Um dos maiores astros de Hollywood, Will Smith lançou neste fim de semana seu mais recente trabalho, a ficção científica de ação Projeto Gemini. No filme dirigido pelo mestre Ang Lee (O Tigre e o Dragão), duas vezes vencedor do Oscar de melhor direção (O Segredo de Brokeback Mountain e As Aventuras de Pi), Smith vive um papel duplo, interpretando sua versão atual e uma versão rejuvenescida – mais ou menos da época do seriado Um Maluco no Pedaço (Fresh Prince of Bel Air).

É difícil se manter no topo da cadeia alimentar de uma indústria tão competitiva quanto Hollywood, mas foi exatamente isto que Will Smith fez e vem fazendo desde meados da década de 1990 – quando lançou Os Bad Boys (1995) e logo depois emplacou sucessos consecutivos estrondosos como Independence Day (1996) e MIB: Homens de Preto (1997). Fora o prestígio e os milhões que arrecada em bilheterias (muitos dos quais caem em sua conta bancária), o astro ainda tem duas indicações ao Oscar para lhe dar credibilidade como intérprete: Ali (2002) e À Procura da Felicidade (2007).

Mas como todo mortal, Smith não é invencível, e o ator tem sua cota de fracassos no currículo. E não apenas isso, como também arrependimentos. Muitos deles de filmes que sequer chegou a estrelar. Pensando nisso, e pegando o gancho da estreia de Projeto Gemini, o CinePOP resolveu trazer para vocês alguns filmes que o astro Will Smith chegou muito perto de protagonizar, mas terminou fora de tais projetos.

Como sempre não esqueça de comentar e dizer quais ele deveria ter feito e quais fez bem em sair. Vem conhecer.

Matrix (1999)

Este é o caso mais famoso de um filme que seria protagonizado por Will Smith. Até o próprio astro já veio a público abrir o jogo e tirar um sarro de si mesmo pela desistência, em suas redes sociais. Sim, Will era a primeira opção dos realizadores para viver Neo – que como sabemos ficou imortalizado nas formas do atual muso da internet Keanu Reeves. O principal motivo que levou o ator a deixar o projeto foi que não entendeu muito bem o conceito do filme. E como culpá-lo, já que na época grande parte do público não soube o que havia acabado de atingi-lo.

Em um vídeo, Smith brinca com o fato de que abriu mão de Matrix para fazer As Loucas Aventuras de James West, o primeiro grande fracasso de sua carreira, lançado no mesmo ano. Na versão que seria protagonizada pelo ator, Morpheus seria interpretado por Val Kilmer – na época ainda na crista da onda devido aos sucessos de Batman Eternamente, Fogo Contra Fogo e A Sombra e a Escuridão. Curiosamente, a esposa de Will, Jada Pinkett Smith, participou das sequências Matrix Reloaded e Matrix Revolutions, ambas lançadas em 2003, no papel importante de Niobe – a líder da resistência contra as máquinas.

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Matrix é o filme de número 17 dentre os melhores de todos os tempos na opinião do grande público – e venceu os Oscar de melhor edição, som, efeitos sonoros e efeitos visuais.

Django Livre (2012)

Outro projeto bem conhecido que deveria ter sido estrelado por Will Smith. Já pensaram, ver o ator contracenando com outro grande astro como Leonardo DiCaprio, ou com Samuel L. Jackson? Bem, não foi desta vez. O fato também não é segredo para ninguém, o diretor Quentin Tarantino teve Will em mente quando escreveu o roteiro e o personagem principal, um escravo liberto, trilhando um caminho de vingança contra senhores de engenho. Apesar de toda a lábia de Tarantino, o relutante astro terminou de fora do longa indicado ao Oscar.

O que Tarantino não contava é que Smith gosta de manter sua imagem de bom moço, raramente (ou nunca) trabalhando em filmes de censura alta. O fato já foi inclusive satirizado pelo rapper Eminem, numa música em que diz que Will Smith não fala palavrão em suas músicas para vender discos. Bem, ele também não é adepto da violência e palavreado para vender filmes. O bom moço Leonardo DiCaprio acabou topando o desafio, encarnando o grande vilão da obra e repetiu a parceria com o diretor este ano, no recente Era uma Vez em Hollywood.

