Crítica | ‘Game Of Thrones’ – 6ª Temporada (9º Episódio)

Crítica | ‘Game Of Thrones’ – 6ª Temporada (9º Episódio)

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ÉPICO!

 

Game Of Thrones – GoT fala sobre política, relações pessoas, família, mas o que a gente gosta mesmo é do sangue! (e do sexo, claro!). A série dá tudo isso para gente. E ontem, nos deu o 9º episódio mais recompensador! Poucos Nonos foram tão catárticos quanto este. Muito já se falou de como a arte usa a violência para lavar a alma do público. E querem melhor catarse do que o final de Ramsay (Iwan Rheon)?! Mas, calma, antes tivemos Meereen.

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Na resenha passada, eu disse que as batalhas ficaram subentendidas. Ao menos aquela de Meereen ficou bem explicita neste Nono! A sequência sintetizou muitas virtudes da série: o jogo político, os diálogos afiados, as reviravoltas, a ação épica, os dragões e a Daenerys (Emilia Clarke) soberana (em qualquer sentido que a palavra permita). Os dragões estavam no apogeu do seu poder e todos os personagens tiveram o seu instante. E tudo isso em cerca de 10 minutos! E teve mais em Meereen.

O Nono ainda arranjou mais uma sequência para mostrar o acordo entre Dany e os irmãos Greyjoy. Se a sequência de abertura foi uma síntese por meio da ação, nesta tivemos uma síntese pelo diálogo: a sutileza, o jogo de olhares, as intrigas palacianas, as frases de efeitos, as negociatas políticas. Realmente, os roteiristas estavam inspirados.  A sequência começou como um close em Tyrion (Peter Dinklage) enquanto ele falava para Theon (Alfie Allen) algumas verdades entaladas naquele pote até aqui de mágoas, e terminou com um acordo entre Dany e Yara (Gemma Whelan). Tudo com uma fluidez rara.

Foram duas sequências que resumiram as qualidades que fazem de GoT um sucesso de público e crítica. Uma prova de que a TV pode, sim, fazer arte – aliás, alguém ainda duvida disso?!

Mas, não foi só isso. Afinal, eles gastam boa parte do orçamento nos Nonos. A grande expectativa era para a Batalha dos Bastardos, já comentada desde antes do começo da temporada. E fomos recompensados por toda essa espera! Vamos dividir essa batalha em quatro momentos.




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Primeiro foram os preparativos, com várias sequências de diálogos afiados. Tivemos o tenso diálogo entre Jon Snow (Kit Harington) e Ramsay. Tivemos o diálogo entre Davos (Liam Cunningham) e Tormound (Kristofer Hivju), que nos permitiu conhecer mais sobre os sentimentos dos dois em relação ao líder Jon Snow. O melhor foi a conversa entre Jon e Sansa (Sophie Turner), mostrando ao público as dúvidas e as certezas de cada um.

O segundo momento foi a morte de Rickon (Art Parkinson), já com os exércitos frente a frente. Embora esperada, a sua morte foi de forma inusitada e épica. Uma sequência que escancarou o talento de toda equipe de GoT. O terceiro momento foi o do confronto. Foi a batalha mais crua que a série concebeu até hoje. Poderia dizer também que foi a mais épica, a mais incrível, a mais genial. Contudo, alguém poderia dizer que a batalha de Blackwater (o Nono da 2ª temporada) foi mais épica ou que a luta contra os White Walkers, na temporada passada, foi mais incrível. O que ninguém poderá negar é que a Batalha dos Bastardos foi a mais crua e sangrenta. Assim como a abertura do filme O Resgate do Soldado Ryan (Saving Private Ryan) fez com a Segunda Guerra, este Nono traduziu a crueza dos campos de batalhas medievais (ainda que a série seja uma fantasia).

