The Crown | O que é fato e o que é ficção na 4ª temporada do aclamado drama

MatériasThe Crown | O que é fato e o que é ficção na 4ª temporada do aclamado drama

A 4ª temporada de ‘The Crown’ estreou há pouco tempo na Netflix e rapidamente se tornou sua melhor – seja pela continuidade estética dos anos predecessores, seja pela derradeira e visceral interpretação de Emma Corrin como Princesa Diana e de Gillian Anderson como Margaret Thatcher.

Entretanto, é inegável dizer que a série tem seus deslizes, principalmente no tocante à precisão histórica (algo que, na verdade, não faz muita diferença quando pretendemos compreender o panorama geral da história da Rainha Elizabeth II e da monarquia britânica). De qualquer forma, o time de pesquisadores sempre está em afinidade com os roteiristas, ao menos para prover o esqueleto do show – mas quanto dos fatos que realmente aconteceram foram alterados?

Desde o embate entre Elizabeth (Olivia Colman) e Thatcher até a icônica dança entre Charles (Josh O’Connor) e Diana, o CinePOP separou uma lista com o que se manteve fiel e o que foi mudado por questões artísticas sobre o mais recente ciclo do drama de época.

Confira:

O INTRUSO

O quinto episódio da 4ª temporada, intitulado “Fagan”, Elizabeth se depara com um intruso em seu quarto, um jovem chamado Michael Fagan que trespassa a segurança monárquica, entra nos aposentos da rainha e tem uma franca conversa sobre a situação dos trabalhadores em Londres. Felizmente, Fagan não demonstrou ser perigoso para Elizabeth, tendo permanecido no quarto alguns minutos antes de ser levado embora e ter sido preso por alguns meses por invasão.

Parte da história retratada no capítulo é real – Fagan de fato conversou com a rainha. Entretanto, não foi ela quem o manteve ocupado até a chegada dos oficiais, e sim um guarda não armado. Como se não bastasse, o episódio o trata como alguém nos primeiros estágios de esquizofrenia, quando, na verdade, estava sob efeitos de cogumelos mágicos ingeridos cinco meses atrás. O próprio Fagan comentou que “dois anos depois eu estava me recuperando. Eu fiquei chapado de cogumelos por muito, muito tempo”.

MARGARET THATCHER x ELIZABETH II

A tensão entre a primeira-ministra e a rainha da Inglaterra estava prestes a explodir em ‘The Crown’, com alfinetadas e reviradas de olho sendo jogadas de uma para outra. No oitavo episódio, “48:1”, Thatcher se recusa a assinar um documento da Comunidade das Nações, presdida pela monarca, que infligiria sanções econômicas sobre a África do Sul em virtude das políticas segregacionistas do apartheid. Eventualmente, Elizabeth, furiosa, tenta ao máximo contornar a situação, mudando termos e mais termos que a façam concordar com os termos.

Segundo documentos do governo irlandês, divulgados em 2017, foi exatamente isso o que aconteceu: a rainha estava no limite de sua paciência e até mesmo cogitou cancelar sua audiência semanal na Comunidade – e mais: Thatcher foi influenciada pelos interesses econômicos do próprio filho, Mark (apesar de confirmações concretas não terem sido feitas).

FAMÍLIA PERDIDA

Helena Bonham-Carter fez um trabalho arrepiante como a Princesa Margaret na nova temporada – e foi protagonista de um dos episódios mais potentes e chocantes do ciclo, “The Hereditary Principle”. Aqui, Margaret abandona o álcool e o fumo após uma perigosa cirurgia, clamando por mais responsabilidades do palácio além das que já tem. Porém, as coisas não seguem como o planejado e ela perde o “status” de substituir a irmã em eventos ao redor do mundo quando o caçula Edward alcança a maioridade. Rendendo-se mais e mais à depressão, ela concorda em ver uma terapeuta, através da qual descobre duas primas de primeiro grau, Nerissa e Katherine Bowes-Lyon, que foram internadas quando crianças e (surpresa!) permanecem vivas até hoje apesar dos documentos da família as taxarem como mortas.

