30A série animada Invincible estreou na última sexta-feira (26) no catálogo do Amazon Prime Video. Baseada na HQ homônima, a série de Robert Kirkman conta a história de Mark Grayson, um adolescente que é filho do Omni-Man, o Superman daquele universo. Franzino e sem grande habilidades, Mark fica frustrado por não ter desenvolvido seus poderes para seguir o caminho do pai. Porém, ele acaba descobrindo suas habilidades e passa a ser treinado pelo maior herói do mundo. Só tem um problema: o Omni-Man não é exatamente o melhor exemplo a ser seguido.

Mark (Steven Yeun) é, de longe, a coisa mais interessante da série. Funcionando como um tipo de Peter Parker com as habilidades do Superman, o garoto viveu a vida inteira como um adolescente normal e excluído e, de uma hora pra outra, viu uma grande responsabilidade cair sobre seu colo. Inicialmente deslumbrado com suas habilidades, ele inicia sua jornada de herói tentando bater nos caras maus e ajudar as pessoas. Mas acontece um choque de realidade durante uma invasão alienígena, na qual ele acaba ferindo uma idosa sem querer. Então, Mark entende melhor o que precisa fazer para evoluir e honrar o legado do pai, enquanto tenta se firmar como um novo super-herói. Sem contar os dramas comuns da adolescência, como o interesse por garotas e a escola.



O outro grande destaque é justamente o Omni-Man (J.K. Simmons), que se mostra um personagem ambíguo, de moral questionável e que aparentemente está escondendo um grande segredo de todos, já que ele é tido como o maior super-herói do mundo. Vindo de uma raça alienígena, o herói faz parte de um programa de seu planeta natal que envia seus habitantes para supostamente proteger planetas de “evolução inferior” das ameaças interplanetárias até que esses mundos pudessem se cuidar sozinhos.

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Os outros personagens ainda não chegam a ser exatamente interessantes, apesar de alguns já conseguirem ser bastante irritantes. Mas, em defesa da série, só vimos três episódios, então eles devem melhorar conforme a temporada avançar. Então, o maior problema de Invincible até aqui é a duração. Diferentemente das animações comuns, os episódios aqui duram quase uma hora. Estaria tudo bem se esse tempo fosse todo preenchido com conteúdo bom e empolgante, só que tem alguns momentos em que a série fica cansativa no meio do episódio, dando aquela sensação de “encheção linguiça”. Agora, um padrão que foi seguido nesses três capítulos iniciais são os últimos 10 minutos insanos, te deixando ansioso para o que vai acontecer em seguida. Os melhores momentos dos episódios são sempre nesses minutos finais.



Já nas questões técnicas, o traço da série lembra muito as animações do Cartoon Network da década passada, como Mutante Rex e Ben 10: Força Alienígena, o que é bem interessante. Entretanto, a animação dos traços é bem mais simples, praticamente páginas de quadrinhos animadas, assim como a Marvel fazia nos anos 60. Quem não está familiarizado com esse formato pode estranhar. Outro ponto que vai causar um estranhamento no público é a proximidade do tema da série com outra produção do Amazon Prime Video: The Boys. Se o público decidir comparar as duas, é bem provável que termine gostando menos de um dos dois seriados. Ou seja, fica a recomendação de tentar esquecer do Capitão Pátria e cia. enquanto assiste a Invincible para ter uma experiência melhor.

Enfim, Invincible é uma série com bastante potencial, apesar de surgir num momento em que essa história de heróis moralmente corruptíveis já não são mais novidade. Com um novo episódio sendo lançado toda sexta-feira até 30 abril, é bem provável que esse intervalo de uma semana faça bem para a produção, permitindo que o público faça teorias e converse sobre o show. Vale a pena ver se ela vai se desenvolver usando a violência explícita como muleta, tal qual alguns filmes de heróis fazem por aí, ou se a trama será trabalhada com profundidade, com conteúdo. Vamos aguardar.

 

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