Recentemente foi anunciado que o diretor Rob Zombie já iniciou as filmagens da adaptação para o cinema do cultuado seriado cômico da década de 1960, Os Monstros. O que deixou os fãs da cultura pop nostálgica e de qualquer item clássico em polvorosa. O lance é o seguinte, para os que não conhecem, Os Monstros (The Munsters no original) é para todos os efeitos a série “gêmea” e “rival” de outro grande sucesso da época: A Família Addams. Ambos os programas mostravam uma família disfuncional e bizarra que possuíam em sua personalidade ou forma física elementos de terror vibrantes. A diferença é que os Addams (criados como personagens de quadrinhos originalmente) tinham a aparência “normal”, dentro do possível, e o tom macabro vinha de seu comportamento e gostos “peculiares”. Já Os Monstros são até bonzinhos, porém, possuem a aparência dos monstros clássicos da Universal – ou seja, o pai é o monstro de Frankenstein, o avô é um vampiro e o filho é um lobisomem – além da mãe ser a noiva de Frankenstein.

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O que liga o sinal de alerta para os fãs é o fato de que o cineasta Rob Zombie possui em sua filmografia unicamente filmes de terror bem barra-pesada e gore, que capricham na violência e em cenas explícitas, quase sempre recaindo no território do mau gosto. Ou seja, será que isso é o que veremos na versão para o cinema do querido Os Monstros? Algo do nível A Ilha da Fantasia, da Blumhouse? Ao menos no IMDB da produção de Zombie é listada como comédia também, então quem sabe veremos uma mudança de gênero na carreira do diretor pela primeira vez.

Seja como for, o fato segue na mente e na boca dos fãs, até seu lançamento, que deverá ocorrer entre o final de 2022 ou em 2023. Pensando nisso, resolvemos relembrar com você numa matéria para lá de nostálgica: as grandes adaptações do cinema baseadas em séries clássicas da década de 1960 – temos certeza que você irá se surpreender com alguns dos itens que desconhecia. Confira abaixo e não esqueça de comentar.



A Família Addams

Já que o assunto que motivou a matéria foi a vindoura adaptação de Os Monstros, pelas mãos do cineasta Rob Zombie, nada mais natural do que comecemos a lista por seu “irmão gêmeo”. A Família Addams nasceu como histórias em quadrinhos nos jornais criadas por Charles Addams ainda na década de 1930. Depois disso ganhou sua primeira versão em carne e osso como um seriado na década de 1960. O curioso é que ambos Os Monstros e os Addams estrearam em 1964 e duraram apenas duas temporadas até 1966. Depois de virar desenho animado, jogos de vídeo game e todo tipo de produto, A Família Addams ganharia uma versão de mão cheia para o cinema  em 1991 – que está completando 30 anos de lançamento em 2021. Com a mesma equipe, diretor e elenco, uma continuação era lançada em 1993. Recentemente, os Addams voltaram a ser animação em filmes para o cinema.

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O Fugitivo

Indo ao ar em 1963 pela rede americana ABC, o seriado acompanhava o médico Dr. Richard Kimble (David Janssen), condenado injustamente pelo assassinato de sua esposa. Após um acidente a caminho da prisão, ele consegue escapar e agora precisa correr contra o tempo para provar sua inocência, ao mesmo tempo em que é perseguido pelas autoridades, em especial o agente Gerard (Barry Morse). A série de suspense deixou os espectadores da época na beira da poltrona a cada episódio torcendo para o protagonista conseguir escapar e limpar seu nome, durante as quatro temporadas até 1967. Em 1993, foi a vez da Warner levar o argumento para as telonas, trazendo o herói máximo da época Harrison Ford no papel principal – num filme que misturava suspense e ação. E que chegou ao ponto de ser indicado ao Oscar na categoria de melhor filme. Tommy Lee Jones de fato levou o Oscar pelo filme, no papel do agente Gerard.



A Família Buscapé

No mesmo ano do filme O Fugitivo, em 1993, estreava a adaptação para as telonas da Família Buscapé, mirando pegar o público da Família Addams – sem atingir o mesmo sucesso e sem gerar uma continuação. Tudo nasceu, é claro, num programa de 1962 sobre uma família de caipiras interioranos dos EUA que tira a sorte grande ao achar petróleo em sua propriedade, se tornando milionários da noite para o dia e indo morar em Beverly Hills, lugar dos ricos e famosos. A graça por trás da ideia era o conceito do “peixe fora d’água”, onde essa família humilde comete gafes atrás de gafes na alta sociedade por não estarem acostumados a tamanho luxo, enquanto os ricaços não podem rir deles, já que todos estão de olho em sua grana. A versão para o cinema é fiel e engraçadinha, mas não trouxe nenhum grande nome para impulsionar (apesar de todos serem relativamente conhecidos) e terminou caindo no esquecimento.