Margaret confronta a mãe pela crueldade de manter um segredo desse porte escondido e, como resposta, ouve que o princípio de hereditariedade poderia ser colocado em xeque caso Nerissa e Katherine viessem a conhecimento público. De fato, as duas existiram e foram internadas no Royal Earslwood Hospital em 1941 – mas nenhum membro da família real foi visitá-las desde então, com exceção de Lady Elizabeth Anson (sobrinha) e a nora da rainha-mãe, Fenella Bowes-Lyon. Logo, Margaret não teve qualquer papel decisivo na descoberta das primas.

DIANA E ‘O FANTASMA DA ÓPERA’

Diana sempre foi um membro da família real diferente dos outros, adorada pelo público por sua acessibilidade e por sua personalidade encantadora – algo que não agradava ao restante da realeza. Em 1985, Diana já estava casada com Charles há cinco anos e passavam por vários problemas matrimoniais, incluindo diferença etária, interesses e temperamentos, isso sem mencionar a constante traição de ambos os lados. Diana também sofria de bulimia e problemas emocionais, enquanto a baixa autoestima de Charles era ameaçada pela popularidade da esposa.

Em seu 37º aniversário, Charles resolveu ir à ópera com Diana para apreciar uma apresentação de ballet – até ser surpreendido por uma aparição surpresa de Diana ao som de “Uptown Girl”, de Billy Joel (algo que o deixou furioso por drenar toda a atenção do público e da mídia à apresentação). Como se não bastasse, a princesa também apostava na reconstrução de seu casamento e, em seu aniversário, gravou em fita uma versão com a orquestra original de ‘O Fantasma da Ópera’ no Teatro West End. Apesar do sorriso amarelo, Charles diz a Camilla, sua amante, que odiou o que viu, principalmente sua cantoria.

Diana, de fato, dançou ao lado do soloísta Wayne Sleep no aniversário de Charles, no Covent Garden. “Charles estaria na plateia e queria surpreendê-lo; era tudo segredo”, Sleep disse em entrevista ao The Guardian. Também é fato que Charles não ficou impressionado com a performance, chamando-a de exibida. Mas não há qualquer evidência de que Diana tenha se reunido com a orquestra do icônico musical, nem que tenha gravado uma apresentação para o príncipe real.

O TESTE DE BALMORAL

“Aparentemente, a família real rotineiramente sujeita todos seus convidados a testes secretos para descobrirem se alguém é aceitável ou aceitável”, diz Denis Thatcher (Stephen Boxer), marido de Margaret, no episódio sobre o Teste de Balmoral, uma espécie de avaliação que o casal definitivamente falhou em quase todos os requisitos, enquanto Diana acertou em cheio e conquistou o coração da calculista família. De acordo com jornalistas reais, essas “brincadeiras” aconteciam de verdade – e Thatcher teve de pedir um par de galochas para os passeios ao ar livre, visto que só tinha levado calçados indoor.

Entretanto, o criador Peter Morgan incrementou um pouco o capítulo em questão e colocou uma vergonhosa sequência em que Margaret brinca de “Ibble Dibble” com os membros da família real. Essa é hilária, sem dúvida, e desconfortante pela forçosa tentativa da primeira-ministra em compreender os maneirismos de sua rainha. Mas não há quaisquer evidências que o jogo era algo constante em Balmoral.

Thiago Nolla
Thiago Nolla
Em contato com as artes em geral desde muito cedo, Thiago Nolla é jornalista, escritor e drag queen nas horas vagas. Trabalha com cultura pop desde 2015 e é uma enciclopédia ambulante sobre divas pop (principalmente sobre suas musas, Lady Gaga e Beyoncé). Ele também é apaixonado por vinho, literatura e jogar conversa fora.

Notícias

10 Séries Recentes que Duraram APENAS 1 Temporada

Na última terça-feira, dia 19 de maio, chegou ao...

Atriz revela planos para trilogia CANCELADA da franquia ‘Jogos Mortais’

Em entrevista ao The Direct, Hannah Emily Anderson ('Terror...

Novo thriller de sobrevivência com Brad Pitt ganha data de estreia no Brasil

A Paramount Pictures finalmente anunciou quando o thriller de...