Mas o bom moço Smith preferiu se manter afastado do teor inerente aos filmes do cineasta. Em seu lugar entrou Jamie Foxx – cujo destino voltará a cruzar com o de Smith em outras ocasiões como veremos mais à frente na lista. Quem sabe Smith reconsidere e um dia ainda trabalhe com o mestre Tarantino.

Django Livre é o filme de número 60 dentre os melhores de todos os tempos na opinião do grande público – e venceu os Oscar de melhor ator coadjuvante para Christoph Waltz e roteiro original para Tarantino.

Nasce uma Estrela (2018)

Quem vê o sucesso de crítica e bilheteria de um filme muitas vezes nem imagina a epopeia que ele passou até sair do papel. A quarta versão de Nasce uma Estrela foi um dos projetos de mais difícil gestação em Hollywood nos últimos tempos. Bem, ao menos podemos dizer que tudo acabou bem no final. O filme passou por diversas transformações ao longo dos anos, e teve mudanças de diretores e protagonistas em suas etapas.

A mais conhecida e última antes de termos de fato Bradley Cooper dirigindo e protagonizando ao lado de Lady Gaga foi a que trazia Clint Eastwood na direção e Beyoncé como a protagonista feminina – afastada devido à sua gravidez. Cooper chegou inclusive a procura-la novamente para o papel quando assumiu o projeto.

O que a maioria talvez não saiba é que Will Smith foi o responsável pelo burburinho em relação a uma nova versão da obra. Projeto pessoal do astro, que além de produzir iria protagonizar, Smith trouxe Joel Schumacher para o time na direção em 2002, e sua principal opção para o papel feminino era Jennifer Lopez, a quem buscou enfaticamente. Em sua adaptação, seria a personagem feminina a estrela em declínio, enquanto um aspirante a cantor ascendia na carreira.

Nasce uma Estrela levou o Oscar de melhor canção pela música chiclete Shallow.

O Segredo de Charlie (2002)

Na mesma época em que sua versão de Nasce uma Estrela, bem, não nasceu, Will Smith também passava um outro projeto. Aqui, o astro abriu mão de contracenar com Thandie Newton (o que viria a fazer anos depois em À Procura da Felicidade) e ser dirigido pelo saudoso Jonathan Demme (O Silêncio dos Inocentes e Filadélfia). Para quem não sabe (e muitos provavelmente não sabem, pois o filme pode ser considerado uma obra obscura), O Segredo de Charlie é a refilmagem do clássico de espionagem (com bastante humor – deixado de fora na nova versão) Charada (1963), protagonizado pela musa Audrey Hepburn e o astro Cary Grant – o qual muitos creditam erroneamente ao mestre do suspense Alfred Hitchcock.

Na nova versão, Thandie Newton fica com o papel de Audrey, e o turrão Mark Wahlberg fica com a ingrata tarefa de substituir o charmoso Grant. Alguém como Smith traria mais carisma ao projeto. Mas aqui, a escolha do astro se mostrou acertada, já que ele deixou o projeto para atuar na biografia do boxeador Ali (2001), pela qual foi indicado pela primeira vez ao Oscar, e O Segredo de Charlie viveu para se tornar um fracasso de crítica e público.

Dreamgirls: Em Busca de um Sonho (2006)

Não disse que os caminhos de Will Smith e Jamie Foxx voltariam a se encontrar na lista? Na verdade tudo começou no citado Ali (2001), onde os dois atores puderam contracenar pela primeira vez. Depois, em Colateral (2004), foi a vez de Foxx atuar lado a lado com a esposa do astro, Jada Pinkett Smith. Daí, chegamos até Dreamgirls. E se em Django Livre, Foxx substituiu Will após sua desistência do projeto, neste musical indicado para 8 Oscar e vencedor de 2, ocorreu o contrário.

Will Smith é um astro de tamanha magnitude que geralmente os convites chegam até ele, ou inclusive realizadores o têm em mente na hora em que criam roteiros – como foi o caso citado com Tarantino. Mas não podemos esquecer que ele é apenas humano e em algumas ocasiões, embora raras, precisa fazer teste para o elenco como qualquer mortal. Foi exatamente o caso com Dreamgirls, no qual poderia ter contracenado com nomes de peso como Eddie Murphy e Beyoncé. Mas o destino quis diferente, e para este ótimo e subestimado musical, os realizadores terminaram optando por Jamie Foxx para o papel principal. Pense pelo lado positivo, quem sabe Smith poderia ter dado um ataque de estrelismo como Eddie Murphy, e sair da festa do Oscar p… da vida após anunciarem que outro ator levou o prêmio.

