Crítica 2 | Homem-Formiga

Crítica 2 | Homem-Formiga

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A fantasia de ser minúsculo, do tamanho de uma formiga, é algo que alguma vez já passou na cabeça de quem foi criança. Poder experimentar uma diferença de proporção que não experimentamos na vida real; ser um pontinho minúsculo em uma terra de gigantes e o que poderíamos fazer sendo deste tamanho é algo intrigante de se pensar.

Homem-Formiga‘ nos permite essa experiência, e embora seja um blockbuster com caracterizações e estratégias narrativas repetitivas, é ambicioso por construir este universo e nos permitir sentir esse: “como seria se…?”

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Por toda a duração deste longa achei que estava assistindo a uma comédia. E esse aspecto do filme é bom, poderia muito bem se sustentar assim, apesar de que, nesse caso, a exploração do universo fantástico seria descartada. Pense em um filme entupido de humor. Quando digo entupido, realmente quero dizer isso. Acho que se há dez cenas que não contém passagens cômicas é muito. Aponto isso como um ponto positivo; um fator de sucesso para o filme, já que o humor funciona muito bem, embora não tenha nada de inovador. O filme aproveita o carisma e boa química dos atores. Embaixo desses aspectos, uma camada repetitiva; o filme de super-herói clássico; um típico filme da Marvel.

Cedo na projeção, descobrimos que Scott Lang (Paul Rudd), o futuro Homem-Formiga, é um ladrão muito habilidoso, mas que não comete um crime sério, de fato. Invade empresas ou casas de pessoas muito ricas para conseguir dinheiro. O acontecimento que começa a trajetória de Scott como super-herói é quando ele resolve assaltar a mansão de um homem bastante rico e importante, Hank Pym (Michael Douglas). Ao término da sua pena, o herói precisa de um apartamento e de pagar uma pensão para poder ver a filhinha pequena. Não consegue um emprego fixo e acaba optando por mais um furto. Um motivo pessoal, mas bastante nobre e humano diferente do tradicional e questionável: “Lutar pelo bem da humanidade” (embora isso seja o objetivo de alguns dos seus companheiros).

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A relação entre Scott e seus recém-conhecidos amigos e companheiros de roubo é brilhante. Luis (Michael Peña), Dave (T.I Harris) e Kurt (David Dastmalchian), que é a cara do Gregório Duvivier, diga-se de passagem, são as típicas caracterizações do cinema norte-americano. O trio que inclui um durão, um desligado e um engraçadinho, mas que acaba funcionando no final. O que dá a graça, porém, são os seus humores específicos, principalmente Paul Rudd, Michael Peña e David Dastmalchian. Scott Lang é um sujeito quase que isento de personalidade, mas que se põe sempre a atrapalhar os momentos emocionais com sua usual maneira incompreensivo-cômica, já Luis é um homem descontraído e que tem um jeito muito particular e engraçado de contar suas histórias. Ambos personagens típicos dos atores que os interpretam, mas que não deixam de dar certo.




A relação entre os amigos dá lugar ao treinamento que Scott tem que passar, auxiliado por Hank e Hope (Evangeline Lilly), para que possa executar um roubo para impedir a comercialização inescrupulosa do traje do Homem-formiga. Algo revelador do imaginário, que condiz com a realidade na maioria dos casos, das empresas de tecnologia movidas por dinheiro. E é engraçado como a espionagem, que é praticada pelos próprios personagens e é algo presente no filme, aparece como algo distante; fantasioso e que não condiz com o mundo real, quando se sabe que, pelo menos no caso dos EUA, a espionagem como é retratada é bem próxima da realidade (sem incluir as mirabolâncias do filme, é claro).

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Acompanhamos todo o treinamento de Scott que envolve aprender a usar o traje, aprender a lutar e até controlar as formigas pelo pensamento. É muito divertido ver esse processo, principalmente pelos diversos momentos que acompanhamos o herói minúsculo e vemos o mundo no seu ponto de vista. O momento em que, na forma minúscula, Scott se perde em um esgoto, uma casa e um banheiro é muito divertido. Por meio de uma grande angular (que aumenta a distância entre os objetos), ou pelo menos um efeito que simula esse tipo de lente, vemos um mundo que na realidade não é tão grande, mas para o herói minúsculo parece gigantesco.

Por fim, chegamos ao clímax do filme. Por meio de uma montagem paralela (quando se alterna de um acontecimento a outro) chocha e manipulativa, típica de um blockbuster, a fórmula continua a mesma. O bom humor dos personagens-atores e as sequências de ação, o que funciona até o final, porém, não desenvolvemos uma relação forte com nenhum personagem, nem mesmo a formiga, carinhosamente apelidada de Anthony.

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O filme termina de maneira preocupante, anunciando uma tendência que não é nova, mas se tornou recorrente, principalmente, nos filmes da Marvel. Uma cena extra, no final da projeção, anunciando uma possível sequência do filme. O que é preocupante de verdade não é a falta de novos personagens, universos e maneiras de se contar uma história, mas sim a criação de expectativa para uma nova sequência do filme. Dessa maneira, o público é incentivado a ansiar e especular sobre um novo filme da franquia, antes mesmo deste filme ser anunciado ou, em alguns casos, tenha se pensado em fazê-lo. O que se tem como resultado é um filme com os mesmos personagens, universo e estratégias, muito pouco ambicioso, algo que prejudica em demasia o cinema, em geral.

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