Liga da Justiça de Zack Snyder está entre nós! E independente do que você achou do filme, um fato é indiscutível, sem precedentes e serve de lição: A Warner escutou os fãs. É claro que tudo foi minuciosamente estudado pelo estúdio, que comprovou a viabilidade do projeto garantindo um sucesso em mãos. Era o que muitos (e bota muitos nisso) fãs queriam. Por que não atendê-los? Um movimento que se iniciou nas redes sociais, criado pelo público, e foi ganhando cada vez mais proporção até se transformar em algo que muitos julgavam impossível: uma edição completamente nova em folha, tilintando e reluzindo com a visão de Zack Snyder, em relação a que foi aos cinemas em 2017.

Liga da Justiça de Zack Snyder serve de caso de estudo ao se tornar um novo epicentro da força das redes sociais e do contato dos fãs com engravatados de mega empresas (os grandes estúdios de Hollywood), o que termina por igualmente atingir o público médio. É um mercado em plena transformação, seguindo as novas tendências mundiais. Resta saber até que ponto isso pode se tornar nocivo. Ou talvez já saibamos bem. Pensando em como a vontade dos fãs foi atendida com a versão de Zack Snyder para Liga da Justiça resolvemos construir essa matéria abordando justamente tal tópico, mostrando variantes desta proximidade, sua face benéfica e também a maléfica. Veja abaixo.

Homem-Aranha no MCU



Começamos com uma simples, que se tornou batata. Quando os Vingadores (2012), filme que uniu a superequipe do Universo Marvel no Cinema estreou, o Homem-Aranha estava estrelando seu reboot na Sony com O Espetacular Homem-Aranha, lançado no mesmo ano. Desde essa época alguns fãs já pediam para o herói escalador de paredes se juntar aos colegas de casa, já que nos quadrinhos o Aranha é o símbolo da Marvel. O que parecia impossível, se tornou bastante viável com o fracasso de O Espetacular Homem-Aranha 2 (2014). Agora eu pergunto, o que teria acontecido se o filme fosse um sucesso? De qualquer modo, devido à insistência dos fãs, que romperam às redes sociais com mensagens e muitos memes, um acordo foi criado entre os estúdios e o personagem pôde aderir ao MCU finalmente em Capitão América – Guerra Civil (2016), nas formas de um novo intérprete: Tom Holland. E o personagem nunca esteve melhor representado.

O Backlash do Sonic “realista”

Quando o primeiro trailer de Sonic – O Filme (2020) foi lançado na internet, a repercussão foi tão negativa com seu design que a falação em torno disso se tornou mais atrativa do que o possível conteúdo do filme em si. A maioria esperava um resultado tosquinho, quase tão digno de pena quanto o filme do Pica-Pau (2017). Mas foi só verem o visual “medonho” do ouriço azul que os fãs tiveram algo a polemizar por um bom tempo. E para a Paramount o momento gerado pelo famoso “falem mal, mas falem de mim” veio muito bem a calhar. A comoção gerada chamou atenção para o filme. Os realizadores, por outro lado, não perderam tempo, correram contra o relógio aproveitando o hype e modificaram todo o visual da criatura, deixando-a mais parecida com sua contraparte cartunesca. Fãs satisfeitos, restava agora assistirem e proclamarem seu veredito. Com metade da batalha ganha não teve muito erro. Sonic está bem longe de ser uma obra-prima, mas ao não desagradar já sai vitorioso. Com críticas na média e uma boa bilheteria, o longa já desenvolve sua sequência para 2022.

Um novo Deadpool

Aproveite para assistir:



Este é também um caso muito conhecido. A primeira aparição do anti-herói tagarela Deadpool ocorreu não num filme solo, como muitos podem lembrar, mas sim no primeiro derivado do universo mutante da Fox em X-Men Origens: Wolverine (2009). E o resultado foi… digamos, um dos piores filmes do gênero de todos os tempos. Bem, Hugh Jackman, o intérprete do personagem com unhas afiadas, não se deixou abater e seguiu escalando em filmes solo melhores do herói. Mas ele não foi o único. A interpretação de Deadpool em tal filme, já nas formas de Ryan Reynolds, foi tão negativa (e só piorou com o passar dos anos) que terminou alvo de piadas de gregos e troianos, inclusive do próprio ator. Reynolds havia se afeiçoado ao personagem e achava que ele merecia uma segunda chance. Assim, ao lado de fãs fiéis, o ator começou uma campanha ferrenha por um filme solo do personagem e com muito esforço conseguiu erguer do chão o projeto, se tornando o longa que todos conhecemos e adoramos, lançado em 2016. A produção gerou uma sequência em 2018 e esperamos que siga com Reynolds em sua inclusão no MCU.