Missão: Impossível

Agora sim falamos talvez no item mais bem sucedido da lista. Em meio ao auge da Guerra Fria, diversos programas de espionagem eram criados; assim estreava em 1966 Missão: Impossível, focado num grupo de agentes secretos do governo americano encarando missões suicidas, prontas para serem negadas pelos próprios superiores caso algo saísse errado. O sucesso foi grande e o programa durou até 1973 em sete temporadas. Missão: Impossível retornou na década de 80, que foi onde em muitos conheceram o programa, com uma reformulação que durou de 1988 até 1990, contando apenas com Peter Graves novamente no papel do líder Jim Phelps. O curioso é que quando o astro Tom Cruise se apossou da propriedade com sua então parceira de produção Paula Wagner, a dupla transformou o chefão Phelps no vilão do filme de Brian De Palma em 1996. O longa rendeu 5 continuações, e o sétimo filme estreia no ano que vem.

O Santo

Por falar em Tom Cruise e espiões, aqui seguimos um pouco nessa linha, desta vez num filme protagonizado pelo colega / rival de Cruise em Top Gun – Ases Indomáveis (1986): Val Kilmer. O ator temperamental negou retornar como Batman para a sequência de Batman Eternamente, que seria lançado em 1997, para estrelar este projeto. Kilmer vive Simon Templar, um ladrão altamente refinado, que é um verdadeiro mestre dos disfarces, contratado para roubar peças raras e relíquias de valor inestimável. No filme, Kilmer contracena com Elisabeth Shue – então recém-saída de uma indicação ao Oscar. É claro que a ideia não é novidade, e a trama assim como Templar nasceram em 1962 num programa britânico estrelado por ninguém menos que um jovem Roger Moore, bem antes de se tornar o espião mais famoso do cinema, 007 – James Bond.

Os Vingadores



Não, não são esses Vingadores que você está pensando. Novamente um programa britânico da década de 1960, a série nada tinha a ver com os super-heróis da Marvel, e sim era focada numa dupla de espiões de alta qualidade, e comportamento para lá de excêntrico. Uma dupla formada por John Steed (Patrick Macnee), um sujeito muito elegante, típico lorde inglês, e Emma Peel (a saudosa Diana Rigg), dona de forte sex appeal. Juntos eles desvendavam casos para a agência de inteligência da Inglaterra. O programa ficou no ar por sete temporadas, e retornou no fim da década de 1970 como The New Avengers. No cinema, a investida terminou malfadada, mas possuía ótima intenção. Ralph Fiennes e Uma Thurman estão certeiros como Steed e Peel, e os realizadores conseguiram até mesmo o icônico Sean Connery (eterno 007) para o papel do vilão Sir August de Wynter. O resultado, bem, foi uma grande bagunça de 1998.

Perdidos no Espaço

Ainda em 1998, outra investida do cinema na forma de um blockbuster era tentada com uma série cult e muito querida da década de 1960. Essa, ao invés do mistério e suspense de um programa de espionagem, era voltada para a ficção científica e, bem, em matéria da série, bastante humor também. Quando levado às telonas, Perdidos no Espaço perdeu bastante de sua comicidade e adotou um tom mais sombrio. Estreando em 1965 e seguindo por três temporadas até 1968, o programa camp contava sobre a família Robinson, exploradores espaciais que se perdem em sua última missão e a cada episódio tentam encontrar o caminho de volta, se deparando com lugares desconhecidos. A graça era o covarde Dr. Smith e o robô. A versão para o cinema trazia Gary Oldman como chamariz do elenco na pele do Dr. Smith, desta vez transformado em vilão de primeira. O programa ganhou sobrevida como série moderna na Netflix.

As Loucas Aventuras de James West

Hollywood já comprovou que misturar o gênero clássico do faroeste com superproduções blockbuster quase nunca dá certo. A prova disso são exemplos como Jonah Hex (2010), Cowboys & Aliens (2011) e essa obra estrelada pelo astro Will Smith que era programada para ser o novo sucesso dos realizadores de Homens de Preto. Lançado em 1999, o blockbuster contava até mesmo com a trilha sonora do artista, mas viveu para se tornar seu primeiro grande fracasso após se tornar um nome de peso na indústria. Talvez nem todos saibam mas James West foi uma série western que durou quatro temporadas, de 1965 a 1969.


