Crítica | A Múmia – Um início OK para o Dark Universe

Crítica | A Múmia – Um início OK para o Dark Universe

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Bela Múmia

O novo filme do astro Tom Cruise é mais do que um filme, e mais do que seu costumeiro veículo de ação (os desavisados o encararão somente desta forma, e não estão de todo errados). A ideia da Universal Pictures, estúdio por trás deste A Múmia, é criar um universo cinematográfico compartilhado, como faz a Marvel e como tenta a DC, no qual os filmes estão interligados através de seus personagens.

A ideia não é novidade, no entanto, e o estúdio já tenta tirar do papel há algum tempo esta proposta. E se você se pergunta, mas a Universal não possui super-heróis. É verdade, mas o que ela possui são os direitos dos maiores monstros que o cinema já viu, muitos dos quais ajudaram não apenas a cimentar o nome do estúdio nas estrelas, como também a criar o que temos hoje em relação a cinema pop.

As aparições originais destas criaturas nas telonas datam da década de 1930, porém, foi em 2004 que a Universal os juntou na forma de um blockbuster recheado de efeitos, com Van Helsing, protagonizado por Hugh Jackman. Apesar do gancho para a sequência, o filme não atingiu o esperado junto aos fãs. Em 2010, foi a vez do Lobisomem, remake fiel do longa de 1941, que igualmente, se bem sucedido, poderia gerar continuação. O ano de 2014 marcaria o pontapé oficial do Dark Universe, com o maior monstro da casa, Drácula, transformado em galã nas formas de Luke Evans, com A História Nunca Contada.

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A Universal já tentou muitas vezes, hora de desistir, você diz. Lembre-se, descrente amigo, que a DC só tem Mulher Maravilha hoje, porque insistiu após os fracassos de Superman – O Retorno (2006) e Lanterna Verde (2011), igualmente planejados como início de um universo no cinema, que só vingaria de fato com O Homem de Aço (2013).  Em A Múmia, Tom Cruise protagoniza na pele do aventureiro agente do governo Nick Morton.

A verdadeira história, no entanto, tem início há milênios, quando no Egito antigo, a bela Ahmanet (Sofia Boutella) é a herdeira do império. Quando pronta para assumir, ela ganha um irmão bebê e seu sonho de reinar se esvai. Rancorosa, ela entrega sua alma às trevas, sendo possuída por espíritos malignos e comete atos horrendos. Como punição, ela é mumificada. O resto você já imagina: ela é redescoberta no presente e começa a aterrorizar os protagonistas.

Existem duas formas de encarar a nova Múmia. Se você for esperando alguma coerência, desenvolvimento de personagens ou certa fidelidade ao material original, você irá se juntar ao grande grupo de detratores (cada vez maior), prontos para execrarem o filme. Aqui não temos, por exemplo, as pragas bíblicas do Egito, como gafanhotos, mostradas inclusive na aventura de matinê de 1999, protagonizada por Brendan Fraser. O plano de Ahmanet também não faz muito sentido. Neste trecho se encaixa a personagem de Annabelle Wallis, carismática como nunca, pronta para ser uma estrela, porém, dona da personagem obviamente descrita como “o interesse amoroso” ou “a donzela em perigo”.

Porém, se você for com o estado de espírito certo, deixando qualquer senso de realismo, razão e simplesmente ligar o botão da diversão em seu cérebro, poderá sim encontrar certo valor de entretenimento. Assim como os blockbusters Velozes e Furiosos e Triplo X, o novo A Múmia é chiclete para o cérebro. É cinema B, trash, escapismo, de centenas de milhões de dólares. Dito isso, as cenas são boas e funcionam como pedaços, bem confeccionados. Existe inclusive certos elementos de terror, acredite, que funcionam. Uma reclamação quanto a parte técnica é que o filme soa muito escuro o tempo todo, mas essa talvez seja a intenção.

Alex Kurtzman, produtor de sucesso da indústria, se sai bem no comando de sua primeira superprodução. O roteiro, que atira para todos os lados, escrito a quatro mãos, surpreende pela assinatura de dois artistas renomados no conjunto: David Koepp e Christopher McQuarrie. A Múmia é uma salada de frutas, que mistura elementos como o Dr. Henry Jekyll, e seu alter ego, Edward Hyde, interpretado por Russell Crowe, simplesmente porque quer. Utiliza como referências bem vindas Um Lobisomem Americano em Londres (1981) e a própria Múmia (1999), com Fraser, por exemplo.

Sim, A Múmia é esquecível. Mas quantos blockbusters atualmente são de fato memoráveis. Se você disser Batman VS Superman (2016), ou as franquias Transformers e Piratas do Caribe, teremos problemas. No entanto, todos seguem firmes e fortes, rendendo rios de dinheiro. A Múmia tem boa intenção e isso garante pontos a seu favor. Tem Cruise fazendo o que sabe de melhor, bons coadjuvantes e um roteiro, que se não é dos mais coesos, ao menos entretém com seu samba do crioulo doido. Ah, uma coisa o filme faz e bem, traz pela primeira vez a antagonista como uma mulher, ameaçadora, fulminante e pra lá de sexy. Sofia Boutella ganha vida e está pronta para permear nossos pesadelos… Ou sonhos. E que venham mais filmes do Dark Universe. Se puderem ser melhores, agradecemos.


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