Próxima fase da franquia precisa superar a era Craig

Se tem algo que destaca o mais recente exemplar da franquia 007 dentre todos os outros 24 filmes lançados previamente é sua conclusão. O fato não o coloca no pódio máximo como o melhor de todos, no entanto, apenas apresenta um elemento diferente. Historicamente as obras protagonizadas por James Bond sempre focaram em narrativas episódicas, no qual uma produção não tinha a obrigação de estar diretamente ligada à sua imediata antecessora.

No início do projeto, lá pelos anos 60, houve até uma tentativa de manter uma linha cronológica definida quando Moscou contra 007 diretamente referencia os acontecimentos mostrados em Satânico Dr. No (estes dois sendo as primeiras produções da franquia). Entretanto, percebe-se que não tarda muito para que já em Goldfinger os produtores abandonem definitivamente essa ideia.

Como dito em um texto anterior, a ausência de uma cronologia bem segmentada tem suas vantagens, sendo a principal delas a facilidade de captar mais espectadores a cada novo lançamento, uma vez que a natureza episódica da saga tira do público toda a responsabilidade de saber a fundo tudo que ocorreu em capítulos anteriores (ao contrário de um MCU, por exemplo).



 

As diferentes gerações de 007 nunca compartilharam uma linha cronológica entre si.

No entanto, quando a fase protagonizada por Pierce Brosnan chegou ao fim os produtores entenderam que era chegada a hora de experimentar algo novo. Entra em cena então Cassino Royale com a proposta de ser a primeira aventura deste novo James Bond, no qual cada filme protagonizado por Daniel Craig estaria ligado ao anterior para assim mostrar a evolução dessa versão do espião.

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Não à toa Sem Tempo para Morrer surge como o fechamento dessa série, bem como da versão estrelada por Craig, oferecendo algo inédito na franquia que é uma despedida real de um ator para com Bond. Nunca antes os intérpretes do personagem tiveram tal oportunidade, muito por causa da já mencionada natureza episódica da cinessérie.

Há quem considere A Serviço Secreto de sua Majestade o fechamento real do arco do personagem envolvendo o Bond de Sean Connery (ainda que neste filme ele seja interpretado por George Lazenby), porém, a má recepção da obra fez o estúdio convocar novamente o veterano ator escocês para protagonizar Os Diamantes são Eternos logo em seguida.



Enfim, a franquia agora se encontra mais uma vez no terreno de decidir para onde seguir após o fim de uma das “eras”. Mesmo que a produtora Barbara Broccoli tenha dito que a única certeza no momento é a de que o espião vai voltar, vale a pena iniciar as especulações de como esse retorno vai acontecer.

  • De Volta para o Passado

Essa é uma suposição que tem recebido muito apoio na mídia de cultura pop, principalmente dentre as opções de para onde a franquia deve seguir. Não é difícil enxergar que essa suposição tem muitos pontos positivos. Voltar para os anos 60 (ou até mesmo os 50), consequentemente ao período da Guerra Fria, é voltar para o período áureo da espionagem e, não à toa, onde a franquia começou.

Um retorno ao período da guerra fria pode ser interessante, conforme mostrado em “O Espião que Sabia Demais

Não só isso mas a decisão de revisitar a década de 60 pode ser muito interessante do ponto de vista do design de produção, já que vai envolver a recriação aprofundada de toda uma ambientação retrô. Obras mais recentes como Noite Passada em Soho já mostraram o quão vital para um filme pode ser o design de produção para a imersão do público e andamento da narrativa.

Ao utilizar essa ferramenta junto a uma temática de espionagem, o projeto poderia recorrer à obras como Ponte dos Espiões e O Espião que Sabia Demais (ainda que evitando o ritmo bem mais lento desse segundo) para posicionar o fictício James Bond em meio a acontecimento históricos do período como a construção do Muro de Berlim ou a invasão à Baía dos Porcos, caso não recorra às tradicionais aventuras extravagantes da franquia.

  • Inserido no Mundo Pandêmico

A outra opção é se ater aos dias atuais e, dessa maneira, dar continuidade a uma outra longa tradição da marca. Além do estilo episódico, todos os filmes de 007, de uma forma ou de outra, estão visivelmente cientes do período em que eles são produzidos.

As aventuras de Bond sempre lidaram com temas atuais.

A fase Connery apresenta um herói mais de acordo com o arquétipo de herói da década de 60 (isso sem falar da forma como se relaciona com as mulheres); a fase Moore, a mais longa, já em seu primeiro projeto (Viva e Deixe Morrer) utiliza elementos da Blaxploitation que muito crescia nos EUA no início dos anos 70, alguns anos depois Foguete da Morte traria uma batalha espacial visivelmente inspirada em Star Wars.

Não só isso mas a saga sempre dialogou também com a representação do sexo cinema, este sendo tratado de forma bem aberta pelo protagonista ainda em 1962. Foi uma contribuição com seu quinhão de importância para a tratativa deste tema em filmes voltados para o grande público. Representar na tela o tempo em que vive é uma marca muito importante para 007.



Com o mundo vivendo ainda sobre as restrições impostas pela pandemia, econômicas principalmente, e a urgência ambiental na busca de novas formas de combustível é de se esperar que o próximo Bond tenha que lidar com um nêmeses que, de uma forma ou de outra, representam esse quadro.

 

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