero: Comédia

Duração: 101 min.

Distribuidora: Sony Pictures

Orçamento: US$ 30 milhões

Estreia: 16 de Agosto de 2013

Sinopse:

O elenco estelar de Gente Grande está de volta (com algumas excitantes adições) para mais risadas de verão. Lenny (Adam Sandler) se mudou com sua família para a pequena cidade onde ele e seus amigos cresceram. Mas desta vez, são os adultos que irão aprender valiosas lições com seus filhos em um dia notoriamente cheio de surpresas: o último dia de aula.

Depois de se mudar com a família de volta para a sua cidade natal para estar mais perto dos seus amigos e dos filhos deles, Lenny descobre que, entre os bullies do passado e os novos bullies do presente, motoristas de ônibus esquizofrênicos, policiais bêbados em esquis e 400 penetras numa festa a fantasia, às vezes, a loucura o segue aonde ele for.

Curiosidades:

» Taylor Lautner, o lobisomem da Saga Crepúsculo, faz uma participação especial.

» Fred Wolf, roteirista do original, roteiriza ‘Gente Grande 2‘.

» ‘Gente Grande‘ (Grown Ups) arrecadou US$ 271 milhões e foi o maior sucesso comercial da carreira de Sandler.

» A Sony Pictures e a Happy Madison, produtora do ator Adam Sandler, desenvolvem.


Trailer:


Cartazes:


Fotos:

Jurassic Park 3D – O Parque dos Dinossauros

(Jurassic Park 3D)

 

Elenco: 

Sam Neil, Laura Dern, Jeff Goldblum, Richard Attenborough, Bob Peck, Martin Ferrero, Josph Mazzello, Ariana Richards, Samuel L. Jackson.

Direção: Steven Spielberg

Gênero: Aventura

Duração: 127 min.

Distribuidora: Universal Pictures

Orçamento: US$ 63 milhões

Estreia: 16 de Agosto de 2013 – Lançamento original: 1993

Sinopse:

Um parque construído por um milionário (Richard Attenborough) tem como habitantes dinossauros diversos, extintos a sessenta e cinco milhões de anos. Isto é possível por ter sido encontrado um inseto fossilizado, que tinha sugado sangue destes dinossauros, de onde pôde-se isolar o DNA, o código químico da vida, e, a partir deste ponto, recriá-los em laboratório. Mas, o que parecia ser um sonho se torna um pesadelo, quando a experiência sai do controle de seus criadores.

Curiosidades:

»A Universal anunciou que o relançamento em 3D já tem data de estreia: 19 de julho de 2013. A data marca 20 anos da estreia do primeiro ‘Jurassic Park‘ (sim, também estamos nos sentindo velhos…).

» “O primeiro Jurassic Park tem um ótimo material para ser convertido para o 3D. Na minha opinião, James Cameron fez o melhor filme 3D da história do cinema com Avatar. Ele é quem irá nos ensinar mais uma lição [convertendo Titanic para o 3D]. Se seguirmos seus passos, mais filmes serão convertidos. Mas o único que quero converter é o o primeiro Jurrasic Park”, revelou o diretor e produtor Steven Spielberg.

Bling Ring: A Gangue de Hollywood

Cínico e provocante: Sofia Coppola, em proposta documental, sintetiza uma geração com um caso verídico.

A busca por destaque e rápida ascensão sempre foi algo muito recorrente na mente de grande parte dos adolescentes, de um modo geral. Estar engajado dentre os mais populares, exibir bens materiais e expor seu cotidiano abertamente, é pra alguns o caminho mais fácil de alcançar tal objetivo. Principalmente, em momentos como esses, que as redes sociais são, de certa forma, uma espécie de ponte e mosaico, que possibilita o massagear de egos e facilita a exposição pública da vida destas pessoas.

