Primeiras Impressões | Anya Taylor-Joy luta pela sobrevivência no FASCINANTE suspense ‘Lucky’

Anya Taylor-Joy ganhou destaque mundial por uma visceral performance no terror ‘A Bruxa’, lançado em 2015 pelas habilidosas mãos de Robert Eggers. Recebendo aclame e prestígio por seu papel protagonista em um dos filmes mais elogiados da década passada, a atriz começou a marcar presença no cenário do entretenimento com diversas performances que a transformaram em uma das artistas mais versáteis da atualidade – que incluem ‘Fragmentado’, ‘Noite Passada em Soho’ e ‘O Gambito da Rainha’. Este ano, ela está de volta para mais uma atuação memorável na série de suspense Lucky, que chegou ao catálogo do Apple TV no dia de hoje, 15 de julho.

A trama se inicia com uma frenética sequência em que Lucky, personagem vivida por Taylor-Joy, está escapando de um oficial do FBI – e, no momento em que ela é pega, somos transportados para um passado não muito distante, quando ela e seu marido, Cary (Drew Starkey), celebram os últimos dias nos Estados Unidos em uma noite regada a bebidas e a apostas. Uma maleta de dinheiro suspeita jaz em seu quarto de hotel, pronta para ser transportada – mas, na manhã seguinte, Lucky acorda e percebe que a suíte está vazia e que tanto Cary quanto o dinheiro sumiram.

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Os problemas aumentam quando descobrimos que os dois são procurados pelo governo por terem aplicado um golpe que custou milhões de dólares aos cofres públicos – e a foto do casal estampa os principais noticiários de Las Vegas. Tentando se recuperar do baque, ela embarca em uma jornada para não cair atrás das grades, ou pior, ser encontrada pela perigosa Priscilla (Annette Bening), mãe de Cary, e Dutch (Clifton Collins Jr.), seu braço-direito. Acontece que o dinheiro que estava nas mãos do casal pertencia ao impiedoso magnata do crime Whittaker (William Fichtner) e, agora, Lucky está com um alvo em suas costas e tem pouco tempo para escapar.

Com apenas dois episódios, a nova série da gigante do streaming já se mostra promissora e toma o tempo necessário para se desenrolar, explorando as principais camadas dessa intrincada e interessante história como pode, mas sem transformar os conhecidos tropos do gênero em uma monotonia desgastante. Trazendo os melhores elementos do romance homônimo de Marissa Stapley às telinhas, o criador Jonathan Trooper (responsável pelo roteiro do piloto) dá o tom inicial de uma trama que tem tudo para se tornar uma das melhores de 2026 e reúne um time competente de realizadores para acompanhá-lo nessa saborosa e despretensiosa empreitada.

Lucky (Imagem: Divulgação)
Lucky (Imagem: Divulgação)

Taylor-Joy volta a nos encantar com mais uma sólida incursão e uma adição bem-vinda à sua filmografia ao trazer todas as facetas de Lucky, apelido de Luciana Armstrong, à tona em uma mistura de decepção, frustração, ódio e necessidade de sobrevivência. A atriz transforma esse angustiante arco em um poderoso estudo de personagem e faz questão de imprimir um carisma nato à personagem, permitindo que ela se torne uma inesperada anti-heroína pela qual torcemos do começo ao fim, apesar das atitudes condenáveis que tomou por causa de Cary e do pai, John (Timothy Olyphant).

O tour-de-force a que Lucky é submetida é refletido e reiterado pela árida fotografia assinada por Yaren Orbach e Doug Emmett, que metamorfoseia a até então vibrante Las Vegas em um labirinto a céu aberto de onde é impossível escapar, arrastando-a a um cíclico jogo de gato e rato no qual ninguém é confiável. E, seguindo os passos do pai, Lucky tenta tomar controle da situação como pode – mas é constantemente desafiada por forças externas que querem seu fim, seja na prisão, seja enterrada a sete palmos. Nesse contexto, a música-tema encabeçada por Fiona Apple, “Horns of a Bull”, é o complemento perfeito para uma espécie de western modernizado que singra pelo drama e pelo thriller de forma graciosa e envolvente.

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Taylor-Joy é acompanhada de um ótimo elenco que inclui Bening, rendendo-se a uma personagem que não costumamos ver em sua carreira como a ácida Priscilla; Collins Jr. em uma homenagem aos grandes antagonistas de filmes de faroeste ao encarnar Dutch; Aunjanue Ellis-Taylor como Billie Rand, agente do FBI que, apesar da missão em capturar Lucky, não quer vê-la morta pelas mãos de uma implacável máfia; e, no segundo episódio, Alanna Ubach se inspira no trabalho de Michelle Dockery na minissérie ‘Godless’ para trazer Sylvia como uma improvável “aliada” da protagonista-título (ao menos por um tempo).

Lucky é mais uma ótima produção original de uma das plataformas de streaming mais notáveis e prestigiadas da atualidade, mostrando que, mês a mês, novas equipes de talentos fabulosos passam a integrar a família do Apple TV. E, guiada pelo talento de uma das maiores atrizes da geração, a série desponta como um título para ficarmos de olho – e nos deixando animados para o que as próximas semanas nos reservam.

Lembrando que o próximo episódio vai ao ar no dia 22 de julho.

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Thiago Nolla
Thiago Nolla
Em contato com as artes em geral desde muito cedo, Thiago Nolla é jornalista, escritor e drag queen nas horas vagas. Trabalha com cultura pop desde 2015 e é uma enciclopédia ambulante sobre divas pop (principalmente sobre suas musas, Lady Gaga e Beyoncé). Ele também é apaixonado por vinho, literatura e jogar conversa fora.
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