Dreamgirls levou os Oscar de melhor atriz coadjuvante para Jennifer Hudson e e melhor edição de som.

Sr. & Sra. Smith (2005)

Já imaginaram como o mundo seria diferente se Will Smith tivesse dito sim para uma versão anterior deste filme de ação, comédia e relacionamento? Isso significaria que Brad Pitt não trairia Jennifer Aniston com Angelina Jolie, e os dois poderiam estar casados até hoje. Como o destino funciona por caminhos tortos não é mesmo?

Não que o astro não tenha seus próprios esqueletos no armário – como foi muito reportado na época de sua dupla e consecutiva jornada ao lado da estonteante Margot Robbie. Segundo as más línguas, o casamento do astro passou por uma crise, apontando para um possível caso extraconjugal que o ator teria tido com a musa Robbie durante as filmagens de Golpe Duplo (2015) e Esquadrão Suicida (2016). Bem, antes disso, o ator contracenaria com Catherine Zeta-Jones nesta versão de Sr. & Sra. Smith. Será que o veterano Michael Douglas é quem estaria coçando a cabeça agora, caso o destino fosse diferente?

Superman – O Retorno (2006)

O Superman quase teve as formas de Nicolas Cage ainda na década de 1990. E na seguinte, o mundo dos nerds de plantão certamente viria abaixo caso o astro Will Smith tivesse aceitado protagonizar este filme, assumindo o papel de um Superman negro. Certamente a famosa frase de Idris Elba no recente Hobbs & Shaw (onde diz ser o tal “Superman Negro”) não teria o mesmo efeito.

Homenagem do diretor Bryan Singer aos filmes originais com Christopher Reeve, Superman – O Retorno falhou em agradar os fãs do cinema entretenimento, ávidos por diversão e um bom momento nas salas de exibição (o que inclui ação, é claro, que o filme falha em entregar). A verdade é que falta carisma para metade do elenco, seja no protagonista Brandon Routh ou na Lois Lane apagada de Kate Bosworth. O único que se destaca e consegue se divertir de verdade é o agora maldito Kevin Spacey na pele de Lex Luthor. Bem, carisma é algo que temos certeza que não iria faltar nesta hipotética versão com Will Smith.

Em menor escala, Smith já havia ficado com um papel anteriormente interpretado por um ator branco – no citado fracasso As Loucas Aventuras de James West. E quando Superman – O Retorno foi oferecido a ele, sua resposta foi enfática: “Não se deve mexer com os heróis dos brancos em Hollywood”, entendendo a comoção que seria se aceitasse o papel.

Bônus:

MIB – Homens de Preto (1997)

Sim, Will Smith foi o protagonista desta comédia sobre alienígenas vivendo na Terra. Não só isso, como o filme foi o responsável por cimentar sua carreira, o transformando num astro, e lhe rendendo o apelido de “Sr. 4 de Julho”, época em que seus filmes blockbusters eram lançado e se transformavam em sucessos absolutos de bilheteria. O ator voltou ao mesmo papel nas continuações, em 2002 e 2012. Este ano, o primeiro filme da franquia foi lançado sem ele, mas MIB – Homens de Preto Internacional, com Chris Hemsworth e Tessa Thompson (dupla do sucesso Thor: Ragnarok), não obteve o mesmo sucesso dos anteriores.

O que acontece é que Smith não era a primeira escolha para viver o sagaz agente Jay, e a franquia poderia ter seguido um caminho bem diferente – ou sequer de fato se tornar uma franquia. A primeira escolha para o papel era Chris O’Donnell, na época um nome quente devido ao sucesso de Batman Eternamente (1995), no qual interpretou Robin – e seguiu com trabalhos como O Segredo (1996), baseado em John Grisham, e No Amor e na Guerra (1996), drama com Sandra Bullock. Chegando junto como outra possibilidade estava David Schwimmer, muito popular na época devido ao papel de Ross na comédia sensação Friends (1994-2004).

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