Wagner Moura alfineta Estados Unidos e fala sobre cultura, Bolsonaro e ‘O Agente Secreto’ em nova entrevista

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O cinema e a cultura brasileiros vêm passando por uma espécie de “nova retomada” que teve início com a popularização do drama ‘Ainda Estou Aqui’, estrelado por Fernanda Torres, e o subsequente lançamento de ‘O Agente Secreto’, com Wagner Moura.

Torres e ‘Ainda Estou Aqui’ fizeram história na temporada de premiações no ano passado ao colocar o Brasil no centro do mapa, enquanto ‘O Agente Secreto’ e Moura continuaram essa “dominação” que o nosso país vem exercendo no exterior – traduzido pelas quatro indicações ao Oscar 2026 que conquistou.

De qualquer maneira, há várias pessoas que possuem uma visão deturpada sobre o Brasil, principalmente nos Estados Unidos, idealizando e romantizando uma história marcada por erros crassos e que precisam ser relembrados para que não sejam repetidos – e Moura discorreu sobre o assunto em uma recente entrevista à Variety.

O astro vencedor do Globo de Ouro falou sobre o importante momento que a sétima arte nacional vem passando, principalmente após ser minada pelos comentários anti-cultura do ex-presidente Jair Bolsonaro.

“O que está acontecendo com [‘O Agente Secreto’] , especialmente depois do que aconteceu com ‘Ainda Estou Aqui’ , é incrível. A atenção que esses filmes brasileiros estão recebendo — principalmente depois que a extrema direita no Brasil começou a demonizar os artistas — é especial. E o Brasil agora tem um governo que é favorável à cultura, ao cinema”.

Ele acrescenta: “ver os brasileiros se reunindo em torno de filmes culturais, dizendo: ‘esses artistas nos representam’, é lindo. Antes, a extrema direita era muito eficiente em transformar artistas em inimigos do povo. Eles eram muito eficazes porque nossos filmes dependem muito do financiamento do governo. A extrema direita era eficiente em demonizar isso e dizer que estávamos roubando dinheiro do governo. Soa familiar?”.

Durante a conversa, Moura também comentou sobre qual a visão mais equivocada que os estadunidenses têm sobre o nosso país:

“A imagem alegre é precisa: o calor humano, a cultura, a música, a comida — a melhor comida do mundo”, ele disse. “Mas o Brasil também foi o último país a abolir a escravidão. A desigualdade é enorme. O poder é concentrado. O Brasil é complexo. Como disse Tom Jobim [compositor de ‘Garota de Ipanema’], o Brasil não é para iniciantes. Bolsonaro não surgiu do nada — ele reflete o país, assim como Trump reflete os Estados Unidos”.

Em 1977, Marcelo trabalha como professor especializado em tecnologia. Ele decide fugir de seu passado violento e misterioso se mudando de São Paulo para Recife com a intenção de recomeçar sua vida. Marcelo chega na capital pernambucana em plena semana de Carnaval e percebe que atraiu para si todo o caos do qual ele sempre quis fugir. Para piorar a situação, ele começa a ser espionado pelos vizinhos. Inesperadamente, a cidade que ele acreditou que o acolheria ficou longe de ser o seu refúgio.

Thiago Nolla
Thiago Nolla
Em contato com as artes em geral desde muito cedo, Thiago Nolla é jornalista, escritor e drag queen nas horas vagas. Trabalha com cultura pop desde 2015 e é uma enciclopédia ambulante sobre divas pop (principalmente sobre suas musas, Lady Gaga e Beyoncé). Ele também é apaixonado por vinho, literatura e jogar conversa fora.

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