Feitiço do Tempo

O cineasta Richard Curtis parece entender o espírito humano como poucos.  O diretor neozelandês ficou conhecido por escrever o roteiro de produções britânicas adoradas como Quatro Casamentos e um Funeral (1994), Um Lugar Chamado Notting Hill (1999) e O Diário de Bridget Jones (2001). Mas apesar de ser um veterano na indústria, nos cargos de roteirista e produtor, só tem no currículo três filmes assinados na direção.

Sua estreia no comando de uma obra foi com o pé direito, num filme que se tornou essencial para a época natalina – Simplesmente Amor (2003). O clima feel good de mãos dadas com um certo teor amargo e melancólico fazem da produção recheada de astros um filme crível e humanizado. Seu segundo projeto na direção é o que mais se desvia do conjunto, mas não menos interessante. Piratas do Rock (2009) retrata uma geração e uma cultura amante de um gênero musical, numa história de amadurecimento.

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Questão de Tempo, seu novo filme, chega com um espaço de quatro anos. O filme utiliza muito da doçura de Simplesmente Amor com elementos de fantasia e drama. Tim (Domhnall Gleeson, filho do ator Brendan Gleeson) é um jovem inglês que possui uma família muito unida. Ao narrar os habituais programas de seus familiares, que incluem um cinema improvisado no jardim nas sextas-feiras, o protagonista já prende nossa atenção. É quando ao completar 21 anos, seu pai lhe traz uma notícia que mudará sua vida: ele é capaz de voltar no tempo.



O dom é uma hereditariedade passada de pai pra filho. Logo de cara, após uma “desastrosa” festa de réveillon, Tim pode comprar verdadeira a história do pai (o ótimo Bill Nighy) e ao mesmo tempo emendar algumas pontas soltas. Richard Curtis humaniza uma trama fantasiosa ao não fazer do fato o foco da história, apenas um de seus chamativos adereços. O centro é o jovem tímido e desajeitado vivido por Gleeson, cujo grande sonho é encontrar uma companheira.

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Ela chega na figura da adorável Mary (Rachel McAdams), e seu primeiro encontro juntos é algo bem diferente e basicamente nunca visto no cinema mainstream. McAdams é uma atriz que nunca me recebeu grande atenção, mas é seguro dizer que este se posiciona entre seus melhores trabalhos, e provavelmente sua personagem mais agradável. Uma das coisas mais interessantes de Questão de Tempo é que foge da fórmula do romance estruturado do cinema mainstream, apesar de fazer parte dele e querer seu público.

Na verdade, essa é uma obra inglesa, e o cinema europeu tende a ser mais realístico. Questão de Tempo também não perde tempo com clichês, e em muitos momentos fará o público coçar a cabeça para tentar descobrir por qual caminho seguirá. Um em especial é quando Tim reencontra seu primeiro amor, num desses encontros e desencontros proporcionados pelo destino. A obra apresenta somente personagens agradáveis, desses que desejaríamos que nos cercasse, e que fosse somente o que a vida nos trouxesse.



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Mais do que um romance, Questão de Tempo é um atestado de amor à família. O filme apresenta a forte união do protagonista com sua irmã mais jovem, Kit Kat (Lydia Wilson), mas principalmente essa é uma declaração ao pai. As cenas entre Gleeson (uma ótima descoberta do diretor, assim como Lydia Wilson) e Nighy prometem arrancar lágrimas do coração mais duro, ou ao menos nós na garganta.

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Questão de Tempo pode ser acusado de querer falar sobre diversas coisas ao mesmo tempo, coisa recorrente nos filmes do diretor. O fato é que consegue satisfazer em quase todas as suas subtramas. O filme é acolhedor e emocionante. Promete se tornar um Cult instantâneo. Esse é um dos meus filmes preferidos do ano.

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