‘Viúva Negra’ NÃO correspondeu? CONHEÇA então a história de Hanna

Histórias têm similaridades mas abordagens diferentes

Uma das principais apostas da Marvel Studios durante o período de quarentena foi o tão esperado filme solo da Viúva Negra. A vingadora compõe a formação original da equipe e foi a primeira heroína do MCU, porém nunca teve uma aventura para chamar de sua (até mesmo o Hulk com todas as complicações legais entre Marvel e Universal conseguiu).

Por muito tempo esse foi um dos pontos mais constantes quando se afirmava que o MCU não dava a atenção necessária para suas personagens femininas, além da total ausência de uma justificativa convincente sobre o projeto nunca ver a luz do dia. 

Ele então começou a ganhar forma em 2018, quando a diretora argentina Lucrecia Martel foi abordada porém acabou desistindo após ser informada da famosa falta de autonomia tradicional no estúdio. A responsabilidade acabou caindo em Cate Shortland que, àquela altura, tinha apenas três filmes no currículo. 

Fato é que Viúva Negra foi enfim lançado em 2021, de maneira compartilhada entre cinema e Disney Plus (o que acendeu a fagulha da disputa judicial entre a empresa e a estrela Scarlett Johansson) com uma recepção mista. Primeiramente é bom salientar que, dentro da realidade do mundo, o filme performou muito bem nas bilheterias mundiais ao passar da marca de US$ 300 milhões. 

“Viúva Negra” foi bem mas nem tanto

Em segundo, é reportado que o filme proveu um lucro de US$ 60 milhões ao Disney Plus, uma vez que no período de estreia o serviço ainda contava com a estratégia de oferecer acesso antecipado a um futuro lançamento do catálogo por meio do pagamento de um valor. 

Todavia, o filme não foi uma unanimidade entre o público, gerando uma fatia que se sentiu satisfeita e outra que sentiu a perda de oportunidade, no qual a Marvel poderia ter entregue um novo Capitão América: Soldado Invernal protagonizado por uma heroína adorada mas deixou a chance escapar. De fato, a todo instante a obra lembra o espectador a todo instante de onde Natasha veio, de como sua infância foi roubada para ela ser treinada como uma arma viva, porém deixando a sensação de não explorar melhor a situação.

Inegavelmente esse é um plot que pode render situações dramáticas muito boas, bem como momentos de tensão; a tetralogia Bourne é uma situação em que a trama de agente treinado ao máximo para se tornar algo letal pode render produções muito competentes; nos videogames a saga Metal Gear também tocou no assunto diversas vezes sobre crianças treinadas dessa forma.

A franquia Bourne poderia ter sido uma boa inspiração

E teve Hanna, produção do Prime Vídeo. Lançada em abril de 2019, a série é inspirada no filme homônimo de 2011 sobre uma jovem com habilidades sobre humanas que vive isolada nas montanhas com o pai. Ambos vivem escondidos há anos de forças do governo e o pai de Hanna dedicou parte de sua vida, e dos primeiros anos da filha, em treiná-la nas táticas de sobrevivência, combate, espionagem e manipulação.

Com mais tempo a sua disposição no seriado do que no longa, o roteirista David Farr pôde desenvolver principalmente como a adolescência de Hanna, eventualmente, se sobrepõe ao treinamento que ela recebeu do pai. Dessa maneira a produção consegue encontrar um equilíbrio entre o drama desse crescimento com pitadas de elementos típicos de filmes coming of age.

A dinâmica da protagonista com o pai também é importante, pois conforme ela vai tomando noção do mundo exterior seu pai precisa compreender que ela precisa crescer, o que será conflituoso visto seu medo dela ser capturada pelos agentes do governo. O excesso de proteção o leva a caminhos contrários aos da filha.

Hanna é um thriller interessante de espionagem, que toma para si o direito de não só depender de cenas de ação mas conduzir certas sequências com uma tranquilidade que não é estranha ao gênero no cinema. Por ter mais tempo disponível, a produção consegue estabelecer pontes entre os mesmos temas que Viúva Negra não conseguiu.

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