Então, não havia melhor época para levar isso às telonas e trazer uma linha de debate sobre a futilidade da geração atual, que perdeu a noção do que é certo e errado, simplesmente por tentar se firmar num status quo vazio e frívolo. Como também é correto afirmar que a cineasta americana Sofia Coppola, filha de Francis Ford Coppola, foi, de fato, a escolha certa para essa empreitada. Pois, além de partilhar disso tudo, diretamente, ela sempre foi boa em analisar personagens que conseguiram o acesso à fama, mas são socialmente frustrados, e vivem numa constante solidão – assim como fez em sua obra prima Encontros e Desencontros, ou no recente e alternativo Um Lugar Qualquer.

emma-watson-bling-ring

Há poucos anos atrás, tivemos notícias que um bando de jovens desocupados, de classe media alta, tiveram a brilhante ideia de formar uma pequena quadrilha, que teria a seguinte função: entrar sorrateiramente na casa de famosos, surrupiar dinheiro e objetos pessoais das vítimas, para que depois pudessem vender e exibir aos colegas, em festas, boates e, até mesmo, nas próprias redes sociais. Algo, obviamente, sem sentido, para alguém em sã consciência, mas não para esse grupo e seu meio social.

Celebridades como Paris Hilton, Orlando Bloom, Rachel Bilson e, sim, Lindsay Lohan – ela mesmo que já foi acusada e sentenciada por ter cometido delitos semelhantes aos destes delinquentes – tiveram suas residências invadidas e perderam cerca de US$ 3 milhões (R$ 6 milhões) em dinheiro e artefatos. Alguns dos artistas, como Paris Hilton – a própria heroína de barro dos ladrões juvenis –, só vieram dar falta dos objetos, depois de três ou mais furtos dos sujeitos – sim, eles não só repetiam visitas nas mansões roubadas outrora, como também davam festas por lá. O que só que ratifica a ingenuidade (imbecilidade) desses garotos, em relação aos crimes que cometiam.

É nisso, então, que Bling Ring: A Gangue de Hollywood se baseia, prometendo ser um grande sucesso provocador, que irá mexer com diversos públicos, de variadas faixas etárias.

blingring

Engendrando uma narrativa bastante orgânica, Sofia Coppola é esquemática, segue o ritmo cool daquela atmosfera e desenvolve bem cada personagem de sua estória. Em vinte minutos de exibição, o espectador já tem uma opinião formada, em relação a cada figura da trama. Ou você, imediatamente, toma asco e começa a detestá-los, ou embarca, com eles, naquela que, pra muitos, é uma aventura inesquecível ou “experiência de vida” – como afirma a personagem Nicki, brilhantemente interpretada por Emma Watson (a eterna Hermione da saga Harry Potter). Com ideais tolos e de uma falsidade inacreditável, ela é propositalmente desagradável e sintetiza todos os elementos e referenciais de seu grupo.

E assim, em cima de cada personalidade, a diretora vai construindo e enriquecendo seu conto. Colocando em prática, de forma sínica, os sonhos pueris e a equivoca consolidação do sucesso de seus protagonistas. Como, por exemplo, o enrustido Marc (Israel Broussard), que ver na amizade da líder da gangue e personagem mais canalha do grupo, Rebecca (Katie Chang), uma oportunidade para ser ele mesmo. Podendo se assumir como homossexual, e sendo feliz e popular, como sempre desejou. Mas que depois irá descobrir uma realidade não tão incendiária.

4c4ed452dd8852d9cc_q5m6ii5jo

Mesmo sem ir mais afundo, não desenvolvendo um maior estudo psicológico sobre o tema abordado, Sofia em nenhum instante perde a mão. Com um roteiro bastante enxuto, assinado por ela mesmo, o filme tem um time ideal e diálogos espertos. Até mesmo em aspectos estéticos, a fita acerta e impressiona. A fotografia do sempre excelente Harris Savides (Milk – A Voz da Igualdade) – que aqui faz seu último trabalho, pois este veio a falecer no ano passado –, é aqui bastante intensa e cintilada. Ressaltando todo brilho daquele universo e destacando o figurino e a direção de arte; que também acerta, por se atentar nas principais grifes/marcas, e em maiores detalhes, que são fundamentais para que a trama torne-se mais crível. Esses e outros artifícios fazem com que o espectador deixar-se levar completamente pela estória, parecendo estar assistindo a algo quase que documental.

Em suma, acredito que Sofia Coppola e sua jovem equipe tenham conseguido, sim, obter êxito em sua proposta de deixar registrado, na sétima arte, esse curioso fato. Que, de certa maneira, imprime bem essa geração e gênese das mídias e redes sociais, e sua apavorante capacidade, que vai além do que muitos pensariam que pudesse acontecer. Servindo até como uma espécie de aviso, para que os responsáveis possam participar mais da vida igualitária de seus filhos. Pois, a única coisa que eles são vítimas, e têm em comum, é justamente a ausência dos pais, que nunca os colocaram limites ou partilharam, pontualmente, suas duvidas e incertezas.

