Acaba de ser revelado pelo próprio diretor do projeto, o roqueiro transformado em cineasta Rob Zombie, que o clássico seriado dos anos 60 Os Monstros (The Munsters) irá ganhar sua primeira adaptação cinematográfica. Projeto dos sonhos de Zombie, que idealiza colocar as mãos no material há 20 anos, segundo o próprio, muito pouco se sabe sobre a produção nesse momento – mas podemos esperar Sheri Moon Zombie, esposa do diretor e estrela de todos os seus filmes, envolvida em alguma capacidade ou provavelmente protagonizando.

Ideias clonadas no cinema e TV não são novidade e remetem aos primórdios do audiovisual. Para os íntimos, Os Monstros é o eterno rival da Família Addams, inclusive confundindo espectadores de gerações passadas sobre qual família bizarra era qual. Hoje essa confusão diminui consideravelmente devido ao sumiço completo de Os Monstros da mídia. É bem verdade que um reboot do programa foi tentado sem sucesso em 2012, mas sobre isso iremos comentar mais abaixo.

Os Monstros e A Família Addams são duas criações “gêmeas” da década de 60.

Curiosamente a trajetória da criação de Os Monstros é bastante similar a dos Addams, coincidentemente ou não. Enquanto o cartunista Charles Addams criou A Família Addams em 1938 para tirinhas nas páginas do jornal The New Yorker, o animador Bob Clampett desenvolveu sua ideia sobre monstros cômicos entre 1943 e 1945 para uma série de desenhos animados. O criador então sugeriu sua ideia para a Universal Studios. Mas o projeto só viria a vingar em 1963, quando Allan Burns e Chris Hayward, roteiristas da animação Rocky e Bullwinkle sugeriram uma ideia similar. Ainda assim, os executivos do estúdio debatiam sobre se a série deveria ser uma animação ou um programa live-action.

Com roteiro pronto, ia ao ar no dia 24 de setembro de 1964 pela rede CBS (com produção da MCA Television, então subsidiária da Universal) o primeiro episódio da sitcom Os Monstros. O título original The Munsters logo de cara faz um trocadilho com o sobrenome da família e a palavra monstro em inglês, trocando o “o” pelo “u” – algo que poderia ter sido aplicado também na tradução em português. A ideia principal era satirizar os costumes de imigrantes europeus nos subúrbios norte-americanos, a velha fórmula do peixe fora d’água. A diferença é que estes imigrantes eram todos baseados nos monstros clássicos da era de ouro da Universal Pictures, como Frankenstein, Drácula e o Lobisomem.



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Frankenstein, Drácula e Lobisomem foram inspirações para os membros de Os Monstros.

Liderando a dianteira apenas por alguns dias, a rival ABC estreava no dia 18 de setembro de 1964 o seu próprio programa sobre uma família “monstruosa”: A Família Addams. Ambas foram exibidas em preto e branco, e permaneceram no ar apenas por duas temporadas, até 1966. Porém, a fama das duas transcendeu este primeiro contato com o público, e os programas ganharam inúmeras reprises ao longo dos anos (algo como ocorreu com Chaves aqui no Brasil). A Família Addams ganhou inclusive alguns desenhos animados e produções cinematográficas de respeito na década de 1990, além de aparecerem em todo tipo de mídia e merchandising, como videogames, nunca deixando a cultura pop. Em 2019, um longa-metragem em animação foi lançado nos cinemas, com grandes nomes de Hollywood dublando e irá ganhar continuação em breve.

A principal diferença entre A Família Addams e Os Monstros é que o primeiro tira seu humor das situações bizarras e gostos para lá de macabros dos membros de sua família; enquanto no segundo a peculiaridade das situações encontra-se no fato de que seus membros são monstros de verdade, e sua aparência por si só é o que causa incômodo aos “caretas”. Os Monstros são até boa gente, dóceis, mas são seus hábitos que causam estranheza. No caso dos Addams, sua diversão está na miséria e tortura humana.

Os Monstros em cores: assustadores e hilários.

Dentre os membros dos Monstros estão o patriarca Herman (Fred Gwynne, o velho vizinho do Cemitério Maldito original), uma réplica do Monstro de Frankenstein; sua esposa Lily (Yvonne De Carlo), uma esbelta vamp; o pai dela, o Vovô (Al Lewis), um Drácula envelhecido e resmungão; o filho do casal Eddie (Butch Patrick), um pequeno lobisomem em desenvolvimento; e a sobrinha da família Marilyn (dividida entre as intérpretes Pat Priest e Beverly Owen), a única humana “normal”, loirinha e com feições de boneca, mas que é vista como o “patinho feio” por seus parentes. Uma sacada muito boa.



Os Monstros tentou voltar à mídia durante as décadas de 1980 e 1990, sem muito sucesso. Em 1981, estreava com o mesmo elenco original o filme para a TV A Vingança dos Monstros. Já em 1987, o programa The Munsters Today durou três temporadas com um elenco inteiramente renovado. Na mesma época, o Vovô (novamente na pele de Al Lewis) ganhava um programa aonde apresentava filmes de terror. Em 1995, novamente com outro elenco, o filme Os Monstros Estão de Volta, produzido para a TV, era lançado.

O logo do filme de Rob Zombie. Esperemos algo… gosmento.

O que muitos podem não saber, no entanto, é que um revival foi planejado nos anos 2010, e um piloto chegou a ser produzido pela NBC com direção de ninguém menos que Bryan Singer (X-Men e Bohemian Rhapsody). Com roteiro de Bryan Fuller (das séries Hannibal, Star Trek Discovery e American Gods), Os Monstros eram reimaginados para os novos tempos de uma forma mais “realista”, com o visual caricato dos personagens do passado agora mais humanizado. Herman nas formas de Jerry O’Connell era um zumbi galã, e o Vovô de Eddie Izzard virava um hipster estiloso. O programa intitulado Mockingbird Lane (o endereço da família) falhou em se tornar uma série devido à oscilação de tom entre um drama sombrio e o humor. O episódio de 40 minutos de duração, exibido em 26 de outubro de 2012 se tornou uma destas lendas urbanas e pode ser encontrado online.

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O reboot que não deu certo. Esses seriam os novos Monstros da TV.

Apesar de ser algo muito caro ao diretor Rob Zombie, sua escalação nesse reboot chega debaixo de certo ceticismo. Em primeiro lugar pelo cineasta ter baseado sua carreira toda em cima de um horror visceral que o coloca lado a lado com os maiores representantes dos torture porn, onde a violência é criada unicamente para chocar sem qualquer propósito. Não existe muito vestígio ou tentativa de humor em seus filmes. A insanidade e bizarrice sempre presente em suas obras podem servir de base para a proposta. E pode ser que Zombie mude completamente a tonalidade, embora achemos pouco provável. Lembrando que projetos pessoais sobre famílias macabras e cômicas renderam também em 2012 a versão cinematográfica sem graça de Sombras da Noite, filme dos sonhos de Johnny Depp dirigido por seu colaborador Tim Burton.

Resta esperar e ver os desdobramentos nos próximos anúncios da produção, como elenco, estúdio envolvido, tamanho da produção e, em especial, a tonalidade que Rob Zombie utilizará.

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