A Feiticeira

Essa é uma das séries mais queridas e lembradas da década de 60. E não por menos, possui sua própria “irmã gêmea”. Nos anos 60, em matéria de seriado de humor, muitos ainda citam até hoje A Feiticeira e Jeannie é um Gênio – era a época das loiras com poderes mágicos dominando a TV. A Feiticeira estreou em 1964 e durou até 1972, e falava sobre um casamento normal, tirando o fato de que a esposa e sua família vinham de uma linhagem de bruxas com poderes extraordinários. Muitos anos depois, em 2005, uma versão para o cinema tentou subverter esse conceito, não sendo necessariamente uma adaptação fiel da história, mas uma, digamos, metalinguística. Nicole Kidman estrelou. Já a “gêmea” Jeannie estreava em 1965 e durava até 1970, contando a história de um gênio na lâmpada nas formas de uma bela loira (Barbara Eden) sendo descoberta por um militar e levada para casa por ele para se tornar sua mulher. Jeannie ainda não ganhou sua versão cinematográfica.

Agente 86

Antes de Austin Powers satirizar o gênero dos filmes de espião nos cinemas, outro produto havia feito isso na TV, ainda na década de 1960. Agente 86 era a resposta cômica para a verdadeira febre que tomava as telas: as histórias de agentes secretos. A série durou de 1965 a 1970, e trazia as aventuras de Maxwell Smart (Don Adams), um espião trapalhão e suas bugigangas, digamos, estranhas, como o sapato-telefone. No cinema, a adaptação demorou um pouco mas chegou em 2008, trazendo a encarnação perfeita do herói nas formas de Steve Carell. O filme contou ainda com Anne Hathaway como sua parceira, e Dwayne Johnson como o vilão.

Besouro Verde

Criado ainda na década de 1930 em programas de rádio, o Besouro Verde é um dos primeiros e mais icônicos super-heróis da cultura pop, tão antigo quanto o Sombra e o Fantasma, por exemplo, precedendo a maioria dos acervos da Marvel e DC Comics. Constante na cultura pop desde então, o personagem viria a receber um tratamento digno nas telas de TV num seriado de muito sucesso, lançado em 1966. Cult por natureza, o herói chegou a encontrar o Batman de Adam West nas telinhas. Seu ajudante Kato era vivido por nenhum outro senão Bruce Lee. No cinema, a adaptação demorou um pouco a sair, mas chegou em 2011, na forma de uma comédia de ação protagonizada por Seth Rogen.

O Agente da UNCLE

Esse programa foi mais um que surfava na onda da época: as séries de espionagem e ação. Em plena Guerra Fria, dois agentes vindos de lados opostos de tal conflito, um russo e outro americano, precisam se unir em missões, trabalhando junto contra todo tipo de inimigos e organizações criminosas. O programa durou quatro temporadas, de 1964 a 1968. No cinema, a adaptação também demorou, surgindo apenas em 2015, e guiada por Guy Ritchie, na qual o britânico Henry Cavill viveu o americano Napoleon Solo, e o americano Armie Hammer viveu o russo Illya Kuryakin. E bem, termos Hammer no elenco se tornou um assunto mais que polêmico atualmente.

Bônus: Jornada nas Estrelas

Ao contrário do que muitos possam pensar, a série original de Jornada nas Estrelas (ou Star Trek) na TV não durou muito, apenas três temporadas, de 1966 a 1969. Foram as inúmeras reprises que mantiveram o programa no imaginário do público, e a partir da década seguinte, gerou um desenho animado e uma produção cinematográfica em grande estilo com todo o elenco do seriado retornando. Assim se iniciava uma série de filmes nas telonas, que duraria por toda a década de 1980 e terminaria, após 6 filmes, na década de 1990. Mas aí veio Jornada nas Estrelas – A Nova Geração, um derivado com outro elenco, surgido nas telinhas em meados dos anos 80. Em meados dos anos 90 era a vez desta equipe substituir a original também nas telonas com 4 filmes. Atualmente, é o reboot da equipe original, com novos atores, que manda no cinema. Já gerou 3 filmes e está preparando o quarto. Ah sim, inúmeras séries para as telinhas, em live-action, não param de chegar.

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