O lendário cineasta Steven Spielberg, diretor do clássico ‘Jurassic Park’, prestou uma emocionante homenagem a Sam Neill após a triste notícia da morte do ator, aos 78 anos. Em um comunicado oficial enviado à Variety, o diretor se declarou “profundamente entristecido” com a perda do eterno Dr. Alan Grant.
Spielberg relembrou a trajetória do ator e expressou sua gratidão aos diretores que o ajudaram a descobrir o talento de Neill:
“Tenho uma dívida de gratidão com Roger Donaldson, Gillian Armstrong, Graham Baker e Phillip Noyce por escalarem Sam Neill em papéis nos quais ele foi tão brilhante que chamaram minha atenção e o levaram a interpretar o Dr. Alan Grant em ‘Jurassic Park'”, afirmou.
O cineasta fez referência aos trabalhos marcantes de Neill em filmes como ‘Sleeping Dogs’ (1977), ‘Minha Brilhante Carreira’ (1979), ‘A Profecia III – O Conflito Final’ (1981) e ‘Mar Calmo’ (1989).
Spielberg também destacou a dedicação de Neill no set e revelou uma curiosidade carinhosa sobre a personalidade do ator em contraste com o rabugento Dr. Alan Grant:
“Sam era excepcionalmente colaborativo. Foi um desafio para ele interpretar um personagem que agia como se crianças fossem bagunceiras e malcheirosas, porque isso era completamente o oposto do pai amoroso que ele era para seus filhos”, acrescentou.
O diretor encerrou sua mensagem destacando o forte laço que uniu o elenco principal ao longo de três décadas: “Adorei fazer todos os filmes de ‘Jurassic’ com ele. Ao lado de Laura Dern e Jeff Goldblum, sempre teremos nossa família ‘Jurassic’, e Sam jamais será esquecido por nós ou pelos milhões de fãs ao redor do mundo. Não é sempre que se faz amizade com uma lenda”.
Equipe de ‘Peaky Blinders’ presta homenagens a Sam Neill: “Eternamente gratos”
Colin Trevorrow, diretor de ‘Jurassic World: Domínio’ (2022), filme que marcou o retorno do trio original à franquia, também utilizou o Instagram para expressar sua admiração e luto:
“Sam Neill era um homem profundamente sensível e extraordinário. Foi um amigo e colaborador em um momento desafiador, e sua força deu força a todos nós. Vou me lembrar de sua tranquilidade, de seu amor pelo vinho e da serenidade que levava aos seus personagens. Não é em toda vida que se tem a oportunidade de fazer amizade com uma lenda. Serei eternamente grato”, destacou.

A notícia da morte do ator foi confirmada por meio de uma publicação no perfil oficial do ator no Instagram. Segundo o comunicado divulgado pela família, Neill faleceu cercado por seus familiares e “com a dignidade que caracterizou toda a sua vida”. A nota também informa que sua morte foi repentina e inesperada, embora o ator permanecesse livre do câncer, e agradece à equipe médica do St. Vincent’s Private Hospital pelos cuidados prestados.
Voir cette publication sur Instagram
Em março de 2023, Sam Neill revelou que havia sido diagnosticado com um linfoma angioimunoblástico de células T no ano anterior. Na época, ele passou por tratamento e, posteriormente, anunciou estar em remissão. Em entrevistas concedidas após o diagnóstico, o ator afirmou que não temia a morte, mas lamentava a possibilidade de não conseguir realizar todos os projetos que ainda tinha em mente.
Um dos grandes nomes do cinema
Nascido em 14 de setembro de 1947, na Irlanda do Norte, Nigel John Dermot Neill mudou-se ainda criança para a Nova Zelândia, país que se tornaria sua verdadeira casa. Foi lá que iniciou sua trajetória artística, tornando-se um dos maiores representantes do cinema neozelandês e australiano.
Sua carreira começou a ganhar reconhecimento internacional com Força Selvagem (1977), um dos primeiros filmes da Nova Zelândia a conquistar distribuição mundial. Pouco depois, estrelou As Quatro Irmãs (1979), ao lado de Judy Davis, consolidando seu nome entre os talentos mais promissores da Oceania.

Na década de 1980, Neill mergulhou no horror com os personagens Damien Thorn em A Profecia III – O Conflito Final (1981) e Mark em Possessão (1981), ao lado de Isabelle Adjani, lançado no Festival de Cannes. Também recebeu sua primeira indicação ao Globo de Ouro por interpretar o protagonista da minissérie Reilly: O Maior dos Espiões (1983). Ao longo da carreira, seria indicado outras duas vezes.
Uma carreira marcada pela versatilidade
Foi em 1993 que Sam Neill consolidou seu lugar entre os grandes nomes do cinema. Primeiro, ao viver o paleontólogo Dr. Alan Grant em Jurassic Park, dirigido por Steven Spielberg e estrelado por Laura Dern, Jeff Goldblum e Richard Attenborough. O filme tornou-se um fenômeno mundial e seu personagem um dos mais queridos da cultura pop. O ator retornou ao papel em Jurassic Park III (2001) e Jurassic World: Domínio (2022), reunindo o trio original da franquia quase três décadas depois.
Também em 1993, Sam Neill recebeu elogios por sua atuação em O Piano, dirigido por Jane Campion, que conquistou a Palma de Ouro no Festival de Cannes e venceu três Oscars. No filme, interpretou Alisdair Stewart, um fazendeiro de personalidade complexa.

Ao longo de quase cinco décadas de carreira, Sam Neill transitou entre produções de grande orçamento e filmes independentes, alternando papéis de heróis e vilões. Entre seus trabalhos mais marcantes estão Caçada ao Outubro Vermelho (1990), À Beira da Loucura (1994), de John Carpenter, Enigma do Horizonte (1997), O Encantador de Cavalos (1998), O Homem Bicentenário (1999), Uma Fuga Para a Liberdade (2016), além de participações em Thor: Ragnarok (2017) e Thor: Amor e Trovão (2022), nos quais interpretou um ator vivendo Odin em uma encenação teatral.

Seus últimos trabalhos foram nos longas The Last Resort e Godzilla x Kong: Supernova, ambos previstos para lançamento em 2027. Sam Neill deixa filhos, familiares, amigos e uma filmografia que atravessou quase cinco décadas.