Círculo de Fogo (3)

MATANDO SAUDADES DE JASPION!

Quem via na juventude filmes do Godzilla ou é mais novo e acompanhava as séries de heróis japoneses na televisão, deve se deleitar com o último trabalho de Guillermo del Toro. Em Círculo de Fogo, monstros gigantescos saem de fendas no Oceano Pacífico e começam a destruir as cidades. São os chamados Kaijus. Os governos de todo o planeta se unem e criam o projeto Jaeger. ­Robôs tão grandes quanto os Kaijus, os Jaegers começam a ganhar as batalhas, até que criaturas ainda maiores aparecem.

E quando se fala em grandes, pensem em gigantes. Se falarmos em gigantes, pensem em hipergigantes. Enfim, para sermos moderninhos, são ubergigantes! Os que assistiam aos seriados e filmes de heróis/monstros japoneses vão se lembrar que, para criar a ideia de gigantismo, os cenários eram formados por prédios ou montanhas em miniatura que malmente ultrapassavam os pés dos monstros.

5

Del Toro foi profundamente influenciado por esses filmes. E Círculo de Fogo carrega as características básicas daqueles velhos japoneses: brigas elaboradas, criaturas incríveis, robôs poderosos. Del Toro é um cineasta com visão plástica sofisticada. Em seus filmes predominam enquadramentos de qualidades, uma câmera leve – mesmo em cenas de ação – e, uma marca, a incrível capacidade de criar criaturas fantásticas. Quem assistiu ao Labirinto do Fauno tem marcado na memória criaturas como aquele com os olhos nas mãos.

Del Toro usa essa potência visual para modernizar os velhos monstros japoneses. A proximidade estética com os originais foi mantido, tanto que, se não existissem efeitos visuais, poderiam ser feitas fantasias para atores vestirem. Claro, teriam que criar uma Hong Kong em miniatura!

circulodefogo_17

O apuro estético se revela também na direção de câmera e na edição. Nada de cortes rápidos, como imagens trocando a cada segundo. Del Toro opta por demorar a fazer o corte. Comparando com Transformers, no qual a rapidez das imagens pode desnortear o espectador, em Círculo de Fogo conseguimos apreciar detalhes de cada criatura, de cada luta.

Outra marca da direção de del Toro é a capacidade de conciliar entretenimento popular com qualidade. Em outras palavras, ele fala com o grande público sem tratá-lo como um bando de idiotas. É fácil ouvir alguém falando que para apreciar certo filme é preciso desligar o cérebro. Aqui não tem disso!

Círculo de Fogo respeito a inteligência do seu público. São 131 mins. de narrativa ágil, com união sequências de ação com uma história emocionante. A direção não foco apenas nas lutas. Há uma dimensão humana no filme. A saída encontrada é a forma como os Jaegers são controlados. Duas pessoas com suas memórias entrelaçadas. Um sente o que o outro sente. Claro que os protagonistas Raleigh Becket (Charlie Hunnam) e Mako Mori (Rinko Kikuchi) são as figuras mais aprofundadas. Contudo, a narrativa é tão equilibrada que sobra espaço para nos envolvermos com outras pessoas, como Herc Hansen (Max Martini) e seu filho Chuck Hansen (Robert Kazinsky). Não há emoção barata. Não temos personagens-carcaças, todos conseguem ter alguma personalidade.

8

Claro que não estamos falando de personagens de profundezas abissais. Mas não são apenas figuras. Há humanização nesses sujeitos. E isso é moeda rara em certo cinema de ação. E tudo embrulhado em pura nostalgia. Nossa! Matei saudades do Jaspion!

Você de Novo

 

(You Again)

Elenco: Kristen Bell, Sigourney Weaver, Betty White, Kristin Chenoweth, Odette Yustman, Jamie Lee Curtis, Christine Lakin, Cloris Leachman, Victor Garber, James Wolk, Kyle Bornheimer, Patrick Duffy, Billy Unger.

Direção: Andy Fickman

Gênero: Comédia

Duração: — min.

