Após três meses de fechamento, os cinemas voltaram a funcionar nesta segunda-feira, dia 22 de junho, na França. Para saber como foi o primeiro dia de volta às salas de exibição, o CinePOP esteve presente no maior cinema de Paris, e também da França, o UGC Ciné Cité les Halles. Com 27 salas, 3913 lugares, o complexo cinematográfico é conectado ao um dos maiores centros comerciais da região, o Westfield Forum des Halles, localizado a apenas 400 metros do Museu do Louvre

Com o confinamento nacional decretado pelo Primeiro Ministro Francês Édouard Philippe, para contenção do Covid-19, todos estabelecimentos de comércio e entretenimento foram encerrados no dia 16 de março de 2020. A partir da drástica diminuição do número de casos no país, as cidades francesas experimentam agora o desconfinamento com a volta de atividades anteriores, mas seguindo sérias medidas sanitárias, uma vez que o coronavírus ainda não foi erradicado.  

Entrada do UCG Ciné Cité no dia 22 de junho de 2020

Restrições e Medidas Sanitárias

Ao entrar no complexo comercial, é possível ouvir uma mensagem nos altos-falantes de tempos em tempos para as pessoas respeitarem o distanciamento social e as sinalizações. Os cinemas aconselham a compra dos bilhetes pela internet e nos painéis interativos, no entanto, para os pagamentos em dinheiro os guichês continuam à disposição. 

As sinalizações no chão indicam a distância adequada de uma pessoa a outra nos locais de fila, além do uso obrigatório de máscara para circular nos corredores do estabelecimento e a higienização das mãos com álcool gel antes de entrar nas salas. Além dessas medidas já atendidas nos transportes públicos e supermercados em Paris, nos corredores, e antes do filme começar são apresentadas indicações de pular uma cadeira de uma pessoa para outra, exceto casais e grupos. 

Painel 1: Temos todos um papel a atuar. Painel 2: Para se proteger e proteger os outros

No dia anterior, 21 de junho, o Ministro da Cultura Francês Franck Riester anunciou que não era obrigatório o controle de capacidade de apenas 50% de ocupação das salas de cinema, contrariando um senso comum sobre medidas preventivas. Na sessão de Radioactive, de Marjane Satrapi (Persepólis), por exemplo, a ocupação era evidentemente maior que 50% dos lugares da sala, mas todos os espectadores respeitaram a regra de distanciamento ao pular uma cadeira. Entretanto, não há regras para assentos da frente ou de trás. 

Programação e Movimentação

Para a semana de reabertura, os cinemas franceses voltaram com os filmes em cartaz da semana de fechamento. No último 11 de março, tinha entrado na programação o longa brasileiro Três Verões, com Regina Casé, e a cinebiografia de Marie Curie, Radioactive, por exemplo. Além dessas quase novidades, as salas exibem os principais lançamentos deste ano, como O Homem Invisível e Sonic: O Filme, e os participantes do Oscar, tais como Parasita (2019) e 1917 (2019). 

Casal de idosos na sessão de Radioactive no UCG Ciné Cité

Para as próximas semanas, as grandes estreias planejadas são: Été 85 (Verão de 85), de François Ozon, selecionado para o Festival de Cannes 2020, no dia 14 de julho; a adaptação live-action da Disney, Mulan, dia 22 de julho; e Tenet, de Christopher Nolan, em 31 de julho. Tendo como exemplo o maior cinema de Paris, a movimentação de uma segunda-feira no fim da tarde era mais tímida do que o normal para o local. 

Aproveite para assistir:

É importante considerar que com a instabilidade econômica causada pelo confinamento em combate ao Covid-19, as pessoas estarão menos dispostas a ir ao cinema e, além disso, o risco de contaminação ainda é possível em ambientes fechados de grande circulação. Ou seja, o público habitual deve voltar vagarosamente. A presença no espaço no primeiro dia era composta de adultos e poucos idosos, talvez no fim de semana a audiência mude. 

Filmes franceses em cartaz no primeiro dia de reabertura dos cinemas

Para incentivar a volta ao cinemas, as companhias UGC e MK2, com 24 unidades em Paris, suspenderam o valor mensal dos seus cartões UGC Illimité durante todo confinamento e voltarão a cobrar somente a partir de julho. Assim como essas empresas, os cinemas independentes e de outros complexos possuem passes ilimitados de valor mensal, em torno de 20 euros, o que ajuda os estabelecimentos a manterem a renda mesmo com o público reduzido e as pessoas a prestigiarem o cinema com um orçamento controlado. 

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