Serpentes a Bordo

Esse é um pouco mais antigo, mas a prerrogativa segue atual. Sabe estes fenômenos de hype gerados por filmes que ninguém dava nada, como o recente caso de Godzilla vs Kong? Filme que talvez muitos saibam que não vai dar em nada, mas é criado um verdadeiro status de culto em volta. Bem, isso não é novidade e lá atrás em 2006 ocorreu mais ou menos o mesmo com este longa estrelado pelo mo***f***er Samuel L. Jackson. Pegando muita carona com o conceito “é cool ser trash” que crescia exponencialmente na época, a ideia foi gerada por uma brincadeira entre os produtores, para ver quem conseguia criar o pior conceito para um filme. Assim cobras em um avião terminou vencendo. Juntar um filme de desastre aéreo (que é um subgênero por si só) com a ameaça de cobras dentro da aeronave era simplesmente… algo do nível de Sharknado, antes de Sharknado. Assim, o conceito gerou tanto hype, que os produtores conseguiram inclusive contratar o astro Jackson para a brincadeira, que diz ter aceitado ao ter batido o olho no título. E bastou. Esse foi um dos primeiros casos de filme inteiramente criado devido à resposta positiva dos fãs, numa era na qual a internet não sonhava em se tornar o que é hoje.



Star Wars – A Ascensão Skywalker

Até o momento, apresentamos apenas itens onde a proximidade entre fãs e o estúdio gerou frutos positivos para ambas as partes, ou seja: público satisfeito em sua maior parte, e estúdios com bolsos bem recheados. Aqui, infelizmente temos o primeiro caso negativo. E não é um caso qualquer, mas um ocorrido com a que é provavelmente a maior franquia do cinema. E isso dói demais. Os fãs de Star Wars são os mais apaixonados, e isso se reflete em serem os mais chatos também. Creio que apenas a primeira trilogia (a original) foi abraçada sem muitos questionamentos, talvez por não existir a internet ainda. Seja como for, a partir da segunda trilogia os ânimos já estavam mais aflorados. Ao chegar à terceira, foi quando tudo descambou de vez. Isso é, mais propriamente com o segundo episódio da mais recente trilogia, Os Últimos Jedi (2017). O filme tem seus problemas, é longo e demora muito a engrenar, além de ter trechos verdadeiramente dispensáveis. Porém, o que possui também é muita coragem e audácia para quebrar expectativas. E isso se reflete nos fãs não receberem o que desejavam. Os Últimos Jedi dividiu tanto os fãs, como nenhum outro longa da franquia havia feito, ao ponto de ser criada uma petição com milhares de assinaturas pedindo para que o filme fosse excluído da cronologia. O pior veio depois. Por causa deste tiro pela culatra, para o terceiro filme, o estúdio e o diretor (JJ Abrams) passaram a dar ouvido demais aos fãs, e para atender a tudo que queriam, terminaram por eliminar grande parte do que havia sido construído no episódio anterior. A grosso modo, seria como se em O Retorno de Jedi quisessem “desfazer” Luke ser filho de Darth Vader. Deu para sentir um pouco do drama. Quando o desespero é grande para agradar todo mundo, termina-se sem agradar ninguém.

Serenity – A Luta pelo Amanhã

Aqui voltamos ainda mais no passado, para o ano de 2005. Antes de ser parcialmente cancelado na internet, devido a seu comportamento abusivo no set de Liga da Justiça (2017), agora reportado, o diretor Joss Whedon era uma força nas telinhas. Devido à suas criações como Buffy – A Caça Vampiros e seu derivado Angel, Whedon se tornou uma estrela na TV. Antes de dirigir os dois primeiros Vingadores para a Marvel, ou sequer de criar o programa Agentes da SHIELD, o cineasta mergulhava no universo espacial da ficção científica com sua própria versão mais subversiva de seriados de nave a la Star Trek, com Firefly. O seriado logo despertou seguidores fiéis e status de cult, mas não foi o suficiente para a série ter “uma vida longa e próspera” e o projeto terminou cancelado após uma mísera temporada – com 14 episódios entre 2002 e 2003. A comoção ganhava cada vez mais força para a Fox dar mais uma chance ao programa, porém, algo diferente tomou forma. Em 2005, a ideia foi comprada pela Universal e levada não às telinhas, mas sim às telonas na forma de uma grande produção do cinema – dando assim à história uma sobrevida e uma boa companhia à série. Hoje, o amor pelo programa segue de pé, e Firefly (que se tornou Serenity no cinema) está entre as 30 séries mais queridas pelo grande público de todos os tempos.

Adão Negro



Aqui temos ainda um caso diferente e curioso. A interação aqui foi tanta que os fãs escolheram o papel para o protagonista. Já tinham visto algo assim? Como grande fomentador que é, Dwayne The Rock Johnson, um dos astros que mais interagem com seus fãs nas mídias sociais, encabeçou o projeto de levar ao cinema o universo de um dos personagens mais antigos dos quadrinhos, que foi instituído ao time da DC Comics. Trata-se de Shazam, ex-Capitão Marvel. The Rock levou às redes sociais e perguntou aos fãs quem ele deveria interpretar: o protagonista Shazam ou seu maior antagonista, o Deus Adão Negro. Os fãs prontamente responderam que o grandalhão deveria ser o vilão. E assim foi. Tudo com o aval da Warner. Zachary Levi foi escalado para ser o herói de uniforme vermelho no filme homônimo de 2019, e The Rock chega quebrando tudo em breve no derivado próprio, focado no inimigo do herói, ainda sem data definida de estreia.

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