Distribuidora: Disney Brasil

Estreia: Direto em DVD – Abril de 2011

Sinopse: Marni (Kristen Bell) é uma jovem bem sucessedida que vai até a casa dos pais para comemorar a festa de noivado de seu irmão. Lá, ela conhece a noiva, Joanna (Odette Yustman), a garota que fez a vida dela um inferno nos tempos da escola.

Curiosidades:
» —

Círculo de Fogo (2)

SAIAM DA FRENTE TRANSFORMERS!

Sonho de consumo de todo fanboy amante de ficção científica, quadrinho de super-heróis, e filmes de terror envolvendo monstros gigantes, finalmente chega o aguardado “Círculo de Fogo”, um dos filmes mais esperados também pelos fãs do cinema blockbuster em geral. Saída da mente criativa do mexicano Guillermo del Toro, uma autoridade no cinema de criaturas – tendo em seu currículo filmes como “Cronos”, “Mutação”, “Hellboy” e “O Labirinto do Fauno” –  a obra era um dos projetos dos sonhos do cineasta, e um dos poucos que de fato viu a luz do dia (del Toro viu diversos planos serem engavetados).

Bancado pelo Warner, a superprodução de 180 milhões de dólares ganha muitos pontos por ser uma ideia totalmente original (não sua estrutura ou subgênero, mas sua trama) saída de apenas uma fonte, a mente exótica de del Toro. Numa Hollywood regida por sequências, filmes de heróis de quadrinhos, adaptações literárias infanto-juvenis e jogos de vídeo game, é muito bom ver emergir obras como “A Origem”, “Super 8”, “Ted”, “Elysium”, e outros mais, que são homenagens ao cinema e a gêneros específicos, mas acrescentando muito, que se tornaram extremamente bem sucedidos, num mercado muito competitivo e dominado por ideias pré-estabelecidas.

6

A ideia básica aqui, e mote para vender o filme é “robôs gigantes contra monstros gigantes”. A narração inicial nos situa aonde a humanidade se encontra. No futuro, não muito distante, grandes seres alienígenas chegam ao nosso planeta, não vindos do espaço, mas de uma fenda aberta no oceano Pacífico, que justamente leva o título genérico em português (que iria se chamar “Gigantes do Pacífico”, mas por determinação de del Toro, em todos os países o filme deveria levar o título da famosa parte do globo).

As maiores e mais ameaçadoras criaturas que já tivemos conhecimento chegam para nos devastar, e elas são conhecidas como Kaiju (criatura estranha, ou monstro), termo usado para definir um subgênero muito popular no cinema japonês. São filmes de monstros como “Godzilla”, por exemplo. Quando nada mais parecia dar certo, os humanos desenvolvem os Jaegers (caçadores), robôs imensos confeccionados para exterminar as gigantescas pragas e garantir assim a nossa sobrevivência.

7

Como explicados, tais colossos de puro metal só funcionam conectados às mentes de seus “pilotos”, sempre em pares, já que o ato exige demais de suas mentes para ser controlado por apenas uma pessoa. Precisa existir um forte elo mental, uma coexistência psíquica. Geralmente são utilizados irmãos, pais e filhos, ou pessoas muito ligadas.

A história é muito legal, mas muitos irão dizer que não é o que importa aqui. Se enganam. Vivemos execrando produções pipoca que não se importam com sua trama. Essa se importa e tudo é minuciosamente detalhado. O que pode ser dito é que tudo é fantasioso demais, isso sem dúvidas, mas se você se dispôs a assistir ao filme, sabe exatamente do que ele trata.

8

Círculo de Fogo” é o que de melhor o cinema pipoca tem a oferecer, e dentro do que foi planejado é um dos melhores blockbusters do ano. Tudo é bem confeccionado, inclusive cenas assustadoras quando percebemos a escala das criaturas, seja perseguindo uma pequena menininha perdida, ou navegando os mares ao lado de uma pequena embarcação pesqueira.

Os personagens são levemente esboçados, mas bem desenvolvidos dentro dos limites de um filme pipoca de Hollywood (algo como “Velozes 6” havia feito recentemente). Encontramos inclusive pequenos arcos dramáticos, como o da bela Rinko Kukuchi, indicada ao Oscar por “Babel”. Idris ElbaCharlie HunnamCharlie Day, e principalmente Ron Pearlman dão conta suficiente do recado.

del Toro segue como um dos diretores mais criativos de uma indústria perto da falência de boas ideias. “Círculo de Fogo” é diversão garantida e adrenalina pura, que não te deixará levantar para ir ao banheiro sequer.