O quarto momento foi a tomada de Winterfell. Depois da chegada do exército Arryn – pelas mãos de Sansa e Baelish (Aidan Gillen) – Ramsay bateu em retirada e tentou resistir no interior de Winterfell. Após praticar sua última maldade – a flecha de morte nos olhos do gigante Wun Wun (Ian Whyte) – Ramsay e Jon lutaram mano a mano. Foi mais um instante épico! Escudo versos arco e flecha! Uma combinação digna nos mais incríveis faroestes.

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Lembram o que falei no começo sobre catarse? Os socos que Jon deu em Ramsay e a morte deste dilacerado pelos próprios cães traduzem o sentido de catarse. Aturamos várias atrocidades de Ramsay para sermos recompensados neste Nono. Pessoalmente, fiquei dando socos no ar junto com Jon Snow! Rsrs. Esse momento de “lavar a alma” revela muito sobre a série e sobre algo a mais.

Primeiro, o algo a mais. Quantas vezes falamos que somos contra a violência? Quantas vezes defendemos a paz e o amor? Há um consenso (correto!) de que violência é algo errado. Aí, vem o famigerado Nono e faz a gente hiperfeliz quando Ramsay apanha e é comido pelos cachorros. Alguém dirá, “mas ele fez muitas atrocidades, está pagando”; outros dirão, “ah, não compara, Game é ficção”.

O genial da grande arte (e GoT consegue sê-la, dentro dos limites de um produto industrial) é nos colocar de frente com o que temos de pior. Quando odiamos Ramsay por suas atrocidades, mas aplaudimos Sansa pelo sadismo diante da morte de seu algoz, já relativizamos o lema “paz e amor” faz tempo. Mas há seu lado positivo, porque revela que temos padrões morais: recusamos a violência pela violência, mas entendemos que, por vezes, ela guarda certa noção de justiça. Aceitamos o sadismo de Sansa diante da morte de Ramsay porque entendemos que ele está pagando por algo muito pior. Por outro lado, nosso prazer diante do castigo revela a crueldade que mora em nós. Falem aí, vocês ficariam satisfeitos se Ramsay fosse punido com 30 anos de prisão, com direito a liberdade após cumprir 1/3 da pena?

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Claro, na vida real não é tão rápido que defendemos punições sádicas. As convenções sociais permitem que a gente encare a violência como algo que deve ser reprimido de maneira civilizada. Mas, uma linha fina separa nossa noção de justiça do nosso sadismo. E essas convenções sociais junto com o nosso ego faz a gente pensar que somos santos e incapazes de fazer uma maldade. A catarse (essa sensação de lavar a alma) permite vivenciarmos essas ambiguidades de forma segura, e no limite nos leva a refletir o quanto de fera habita em nossos supostos bons corações.

Comparem: ao contrário do Casamento Vermelho, onde sofremos porque a violência era símbolo da maldade, na Batalha dos Bastardos fomos recompensados por uma violência que simbolizava algo justo. Parece que nosso problema não é bem com a violência em si. Enfim, que bom que temos GoT para nos lembrar, de forma divertida, de que não somos santos e de que a vida não é tão simples quanto escolher entre torcer por Jon Snow ou por Ramsay Bolton.

E o que a catarse fala sobre a série em si? Só temos essa sensação de lavar a alma, quando a narrativa é bem montada: grandes personagens, bons diálogos, tramas desenhadas com cuidado, etc. Todo espectador de GoT já reclamou de algum episódio mais lento (algumas vezes com razão). Ocorre que esses momentos mais lentos são a base para que algo como a Batalha dos Bastardos seja relevante, e não se torne apenas um festival de vísceras para saciar os desejos dos mais tarados.

E, aí, o que achou do Nono? Também lavou a alma com o fim de Ramsay? Ficou nervoso com a chuva de flechas? Perdeu o ar quando Jon Snow estava sendo sufocado? Foi aos céus com Daenerys? Foi o 9º episódio que você saiu mais feliz? Vamos, comente, compartilhe e curta nossas redes sociais:

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