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PRIMEIRA MÃO: Criador de ‘Palm Royale’ revela que adoraria comandar um spin-off focado em [SPOILER]


Após um ótimo primeiro ano, ‘Palm Royale’ retornou com sua aguardada 2ª temporada, que chegou recentemente ao catálogo da Apple TV.

Estrelada por Kristen WiigLaura Dern, a trama nos leva para a idílica e intocável high society de Palm Beach, na Flórida, no final dos anos 1960 – e acompanha a forasteira Maxine Dellacorte-Simmons (Kristen Wiig), que luta para conquistar um lugar em meio a um seleto grupo através do clube de campo mais exclusivo da cidade, o Palm Royale, aprendendo no processo o que ela fará e o que não fará para alcançar seu objetivo. E, após um bombástico season finale, as expectativas para as desventuras de Maxine estão mais altas do que nunca.

Recentemente, o CinePOP teve a oportunidade de participar de uma coletiva de imprensa com o criador da série, Abe Sylvia, que nos disse como foi regressar a esse colorido, vibrante e perigoso mundo – e até mesmo revelou que tem planos de construir um spin-off focado em uma das personagens principais.



Confira:

Como foi retornar a esse universo e explorar as complexidades da alta sociedade de Palm Beach?

Bem, nós definitivamente queríamos começar com Maxine em um lugar onde o mundo inteiro estivesse contra ela. Nós a encontramos literalmente em uma camisa de força, e sabemos que essa é uma mulher ambiciosa, com uma noção de sua própria glória pessoal, e literalmente o mundo a aprisionou, assim como Linda, e essas mulheres estão literalmente presas. É algo que realmente aconteceu em Palm Beach naquela época. Nós não inventamos isso.

Se uma esposa se tornasse muito rebelde, diziam que a internariam. A chamariam de louca. Quero dizer, isso acontecia repetidamente na alta sociedade, e não era só isso, mesmo que a gente trate o assunto com um toque de humor.

Isso era algo muito real que acontecia com as mulheres em Palm Beach naquela época. Então, sabe, é incrível, não é só uma metáfora, é uma realidade. […] Tudo gira em torno de como essas pessoas marginalizadas tiveram que se virar quando o mundo estava literalmente tentando mantê-las em cativeiro.

Há uma constante de reinvenções que acompanha cada um dos personagens. O que “reinvenção” significa para você dentro desse universo?

Bem, eu adoro essa pergunta porque é um dos maiores temas da série e é como nós sobrevivemos na vida.

Temos que nos transformar, especialmente se não planejamos viver uma vida estática. Então, na primeira temporada, Maxine pensava: “OK, se eu fizer todas essas coisas e me comportar como essas mulheres, posso ser uma espécie de rainha da cidade”. E o que ela aprende é que, assim como todos os personagens, não existe apenas uma identidade, não existe uma única versão pessoal, a melhor versão de si mesmo. Você vai ser 50 ou 60 pessoas diferentes até o fim da vida, se quiser continuar no jogo.

A personagem de Vicky Lawrence, em um dos episódios, diz que se você viver o suficiente como mulher, você será muitas pessoas e todas elas serão você. E esse é um dos maiores temas da temporada.

As mulheres nesta história – especialmente Maxine, Evelyn e Norma – realmente quebram as regras de poder dos anos 1970. O que o levou a adotar essa perspectiva?

Ser criado por uma feminista, por uma mãe iconoclasta que, durante as décadas de 60 e 70, não seguia as regras dos outros e dizia que o segredo da vida é viver com integridade, mesmo enquanto você está em busca de seus próprios sonhos e objetivos, especialmente se esses objetivos… Sabe, se não houver um caminho para você, você precisa criar o seu próprio. Então, fui criado por alguém que me transmitiu isso e foi um ótimo exemplo.

O que você pode nos contar sobre o que a 2ª temporada irá explorar?

Bem, acho que elevamos o nível em relação à primeira temporada. Acho que a série está mais maluca.

Acho que é mais engraçado. Acho que as situações são mais extremas. Acho que o que nos permitimos fazer foi, depois de ver como foi a primeira temporada, dizer que o céu é o limite para onde podemos levar essas mulheres, e temos talento suficiente no nosso elenco para ir a qualquer lugar.

‘Palm Royale’ é uma sátira pungente sobre a alta sociedade – mas também fala sobre solidão e ambição. O que o inspirou a usar o glamour de Palm Beach como um retrato da natureza humana?

Essa é uma pergunta incrivelmente perspicaz e instigante. Sabe, quando comecei, eu me inspirava apenas em imaginar como provavelmente seria a vida das mulheres nas fotografias de Aaron. Mas agora, depois de três ou quatro anos trabalhando na exposição, vimos como Palm Beach se tornou um verdadeiro centro cultural e de poder nos Estados Unidos e no mundo.

Então, sabe, ninguém poderia ter previsto. Eu mesmo não poderia ter previsto como escritor, que todas as figuras poderosas do mundo estariam indo para Mar-a-Lago para bajular o presidente. Eu não sabia disso oito anos atrás. Mas aqui estamos. É uma espécie de feliz coincidência que agora tenhamos este palco para contar esta história que, embora se passe em 1969, é incrivelmente relevante.

Você consideraria desenvolver um spin-off focado em um dos personagens?

Sim, e nós conversamos muito sobre isso na sala dos roteiristas. Nós inventamos algumas ideias, e certamente nenhuma delas foi sequer escrita. Mas nós meio que pensamos: “nossa, não seria divertido se um dos personagens falasse sobre essa época da vida dele, tipo uma série sobre essa época?”. Estávamos brincando, uma das nossas séries favoritas, que provavelmente nunca vamos conseguir fazer, é uma série fictícia chamada Dinah of Park Avenue.

E é sobre o primeiro casamento d[a personagem de] Leslie Bibb, quando ela morava em Nova York. Então, enquanto exploramos as histórias de fundo de nossos personagens, às vezes elas se transformam em séries em nossas próprias mentes. Mas sim, temos essa série divertida chamada Dinah of Park Avenue’, onde tentamos imaginar ela, seu primeiro marido e seu primeiro casamento, e como era para Dinah ser uma mulher da alta sociedade nova-iorquina. Então, Apple, se vocês estiverem ouvindo, poderíamos fazer ‘Dinah of Park Avenue’ em seguida.

Thiago Nolla
Em contato com as artes em geral desde muito cedo, Thiago Nolla é jornalista, escritor e drag queen nas horas vagas. Trabalha com cultura pop desde 2015 e é uma enciclopédia ambulante sobre divas pop (principalmente sobre suas musas, Lady Gaga e Beyoncé). Ele também é apaixonado por vinho, literatura e jogar conversa fora.
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