Paramount acusa Netflix de fazer campanha contra fusão com a Warner Bros. Discovery

Makan Delrahim, advogado e diretor jurídico da Paramount, indicou recentemente que a Netflix está agindo nos bastidores para desestabilizar a aprovação da fusão de US$ 111 bilhões entre a Paramount e a Warner Bros. Discovery. De acordo com informações obtidas pela Variety, Delrahim acusa a gigante do streaming de fazer de tudo para “envenenar reguladores e outras partes interessadas” contra o negócio.

Em uma carta enviada em 5 de junho aos advogados da Divisão Antitruste do Departamento de Justiça dos EUA (DOJ), Delrahim não poupou críticas à postura da concorrente:

“A reação em nível de pânico da Netflix e sua campanha para tentar envenenar reguladores e outras partes interessadas contra a transação mostram o quanto a Netflix vê a Paramount como uma concorrente em escala”, escreveu.

O documento foi uma resposta direta a um relatório protocolado em março pelo sindicato International Brotherhood of Teamsters. O grupo trabalhista havia solicitado ao DOJ o bloqueio da fusão, temendo cortes em massa de empregos e a redução de produções em solo americano.

Segundo o diretor jurídico, a Netflix estaria inflando esses temores ao comparar a fusão atual à compra da 21st Century Fox pela Disney em 2019, sugerindo que grandes consolidações destroem postos de trabalho.

“Entendemos que, como parte de sua guerra por procuração contra esta transação, a Netflix tentou convencer os Teamsters e outras partes interessadas de que a aquisição da Fox pela Disney teve um impacto negativo na produção de conteúdo e nas oportunidades de trabalho. Francamente, a narrativa da Netflix de que ‘o céu está caindo’ se distancia significativamente da realidade”, rebateu o advogado na carta.

Questionada pela Variety, a Netflix rebateu as acusações de forma categórica: “Essas alegações da Paramount Skydance são absurdas. Nós abandonamos esse acordo há meses e permanecemos focados em nossos próprios negócios, não nos deles. No fim das contas, cabe aos reguladores aprovar ou não a transação e determinar se ela é do melhor interesse da indústria e de todos os envolvidos”.

Por outro lado, o sindicato dos Teamsters, que representa cerca de 15 mil profissionais da indústria audiovisual, manteve seu posicionamento firme, classificando a fusão como uma “ameaça direta aos trabalhadores do cinema e da televisão em todo o país”.

Fusão entre Paramount e Warner Bros. Discovery entra no radar de órgão antitruste do Reino Unido

Delrahim rejeitou o pessimismo dos trabalhadores, argumentando que a nova empresa dependerá justamente do aumento da produção de conteúdo para se tornar competitiva contra Netflix, Disney+, Hulu e Prime Video, plataformas que, segundo ele, hoje possuem uma escala inalcançável para a Paramount+ e a HBO Max isoladas.

“Uma competição mais intensa para produzir mais conteúdo em toda a indústria do entretenimento resultará em mais oportunidades para os trabalhadores sindicalizados. Em resumo, este acordo é uma vitória para os Teamsters e outros sindicatos. Mais filmes e séries em produção significam mais empregos em transporte, locações, elenco e catering. A empresa combinada não terá incentivo para reduzir o motor de produção que impulsiona sua competitividade”, detalhou.

Para sustentar a tese de que o caso da Fox não serve como parâmetro, ele destacou que:

  • A Disney já reduzia sua produção antes de comprar a Fox;
  • A pandemia de Covid-19 distorceu os dados de lançamentos globais da época;
  • O CEO David Ellison assumiu o compromisso de lançar pelo menos 30 filmes por ano após a fusão.

Por fim, documentos enviados à FCC expuseram a engenharia financeira por trás do negócio: a empresa combinada terá 49,5% de seu controle nas mãos de investidores estrangeiros. Desse montante, cerca de 38,5% das ações pertencerão aos fundos soberanos da Arábia Saudita, Catar e Abu Dhabi, que juntos injetaram cerca de US$ 24 bilhões para financiar a ousada oferta da Paramount pela Warner Bros. Discovery.

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José Guilherme
José Guilherme
José Guilherme é jornalista formado e apaixonado por boas histórias desde a infância. Atua na cobertura de cultura desde 2023, com foco em cinema, séries e animes. Entusiasta do audiovisual, também valoriza boas conversas tanto quanto grandes narrativas.