A Aventura de Kon-Tiki

KON-TIKI É AVENTURA DE PRIMEIRA PARA ADULTOS

A Aventura de Kon-Tiki” foi um dos indicados ao Oscar desse ano na categoria de filme estrangeiro. A produção representou a Noruega na disputa ao maior prêmio da sétima arte, mas ficou “a ver navios” (com o perdão do trocadilho) quando o impactante “Amor”, de Michael Haneke arrebatou a estatueta.  Baseada em fatos reais, essa co-produção entre Reino Unido, Noruega, Dinamarca, Alemanha e Suécia, pode ser considerada uma obra grande em escala, mesmo tendo custado apenas um pouco mais de $16 milhões.

Sem rostos conhecidos no elenco, e falado basicamente todo em outro idioma que não o inglês, o filme é de muito fácil acesso e digestão para qualquer tipo de público, mesmo os que não são chegados em obras fora do circuito de Hollywood. A história narra a vida do icônico explorador e aventureiro Thor Heyerdahl. Logo no início do filme, o encontramos ao lado da esposa vivendo com uma tribo numa ilha. É justamente a temporada no local que o leva a formular sua próxima aventura.

2

O protagonista descobre que a tribo local da Polinésia era hereditária de sul americanas, e decide provar para o mundo que os antigos fizeram a travessia numa jangada por oito mil quilômetros. Saindo do Peru, a tribo Inca se fixou na Polinésia, e lá deixou o totem conhecido como Kon-Tiki, uma homenagem ao Deus Sol. É justamente ao ver tal imagem, que o protagonista fez da travessia um dos objetivos de sua vida.

Narrado de forma dinâmica pelos diretores Joachim Ronnin e Espen Sandberg, o filme leva seu tempo para desenvolver seus personagens antes de jogá-los ao mar. E assim vemos o protagonista tentando arrecadar fundos para a sua jornada e tentando convencer estudiosos de sua teoria. O patrocínio só chegou quando o próprio governo peruano decidiu bancar a investida.

3

O filme rende ainda momentos divertidos de alívio cômico antes da grande viagem, como quando Heyerdahl confunde o presidente sul americano com seus serventes no palácio. A travessia em si ocupa boa parte da obra, e são momentos de tirar o fôlego. Uma fotografia belíssima, intercalada com todos os momentos de tensão imagináveis e problemas surgidos com uma missão tão perigosa.

Desde tubarões (que causam mais nervosismo do que filmes voltados somente a isso), até tempestades e falta de comunicação. A esposa abandonada, e então parceira de aventuras do protagonista, também se torna um elemento importante na obra, assim como a personalidade de cada um dos explorados que ao lado de Heyerdahl se jogam ao infinito, tendo como referência apenas a determinação de seu líder.

4

O interessante aqui são as possibilidades de acontecimentos e a imprevisibilidade da trama, que apesar de ser baseada em eventos reais, guarda incerteza para pessoas que não sabem nada dessa história, e entraram totalmente no escuro para assistir ao filme, como o que vos fala. E assim se torna uma experiência mais satisfatória ainda, sabendo apenas a sinopse geral dos eventos, e a adrenalina trazida por situações e cenas que nos emergem nos acontecimentos apresentados como se fizéssemos parte do grupo.

Justamente por isso “A Aventura de Kon-Tiki” causa grande atração para todo tipo de público, desde os que procuram uma história edificante de vida, aos que querem apenas distração e diversão recheadas de adrenalina. Os diretores noruegueses foram responsáveis pelo fraco faroeste “Bandidas”, que juntou as amigas Salma Hayek e Penélope Cruz, mas após “Kon-Tiki” foram escalados para o comando de “Piratas do Caribe 5”, que contará com um orçamento mais enxuto após o fiasco de “O Cavaleiro Solitário”. Quem dera o próximo filme do Capitão Jack Sparrow pudesse ter a qualidade dessa aventura marítima.

Os Escolhidos

(Dark Skies)

 

 

Elenco:

Keri Russell, Josh Hamilton, J. K. Simmons, Dakota Goyo, Kadan Rockett, L. J. Benet, Rich Hutchman, Myndy Crist, Annie Thurman, Jake Brennan, Ron Ostrow, Tom Costello, Marion Kerr.

