Há 20 anos, o primeiro filme dos X-Men chegava aos cinemas para causar uma verdadeira revolução no mundo do entretenimento. Para entender o motivo de X-Men: O Filme ter sido tão importante, precisamos entender o contexto em que ele foi lançado.

Em 2000, o mundo vivia a chegada de um novo milênio. Com isso, vieram as diversas mensagens falando de novos tempos, do início de uma nova era. E não dá para dizer que elas estavam erradas, já que ali começou a Era Heroica dos cinemas. Isso porque os anos 1990 ficaram marcados por alguns vários filmes horrorosos envolvendo super-heróis, como Capitão América – O Filme, O Quarteto Fantástico, Liga da Justiça, Aço e os filmes do Batman depois da saída de Tim Burton da direção. A maioria representou grandes fracassos para os respectivos estúdios e pairava a sensação de que ninguém sabia muito bem o que fazer com esses materiais. Paralelamente a isso, a franquia de Blade, O Caçador de Vampiros ia bem, abordando o personagem em filmes voltados para o terror, que rendiam boas críticas, mas nenhuma bilheteria interessante o suficiente para justificar que inserissem essa abordagem em todos os outros super-heróis. Afinal, para os executivos, pessoas poderosas vestindo roupas coloridas eram coisa de criança.

O filme do Capitão América de 1990 era uma tosqueira total. O uniforme que incluía ORELHAS DE BORRACHA mostra porque os estúdios não confiavam no gênero de super-heróis.

Então, Bryan Singer apareceu para adaptar um dos grupos mais famosos e carismáticos da Marvel: Os X-Men. Com uma visão diferenciada do que havia sido feito até ali, Singer não prezou tanto pela fidelidade ao material das histórias em quadrinhos. Ele pegou o conceito dos mutantes, manteve algumas características básicas, como eles serem alvo de preconceito, e moldou esse universo como achou melhor. Logo de cara saíram os uniformes coloridos e entraram os trajes pretos de couro. Com esse visual mais “realista”, os heróis deixavam de ser visualmente feitos para crianças e, para os executivos, poderia ser melhor aceito também pelos adultos. Além disso, ele trouxe um elenco de renome. Com astros do nível de Sir Patrick Stewart, Sir Ian Mckellen e Halle Berry, o longa começava a ganhar relevância para a imprensa e para os veículos especializados em cinema. Não era mais o tempo em que qualquer um poderia interpretar o Capitão América nas telonas como um passatempo e tudo bem. Não, agora os heróis seriam vividos por atores gabaritados e dedicados aos projetos.

 

Não tinha mais essa de atleta da NBA ou da NFL interpretar heróis. Agora, eles seriam vividos por atores de verdade.

Junto a isso, saíam de cena os deuses perfeitos e entravam os personagens com características humanas. O Wolverine – interpretado pelo até então desconhecido Hugh Jackman – era um cafajeste, o Magneto era um vilão arrogante com passado trágico, o Professor Xavier era misterioso e benevolente, enquanto o Ciclope (James Marsden) era um líder inseguro. O lado humano passa a ser explorado e a ser importante. Isso aumentava a identificação do público com os personagens.

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Personagens, ainda que caricatos, passariam a ter problemas e personalidades humanas.

Fora, claro, o uso dos efeitos especiais. Se hoje, os efeitos especiais são parte fundamental dos filmes com super-heróis, X-Men: O Filme tem participação direta nisso. Quando se retrata um grupo de pessoas com habilidades especiais nos cinemas, um dos maiores atrativos é poder mostrar esses poderes para o público de forma crível. Até então, a maioria dos personagens adaptados possuíam habilidades mais parecidas com a de atletas do que heróis. O Batman utilizava seus aparatos e resolvia as coisas no soco. O Capitão América era um superatleta, o Justiceiro era um mercenário e o Nick Fury era um espião. Com os mutantes, o cinema precisa mostrar um homem soltando laser pelos olhos, um idoso contorcendo ferro, uma mulher soltando raios e por aí vai. A alternativa encontrada para isso foi a computação gráfica misturada aos efeitos práticos.

 

Os heróis passaram a ser realmente superpoderosos.

Quando se fala em narrativa, o roteiro do primeiro filme dos X-Men era bem padrão, apesar de ainda seguir uma temática mais adulta, mas escrita de forma que não prejudicasse o entendimento das crianças. A Warner tinha desistido de ter Tim Burton à frente dos filmes do Batman justamente por considerar que sua visão para o personagem era adulta demais para abranger a todos os públicos. A consequência disso foram filmes mais bobos, que não agradaram aos adultos e culminou no fim da franquia. A Fox confiou em Brian Singer, que correspondeu ao encontrar um meio termo, que agradasse tanto aos pequenos quanto aos adultos. Dessa forma o filme foi um sucesso e abriu o terreno para que os personagens da Marvel começassem a dominar o cinema.

Enfim Hollywood tinha um filme de super-heróis para todas as idades.

Com o passar do tempo, a franquia X-Men foi avançando de forma muito irregular, chegando ao ponto de virar piada por conta da falta de diálogo entre suas diversas linhas do tempo. Ainda assim, em meio a essa bagunça, alguns filmes da franquia conseguiram destaque mesmo quando outras franquias de super-heróis já faziam bastante sucesso. O ponto é que provavelmente nenhum deles teria conseguido esse sucesso se não fossem os primeiros passos dados pelos X-Men há exatos 20 anos.

 

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