Crítica | Um Suburbano Sortudo

Crítica | Um Suburbano Sortudo

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Até a Sorte Acabar

As comédias populares apostam no corriqueiro, no mundano, no que vivemos no dia a dia, para fazer humor. Desta forma as situações se tornam bem identificáveis. Em Um Suburbano Sortudo, o enfoque é na diferença de classes sociais do nosso país. Bebendo na fonte de Trocando as Bolas (1983), Minha Bela Dama (1964) antes dele, e Pigmalião (1938) se quisermos voltar muito no tempo, a nova comédia nacional traz um sujeito humilde descobrindo-se milionário (ou talvez bilionário) da noite para o dia.

Apesar das referências norte-americanas acima, podemos incluir também o brasileiro Até que a Sorte nos Separe e suas continuações, que traziam a ascensão meteórica de uma família da classe menos privilegiada, extraindo de tal situação todo seu humor. Se deu certo com Hassum – as sequências e os números em caixa não deixam mentir – é hora de tentar com Rodrigo Sant´anna, a bola da vez (ou uma das) do humor brasileiro popular.

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Assim como muitos astros cômicos dos EUA, Sant´anna é mais conhecido por um programa de humor formado por esquetes no feitio do marco Saturday Night Live. O comediante, que foi um dos grandes destaques de tal programa de sábado, tem a chance de mostrar sua veia para o gênero agora nas telonas de todo o país.

Sant´anna vive Denílson, um camelô do subúrbio do Rio de Janeiro. Quando um magnata dono de lojas (sátira das lojas Ricardo Eletro), papel do veterano Stepan Nercessian, morre de câncer, Denílson descobre sua verdadeira origem. Ele é o filho bastardo de tal magnata – sua mãe era empregada da casa. Deixando a fortuna como herança para o rapaz, “altas confusões” estão armadas.

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Com roteiro de Paulo Cursino, L. G. Bayão e do próprio Sant´anna, Um Suburbano Sortudo tenta tirar risadas das gafes cometidas por um pobre na alta-roda da sociedade. Mas apesar de apontar e rir do comportamento de pessoas menos favorecidas economicamente, o roteiro igualmente tira um sarro dos ricaços.




E não me refiro aos retratos ruins e estereotipados de pobres e ricos, mas sim de trechos de maior inspiração. Em um determinado momento, Denílson encontra numa festa um pedante cineasta de filmes de arte (interpretado por Fábio Rabin). A caricatura cai como uma luva para jornalistas, críticos e profissionais do mundo artístico em geral cujo ego pseudointelectual inflado pode precede-los. O filme do personagem diretor, de nome mais esdrúxulo possível, é uma piada pronta. Mas Denílson vai além afirmando nunca ter ouvido falar da obra, pois vendia em seu camelô filmes que as pessoas de fato queriam ver. A voz do povo é a voz de Deus. Ou não?

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Piadas como essa, e tiradas um pouco mais afiadas (uma em cima do próprio Hassum, o rei do humor nacional no cinema, que soa como um pedido de passagem), no entanto, ocupam pouco espaço na projeção. Talvez por medo de perder seu público alvo. Um Suburbano Sortudo aposta mais em um humor escatológico e pastelão. Os próprios personagens tentam impor o fato como uma aprovação dentro da trama. “Sempre gostei de humor escatológico”, diz Sofie, personagem de Carol Castro, defendendo o subgênero, que, acredite, possui seus adeptos.

Como esperado, Um Suburbano Sortudo é esquizofrênico. Dá sinais de inteligência, mas em sua maior parte prefere apostar no seguro, não se diferenciando tanto do programa que fez famoso seu protagonista. Carol Castro merece destaque aqui, sobrevivendo a tudo com elegância. Levando a sério e com muita classe driblando o mau gosto geral. O resultado, alguém duvida que será sucesso? Aguardemos, sem muita ansiedade, Um Suburbano Sortudo 2

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