Direção: Scott Charles Stewart

Gênero: Ficção Científica

Duração: 97 min.

Distribuidora: Imagem Filmes

Orçamento: US$ 3,5 milhões

Estreia: 9 de Agosto

Sinopse:

Daniel (Josh Hamilton) e Lacey (Keri Russel) levam uma vida pacata no subúrbio, até que seu filho Jesse (Dakota Goyo) passa a agir de maneira estranha e paranormal. A partir daí a vida de todos começa a mudar e uma série de acontecimentos misteriosos passam a fazer parte da rotina da casa. A família terá que lutar pela sua sobrevivência, sendo a única forma de salvação se manterem unidos.

Curiosidades:

» Scott Charles Stewart (‘Padre’ e ‘Legião’) roteiriza e dirige, e Keri Russell (‘Missão Impossível 3’) estrela. Stewart tem uma ótima mão para a direção, mas o roteiro de seus dois filmes anteriores foram bem desastrosos…

» O produtor é Jason Blum, de ‘Atividade Paranormal‘, ‘Sobrenatural‘ e ‘A Entidade’.

Trailer:

 

Cartazes:

escolhidos_1

darkskies_1

darkskies_3

darkskies_4

Fotos:

Camille Claudel, 1915

MAIS UM TOUR DE FORCE DA FANTÁSTICA JULIETTE BINOCHE 

A obra do diretor Bruno Dumont (“O Pecado de Hadewijch”), “Camille Claudel 1915” é baseado na história real da artista francesa, escultora, que foi amante do icônico Auguste Rodin. A personagem histórica já havia sido levada às telas anteriormente, no que talvez seja o mais conhecido filme sobre a artista, intitulado apenas “Camille Claudel”, de 1988, dirigido por Bruno Nuytten, e protagonizado por Isabelle Adjani como Claudel e Gérard Depardieu como Rodin.

 O épico do diretor Nuytten contava com 175 minutos de projeção, e focava na história de Claudel e Rodin, no seu relacionamento profissional e íntimo. Já no filme de Bruno Dumont, adentramos a história com Camille Claudel presa no sanatório ao qual foi confinada, e nele passou o resto de sua vida, até sua morte na década de 1940. A musa francesa Juliette Binoche dá vida a essa versão de Claudel como uma mulher sofrida, extremamente amargurada e paranoica.

2

Trancafiada ao lado de deficientes mentais, muitos dos quais não conseguem nem falar, a artista é posta a uma verdadeira prova de sanidade, afastada do mundo, e podada de seu dom. Como explica seu irmão, Paul Claudel (Jean-Luc Vincent), quando Camille chegou aos trinta anos de idade e percebeu que Rodin não se casaria com ela, a artista teve um surto. Achando que o mundo estava contra ela, tentando roubar seu trabalho, em especial seu agora grande desafeto Rodin, Camille se isola num hotel por anos, se afastando dos amigos e família.

Depois de se tornar esquizofrênica, e com ideias de suicídio, a triste história de Camille Claudel, que tinha uma vida promissora e uma brilhante carreira pela frente, com trabalhos comparáveis aos de seu mestre Rodin, termina seus dias no sanatório, amparada por freiras e doentes. O que pode ser visto como um teste de força e bondade, como um grande desafio imposto pelo destino a caminho de sua sanidade, coisa que nunca chega. Como no filme mostrado por Dumont, mesmo no local para curar-se, Claudel acreditava que seria envenenada, e cozinhava suas próprias refeições.

3

Camille Claudel 1915” se assemelha a “Os Contos Proibidos do Marquês de Sade”, sem o mesmo glamour da grande produção de Philip Kaufman, e com um local mais ameno, onde a protagonista dessa vez tem toda a liberdade de ir e vir, e circular pelos arredores de seu cárcere. “Camille Claudel 1915”, como planejado, é um filme estarrecedor, sufocante e triste, onde a primeira percepção é a de uma vida estragada por sua própria mente.

Algo parecido com o que aconteceu com a escritora Sylvia Plath, como visto no filmeSylvia”, com Gwyneth Platrow. A performance de Binoche é forte e irretocável, esse é um papel exigente, e uma atriz do status da francesa, com 49 anos completos, poderia estar confortável em aceitar papéis mais tranquilos, longe de grandes desafios que a exijam dessa forma, emocionalmente e fisicamente (já que Binoche tem mais uma cena de nudez frontal em sua carreira aqui).

