Cuidado: muitos spoilers à frente. Siga por conta própria.

Três anos se passaram desde a incrível e chocante batalha no shopping Starcourt – e, agora, estamos de volta com uma leva fresquinha de episódios da adorada e aclamada série Stranger Things.

Criada pelos Irmãos Duffer, a produção conquistou os assinantes da Netflix desde sua estreia oficial em 2016 e, desde então, quebrou inúmeros recordes de exibição e alavancou uma legião de fãs ao redor do mundo que se apaixonaram pela incrível narrativa sci-fi e pelo elenco estelar formado por nomes como Millie Bobby Brown, Finn Wolfhard, Winona Ryder, David Harbour e vários outros. Depois de nos encantarmos pela nostálgica atmosfera arquitetada por uma equipe criativa e técnica muito competente, mergulhamos em um arco de amadurecimento que se torna cada vez mais profundo e mais intrincado (motivo pelo qual esperamos tanto tempo para retornarmos à pequena cidade de Hawkins, Indiana).



A nova temporada revela os corolários do explosivo season finale anterior, em que Hopper (Harbour) aparentemente deu adeus à produção, Max (Sadie Sink) observou impotente enquanto seu irmão, Billy (Dacre Montgomery), era assassinado pela maligna criatura do Mundo Invertido, e Eleven (Brown), Joyce (Rider), Will (Noah Schnapp) e Jonathan (Charlie Heaton) se mudaram para a Califórnia para recomeçarem uma vida marcada por traumas. É claro que as coisas não permanecem tranquilas por muito tempo e, mesmo a centenas de quilômetros de distância, Eleven e seus amigos são arrastados de volta para Hawkins e para uma ameaça mortal que coleta as mais diversas vítimas: Vecna.

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Seguindo a identidade construída pelos Duffer nas iterações predecessoras, o nome do antagonista é inspirado nas criaturas de jogos de RPG (mais especificamente, ‘Dungeons & Dragons’). Vecna, dessa maneira, é um poderoso feiticeiro que se rendeu às forças das trevas e, depois de morrer, voltou à vida como um cadáver com habilidades nefastas e profanas. Por nutrir de várias características similares, o vilão da 4ª temporada foi intitulado dessa maneira e, a princípio, não consegue se materializar no mundo humano, utilizando forças psíquicas para perseguir quem deseja e se alimentar de seus traumas. Logo no primeiro episódio, por exemplo, vemos a líder de torcida Chrissy (Grace Van Dien) sendo atormentada por visões de sua mãe psicótica, o aspirante à jornalista Fred (Logan Riley Bruner) lidando com um acidente de carro tenebroso que tirou a vida de uma pessoa inocente, e o astro do basquete Patrick (Myles Truitt) atormentado por um passado sombrio – todos morrendo de formas perturbantes. O problema, obviamente, ganha um peso a mais quando Max se torna alvo de Vecna, levando os nossos heróis a mergulharem numa jornada através das dimensões para destruí-lo e salvar a cidade.

Mas quem é Vecna?


Apesar de entendermos o objetivo e o arco do antagonista, sua origem fica incerta até o capítulo final da 1ª parte. Sabemos que ele age com muito mais poder que as outras criaturas que já cruzaram caminho com os protagonistas, mas de onde ele veio? A verdade é que sua história é arremessada de volta para os anos 1950 e está intimamente ligada tanto à presença de Victor Creel (interpretado por Kevin L. Johnson quando mais novo e pelo icônico Robert Englund quando mais velho), quanto à época em que Eleven estava presa nas facilidades do Dr. Brenner (Matthew Modine). Vecna, na verdade, é a culminação maligna de uma vida marcada pelo não-pertencimento e por uma repressão gigantesca que o transformou em que é: originalmente, ele é Henry, filho de Victor, que desde pequeno demonstra uma gama de poderes telecinéticos e psíquicos que o transformam em uma espécie de pária; depois de matar sua família inteira, ele foi resgatado pelo Dr. Brenner e, quando mais velho, se tornou um dos monitores responsáveis pelas crianças, Peter Ballard (Jamie Campbell Bower).

Porém, isso não é tudo: Henry/Peter também foi o primeiro jovem a ser estudado e examinado por Brenner e, por essa razão, foi apelidado de One (ganhando a mesma tatuagem que Eleven ganharia anos mais tarde). Por representar uma ameaça para além do controle de qualquer pessoa, One foi submetido a uma espécie de contenção, restrito de suas habilidades por um chip implantado e subjugado a uma prisão sem escapatória. Não é surpresa, pois, que ele tenha se aproximado de Eleven para recuperar os poderes e se vingar daqueles que o maltrataram.

É notável como o sétimo episódio da temporada, “The Massacre at Hawkins Lab”, ergue-se como uma mixórdia de reviravoltas de tirar o fôlego e que fornecem respostas às várias perguntas que nos fizemos desde a estreia da série. Afinal, tínhamos certeza de que Eleven tinha sido responsável pela morte de seus “colegas” e, por essa razão, estava sendo caçada por Brenner e seus associados; entretanto, como percebemos, foi Henry/Peter quem assassinou todos e, numa tentativa de impedir que ele saísse ao mundo e continuasse seu reino de caos, Eleven abriu um portal para mandá-lo ao Mundo Invertido e mantê-lo encarcerado – transformando-o, por fim, no aterrorizante monstro que conhecemos como Vecna.

Depois desse “término”, é quase impossível imaginar o que virá a seguir – mas é bem provável que, considerando algumas cenas apresentadas nos trailers promocionais, que nossos heróis retornem ao Mundo Invertido para enfrentar Vecna e por um fim definitivo em seu império caótico. Todavia, é muito cedo para tirarmos conclusões e não podemos fazer muito a respeito além de esperar até o dia 1º de julho.


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