Mas isso é o que determina uma grande atriz, que não se acomoda com a idade, e deixa de evoluir. A obra do diretor Dumont é inquietante, mesmo em sua maioria parecendo estática. O que ele consegue satisfatoriamente ao lado de sua estrela é nos transparecer o que foi o inferno para a personagem, e o que é o inferno para qualquer um sem o domínio de sua mente.

Os Escolhidos

ATIVIDADE PARANORMAL ENCONTRA SINAIS

Lançado no início do ano nos Estados Unidos, “Os Escolhidos” (Dark Skies) fez certo sucesso por lá, e conseguiu entrar no ranking dos filmes mais vistos por dois fins de semana consecutivos. Levando em conta que essa é uma produção pequena, sem grandes nomes no elenco ou atrás das câmeras, o feito impressiona. Também faz parte de um gênero específico, mirado aos jovens e que não costuma chamar muito a atenção do grande público. A produção terminou sua carreira nos cinemas americanos com o saldo de quase $20 milhões, o que para o seu orçamento de $3.5 milhões, é um bom número.

No Brasil, o filme foi anunciado há meses pela distribuidora Imagem Filmes, mas sua estreia foi adiada. A distribuidora deve ter ficado indecisa se lançaria a produção nos cinemas ou diretamente para home vídeo (a segunda opção seria o mais adequado). Voltando atrás, a Imagem lança nesse fim de semana (pelo menos assim estão anunciando uma segunda vez), essa obra básica de terror e ficção científica. Extremamente genérico, o filme apresenta a típica família dos subúrbios americanos, sendo atormentada por forças malignas sobrenaturais. Nada que não tenhamos visto centenas de vezes, sejam as ameaças fantasmas, assassinos, animais ensandecidos ou criaturas vindas de outros planetas, como é o caso aqui.

Cine 2

A produção utiliza temas recorrentes em outras obras bem sucedidas do gênero, obviamente querendo entrar no filão. Na narrativa é incluída até mesmo a estética do found footage, imagens registradas como se fossem reais, vide “Atividade Paranormal”, “A Bruxa de Blair”, “Cloverfield”, e tantos outros. Aqui, elas acontecem quando o pai da família, vivido por Josh Hamilton (do excelente “Frances Ha”), percebe as situações estranhas acontecendo ao redor de seus filhos e esposa, e resolve filmar com câmeras de segurança caseiras seu sono. “Os Escolhidos” é uma dessas produções que devem ser feitas com um manual dos clichês de cada gênero ao lado. Uma brincadeira divertida, já que o filme em si não oferece muita novidade, é contá-los durante a projeção.

Crianças se comportando de forma estranha e assustadora. Checado. Pássaros se chocando contra janelas, acompanhado de som alto para o susto. Checado. Uma mãe amorosa e desesperada, que não sabe mais o que fazer para salvar sua família. Checado. Vultos saindo das sombras. Checado. Um veterano especialista no sobrenatural, que irá ajudar a família, e dizer exatamente o que devem fazer, por já ter ele mesmo vivenciado a situação. Checado. O pai, a princípio incrédulo, se comporta de forma errática, e presencia ele mesmo os incríveis eventos. Checado. Um clímax que pega emprestado de uma obra chamativa do gênero. Checado.

Cine 3

O único momento interessante e original do filme, é quando o filho mais jovem do casal começa a aparecer com estranhas marcas pelo corpo, ao que os outros pais da vizinhança começam a desconfiar de abuso infantil da parte do casal de protagonistas. Keri Russell, a eterna “Felicity”, protagoniza como a mãe da família. Russell é uma boa atriz que não teve muitas oportunidades no cinema (J.J. Abrams não pode resgatá-la sempre para seus filmes). E aqui ela se sai bem, o problema é que está presa a um material pouco inspirado. Se ao menos o filme tivesse rendido mais, Russell poderia ser associada à boa bilheteria para próximos projetos, já que seu nome puxa o filme. O que pode ainda acontecer, pois como dito, esse foi um sucesso modesto. “Os Escolhidos” foi escrito e dirigido por Scott Stewart, de certa forma um especialista nesse tipo de filme, tendo comandado também produções como “Legião” e “Padre”. A obra é recomendada apenas para os apreciadores do gênero.